A TEOLOGIA E OS TEÓLOGOS DA REFORMA.
A Teologia reformada é uma proposta ao pensamento teológico vigente na Igreja em sua época, as principais correntes teológicas até então presente na igreja tinha os seguintes modelos, primeiro as doutrinas foram forjadas pelos concílios, pelos pais da igreja, mas principalmente o escolasticismo de Agostinho, Anselmo de Cantuária, Abelardo de Paris, Bernardo de Claraval, Joaquim de Fiori. Posteriormente com o surgimento do aristotelismo surge Tomas de Aquino, Guilherme de Ockham, Duns Scotus, e o misticismo germânico. Além dos pré-reformadores que em muito contribuiu ao pensamento teológico reformado.
Havia três objetivos a alcançar a Teologia Reformada (doravante sigla TR):
01. Evidenciar os fundamentos bíblicos de seus ensinos.
02. Demonstrar que suas doutrinas estavam em acordo com os principais credos da Igreja (Apostólico, Niceno, Constantinopolitano).
03. Demarcar sua posição teológica em relação à teologia romana e às demais correntes provenientes da Reforma”[1].
A TR se consolidou com as Confissões que se desdobraram pela Europa, em 1559 a Confissão Gaulesa, 1560 a Confissão Escocesa sob liderança de Knox, Confissão Belga 1561, Trinta e nove artigos da Igreja da Inglaterra em 1563, Catecismo de Heidelberg 1563, Segunda confissão helvética 1562-1566 (leva este nome pois foi reformulada por Bullinger, amigo de Zuínglio, autor da primeira.). Cânones de Dort  1618-1619, quando foi apresentado a doutrina de Armínio, Confissão de Westminster e catecismos (1647-1648), A Confissão de Westminster, o Catecismo maior 1648 e o Catecismo menor 1647. Este nome maior é devido o destino, Menor para as crianças, e maior para os cleros.
As características da TR foi amplamente formulada por R.C Sprou, que possuí as seguintes pretensões:
1) TR é uma Teologia Sistemática, R.C. Sprou define esta sistematização como uma tarefa de ouvir os detalhes apresentados na Bíblia, e discernir como elas se encaixam, segundo é a que a Bíblia é totalmente coerente, e que toda fé cristã está intrinsecamente relacionado.
2) A TR possui um aparente paradoxo, em muitos pontos somos idênticos, mas em certos assuntos temos uma concepção particular, podemos ter a mesma concepção da onipotência de Deus, mas como ela se abrange será distinta em muitos casos. Assim podemos encontrar tanto predestinados, como arminianos; dicotômico como tricotômicos, Pré – Milenaristas como amilenaristas, e outros temas que se divide em controvérsias. Infelizmente certos grupos apontam seus divergentes como herético, sendo unicamente escolas interpretativas.
3) a TR é Católica, neste ponto Sprou deseja destacar a concepção universal da fé cristã, neste caso todos que se intitulam cristão, onde estiver, devem crer e defender esta fé doutrinária, propagada pelos apóstolos, e desenvolvida unicamente pelas Escrituras SOLA SCRIPTURA.
4) A TR é  evangélica, um do princípios de ser evangélica é a justificação pela fé, e abraçaram a visão de Lutero SOLA FIDE.
A TEOLOGIA DE LUTERO
Martinho Lutero não foi um leigo, ou um indouto na teologia, possuía doutorado pela universidade de Wittenberg, Lutero já havia completado os três graus exigidos para o doutorado: o Baccalaureus Biblius, que o habilitava a dar preleções introdutórias da Bíblia; o Formatus, que significava um conhecimento prático da terminologia escolástica e o Setentiarius, que o autorizava a fazer preleções sobre os dois primeiros livros das Sentenças de Pedro Lombardo, o compêndio doutrinário tomado como padrão na Idade Média. Então, ele passou a preencher os requisitos para seu doutorado em teologia. Em 18 de outubro de 1512, o grau foi solenemente conferido. Nessa ocasião, Lutero recebeu uma boina de lã, um anel de prata e duas Bíblias, uma fechada e a outra aberta. Ele fora indicado para o resto da vida como lectura in Biblia na Universidade de Wittenberg, sucedendo ao próprio Staupitz[2].
Os Principais Pontos Teológicos de Lutero:
1) Teologia da Gloria x Teologia da Cruz.: Lutero vai direcionar a teologia da glória como uma moralidade como recurso de salvação, uma soteriologia pelas obras, criada pelo arcabouço aristotélico[3], enquanto que a teologia da Cruz o homem busca seus méritos pela morte de Cristo, a Teologia Da Cruz revela a verdadeira condição do homem, e sua impossibilidade de salvar. Conforme Lutero vi afirmar “Uma teologia da glória denomina o mal, bem e o bem, mal. Uma teologia da cruz denomina a coisa como ela é efetivamente (Controvérsia de Heildelberg)”[4].
2) Interpretação da Escritura: A teologia de Lutero é teologia da Palavra[5], Lutero atribuiu a maior importância ao que ele denominou o sentido literal ou histórico da Escritura. Mas com isso ele não entendia a interpretação histórica no moderno sentido do termo; foi antes uma percepção derivada do contexto da fé.
A interpretação bíblica tradicional da Idade Média mantinha que a Escritura tem sentido quádruplo. Podia ser exposta literalmente, tropologicamente (simbolicamente, tópicos), anagogicamente (interpretação mística, elevação da alma as coisas divinas) e também alegoricamente, o que significava que se podia, por exemplo, fazer a Palavra se pronunciar sobre realidades gerais no mundo da fé ou da igreja.
Lutero rejeitou tal estrutura. Em sua opinião, a Escritura tem apenas um sentido próprio, o gramatical ou histórico. Naturalmente, também reconhecia a interpretação figurativa que se encontra na própria Bíblia, como por exemplo nos paralelos estabelecidos entre Cristo e certos personagens do Antigo Testamento (tipologia).
3) A doutrina da justificação: De acordo com Lutero, há duas espécies de justiça, a externa e a interna. Aquela consiste de ações externas e é adquirida por meio de conduta justa. Ela também pode ser chamada justiça civil, pois trata do homem como membro da sociedade, ou de sua conduta em relação aos outros homens. Sua vida externa é declarada justa ou injusta. A justiça interna, por sua vez, consiste de pureza e perfeição do coração. Pois essa justiça vem de Deus apenas como dádiva, pela fé em Jesus Cristo. justificação sustentada por Lutero rompeu decisivamente com o modelo agostiniano de distribuição progressiva da graça. Somos justificados não porque Deus nos está tornando gradualmente justos.
4)  Antropologia de Lutero: O pecado original, na opinião de Lutero, não é apenas a ausência de semelhança original com Deus; é forma concreta de corrupção que imprime sua marca no homem inteiro. Em termos específicos, o pecado não é só concupiscência — concebida como disposição negativa dos poderes inferiores da alma — mas um mal que afeta o homem inteiro, inclusive (e acima de tudo) os poderes superiores da alma.
5) Livre arbítrio: No famoso tratado controverso De Servo Arbítrio, que escreveu contra Erasmo em 1525, Lutero argumenta como segue: “Com respeito ao que se refere à salvação ou bem-aventurança eterna, o homem está completamente sem livre arbítrio; é qualidade inteiramente divina, que só pode ser atribuída a Deus”. Na opinião de Erasmo, o homem tem a capacidade de aceitar ou rejeitar a graça.
6) O sacerdócio de todo Cristão: A maior contribuição de Lutero à eclesiologia protestante foi sua doutrina do sacerdócio de todos os cristãos. Contudo, nenhum outro elemento de seu ensino é tão mal compreendido. Para alguns, isso significa apenas que não há mais sacerdotes na igreja; é a secularização do clero[6]. Dessa premissa, alguns grupos, notadamente os quacres, defenderam a abolição do ministério como ordem distinta dentro da igreja. Mais comumente, as pessoas acreditam que o sacerdócio de todos os cristãos implica que cada cristão é seu próprio sacerdote e, assim, possui o “direito do julgamento privado” em assuntos de fé e doutrina. Ambos os casos constituem perversões da intenção original de Lutero. A essência de sua doutrina pode ser expressa numa única frase: todo cristão é sacerdote de alguém, e somos todos sacerdotes uns dos outros.
Lutero rompeu decisivamente com a divisão tradicional da igreja em duas classes, clero e laicato. Todo cristão é um sacerdote em virtude de seu batismo. Esse sacerdócio deriva diretamente de Cristo. Tudo isso implica que ninguém pode ser um cristão sozinho. Assim como não podemos nascer de nós mesmos, ou batizar a nós mesmos, da mesma forma não podemos servir a Deus sozinhos.
7) “A Mão Esquerda de Deus”: Lutero e o Estado.
Lutero, Zuínglio, Calvio e Cranmer foram todos reformadores magisteriais. Esse termo, cunhado por George H. Williams, refere-se ao fato de que todos os principais reformadores fizeram seu trabalho reformador em aliança com o poder coercitivo do magistrado e sustentados por ele, seja um príncipe, seja o conselho da cidade, como no caso da Inglaterra, o próprio monarca.[7]
Se os católicos confundiam os dois reinos na direção de uma teocracia papal, os anabatistas separavam muito precisamente os reinos em nome do separatismo religioso. Considerando literalmente a injunção de Cristo à não-resistência (Mt I 5.39), os anabatistas recusavam-se a participar dos poderes coercitivos do Estado. Em oposição aos reformadores pacifistas, Lutero insistia na origem divina do Estado nos limites de  seu poder e na base para a participação do cristão em sua atividade coercitiva. O reino de Cristo, a igreja, é “a mão direita de Deus”; o reino do mundo, o Estado, é “a mão esquerda de Deus”[8].
Os cinco solas:
Sola fide (somente a fé) : é o ensinamento de que a justificação (interpretada na teologia protestante como "sendo declarada apenas por Deus") é recebida somente pela fé, sem qualquer interferência ou necessidade de boas obras.
Sola scriptura (somente a Escritura): é o ensinamento de que a Bíblia é a única palavra autorizada e inspirada por Deus e é única fonte para a doutrina cristã, sendo acessível a todos.
Solus Christus (somente Cristo): Cristo é o único mediador entre Deus e a humanidade, e que não há salvação através de nenhum outro.
Sola gratia (somente a graça): é o ensinamento de que salvação vem por graça divina ou "favor imerecido" apenas, e não como algo merecido pelo pecador. Isto significa que a salvação é um dom imerecido de Deus por causa de Jesus.
Soli Deo gloria (glória somente a Deus): é o ensinamento de que toda a glória é devida somente a Deus, pois a salvação é realizada unicamente através de sua vontade e ação.
O protesto de Lutero contra a Igreja Romana não foi fundamentalmente moral, como o de Erasmo e de outros reformadores, mas sim teológico. Como Agostinho, Wycliffe e Hus antes dele, Lutero falava sobre a igreja invisível cujos membros reuniam todo o grupo dos predestinados. A igreja estende-se tanto no tempo quanto no espaço, e não está presa a nenhuma cidade, pessoa ou época. Seu fundamento é a eleição graciosa de Deus, revelada em Jesus Cristo e atestada pelas Escrituras Sagradas[9].
Nos Sacramentos defendia inicialmente três Ceia, Batismo e a Confissão, depois aceitou apenas dois [10] (Do Cativeiro Babilônico da Igreja).

TEOLOGIA DE CALVINO
Embora Calvino em alguns sentidos perpetuasse a tradição iniciada por Zwínglio e Bucer (notadamente no campo da organização eclesiástica), não podemos menosprezar o fato de Calvino considerar-se acima de tudo um fiel seguidor de Lutero, alguém que representava basicamente o mesmo ponto de vista que o mantido por Lutero[11].
Alguns estudioso de Lutero, refere-se a Calvino como o maior discípulo de Lutero. Os dois reformadores nunca se encontraram pessoalmente. Ainda assim, Lutero elogiou alguns dos primeiros escritos de Calvino que lhe haviam sido enviados. Calvino, por sua vez, chamou Lutero de seu “pai muito respeitável”[12].
Pois deve-se lembrar sempre que, apesar de todas as controvérsias entre os luteranos e reformados, e apesar do fato que em alguns pontos Calvino sentiu-se constrangido a discordar de Lutero, a verdade é que Calvino sempre se viu como um expoente fiel das doutrinas básicas da reforma luterana.
Assim como Lutero Calvino deu pouca importância ao sistema de governo eclesiástico, muitos presbiterianos irão copiar o sistema de governo de Calvino em Genebra, pois para Calvino, qualquer igreja onde a Palavra de Deus é proclamada corretamente, e os sacramentos devidamente administrados, deve ser considerada como uma igreja verdadeira.
Para Justo Gonzales Calvino foi “ um dos mais importantes teólogos cristãos de todos os tempos”[13].
Diferentemente de Lutero, pode-se dizer que Calvino nasceu na igreja. Gérard Cauvin, seu pai, era o assistente administrativo do bispo de Noyon. Embora Calvino certa vez tenha descrito a si mesmo como “meramente um homem dentre o povo”, movia-se com facilidade entre os altos escalões da sociedade. Era um aristocrata de coração, se não de linhagem. Ele nunca esqueceu tal fato acerca de si mesmo, nem deixava que os outros se esquecessem disso.
1) A idéia da glória de Deus (la gloire de Dieu): a doutrina d Glória de Deus vai ocupa um lugar central na teologia de Calvino. Em sua opinião, a glória de Deus é o alvo de todos os planos de Deus para o mundo e para a salvação, bem como o da atividade humana. «(Deus) estabeleceu o mundo inteiro com esta finalidade, que possa servir de cenário para sua glória». Intimamente associada à idéia da glória de Deus (gloria Dei) na mente de Calvino estava a doutrina da providência de Deus (providentia Dei): tudo o que acontece é impelido pela vontade onipotente de Deus e por sua ativa cooperação. A onipotência divina também inclui a atividade humana, mesmo quando é má.
2) A Impotância daa Bíblia na Vida cristã: Calvino fala de duas revelações de Deus, primeiro a natural, livre vontade de Deus de se revelar. Entretanto, por causa da pecaminosidade humana, o efeito salvífico das obras de Deus na natureza foi nulo: elas podiam apenas deixar as pessoas sem desculpa ante o tribunal de julgamento. A Bíblia se torna outro aspecto de Deus se revelar, que esta Palavra seria como um balbucio e um óculos para a humanidade. Conforme seus comentário de ITimóteo, Calvino declara que; 1) A Bíblia é a Palavra inspirada de Deus;  2) A Bíblia é a Palavra de Deus revelada em linguagem humana; 3) A Bíblia é confirmada ao cristão pelo testemunho interior do Espírito Santo, A capacidade de “reconhecer” a Bíblia como Palavra de Deus, então, não era aptidão adquirida com estudo acadêmico, nem percepção obtida por pressuposições dogmáticas; antes, era o livre dom do próprio Deus.
A Escritura não deriva sua autoridade da igreja (doutrina defendida pelo Romanismo).  Pelo contrário, a igreja é construída sobre o fundamento dos profetas e apóstolos, e este fundamento deve agora ser encontrado na Escritura? Embora existam bases racionais para crer que as Escrituras são autoritativas, estas não são suficientes para provar que elas são a Palavra de Deus. Deus. Isto pode ser conhecido apenas por meio do testemunho interior do Espírito.
Calvino em seus comentário, inicia uma sistematização da doutrina cristã a partir de uma hermenêutica literal da Bíblia.
3) A Trindade Divina: Doutrina esquecida, ou nem tanto dedicada por Lutero e Zwinglio, suas idéias a esta doutrina, o fez um perseguidor implacável de opositores, entre eles Serveto ( condenando a fogueira, alguns afirmam que Calvino pediu a decapitação), Gentile ( condenado e morto decapitado mesmo depois da morte de Calvino),  e Gribaldi ( foi expulso de Genebra por suas teorias antitrinitária, por Calvino).
Calvino provou ser impecavelmente ortodoxo em suas próprias formulações da Trindade: “... quando professamos crer em um só e único Deus, pelo termo Deus entende-se uma essência única e simples, em que compreendemos três pessoas ou hipóstases...”[14]
4) Condição do Humana: Esta doutrina foi importante ser desenvolvida, e Calvino sabia disto, pois os filósofos gregos não tinham uma concepção da queda, como as religiões da Bíblia (Judaismo e Cristianismo), por isto na reformulação cristã-filosofia não houve uma preocupação de se entrar corretamente nesta abordagem, antes em uma avaliação de virtude e dignidade. Calvino a recupera desenvolvendo uma sistematização bíblica do pecado, e sua real situação na humanidade, para ele o pecado corrompeu o intelecto e a vontade humana.
5) Cristologia: Calvino se via diante de cinco pensamentos distinto sobre a pessoa de Cristo.
A) O Anabatistas: Meno Simon enfatizava que Cristo não possui uma carne terrena, mas celestial.
B) Osiander: A encarnação ocorreria mesmo se não houvesse uma queda, doutrina já postulada pelo franciscanos. E que a intercessão ocorria por meio de sua divindade.
C) Serveto: Negava a divindade de Jesus, afirmava que Ele foi o primeiro a ser cheio do Espírito ainda no ventre, e que foi gerado pelo Espírito Santo, e que as duas naturezas de Jesus era na verdade sua vida cheia do Espirito, como cada cristão pode também ser.
D) Francesco Stancaro: Que a intercessão de Jesus era apenas por sua natureza humana. Para Calvino sua união hipostática servia para a salvação do homem.
E) Lutero: A onipresença do corpo de Jesus em vários sacramentos simultâneos, Calvino vai concordar com Zwinglio, que a divindade está totalmente presente em Jesus, mas a onipresença não foi atribuída ao corpo de Jesus.
Calvino vai finalizar a sua doutrina cristológica, pois ele defende este posicionamento no final de sua vida, nos três ofícios de Jesus chamado de Tríplex Múnus, profético no seu ministério terreno, sacerdotal, sua intercessão e a real na vida de cada cristão (já que Calvino era amilenarista).
6) Justificação: Aqui se baseia a diferença entre justificação pelas obras e justificação pela fé. Justificação pelas obras é aquela que tenta afirmar sua própria justiça, e assim satisfazer as exigências de Deus para justiça. Calvino rejeita a distinção Escolástica entre fé que é “formada” - isto é, tem recebido uma “forma” - pela caridade, e a fé “disforme”, O que os Escolásticos chamam de “fé disforme” não é a verdadeira fé.
Para Calvino a verdadeira e única função da fé  “E nós dizemos que ela consiste na remissão de pecados e na imputação da justiça de Cristo.” [15]. Fé não é a confiança pela qual nós aceitamos aquilo que nós não podemos provar pela razão, mas a autoridade nos diz. Há de fato coisas que são cridas baseadas na autoridade das Escrituras, mas crença em tais coisas não é fé. O papel da fé é o de unir o crente com Cristo, de tal forma que a justiça de Cristo é imputada ao crente, apesar do pecado.
7) Calvino estabelece uma clara distinção entre a igreja visível e a invisível. Falando estritamente, apenas a última, que é formada por todos os eleitos, vivos e mortos, é a verdadeira igreja universal. Apenas ela é o corpo de Cristo, pois apenas os eleitos são membros do seu corpo, e na igreja visível há muitos que não são eleitos. Entretanto, Calvino não leva esta distinção a ponto de caracterizar as duas igrejas como opostas. Pelo contrário, a igreja visível é uma expressão necessária e útil da igreja invisível, e enquanto nós permanecemos nesta vida, a igreja visível deve ser nossa igreja.
Sendo assim para Calvino cada cristãos não devem abandonar a igreja visível sob o pretexto de serem membros de um corpo invisível, Calvino era tão radical quanto esta situação que quem não fosse ao culto dominical , a não ser por justo motivo, seria preso.
8) Os Sacramentos: Como todo reformador, Calvino vais estabelecer apenas dois, a Ceia e o Batismo. Quanto ao batismo, defende o batismo infantil, o propósito do batismo - como de todo sacramento - é duplo; ele serve a fé, e é uma confissão diante dos outros. Por isto podemos aceitar o batismo realizado no Romanismo (contra os anabatistas). E deve ser ministrada unicamente pelo pastor, e que tanto a imersão quanto a aspersão são aceitáveis.
A lavagem que acontece no batismo não é tal que tenha validade apenas para o passado. Assim, a questão dos pecados pós-batismo, que foi uma questão importante no período da Patrística e finalmente se desenvolveu no sistema de penitência, não foi um problema para Calvino. Sua resposta foi simplesmente que o batismo era válido por toda a vida, e não somente no momento de sua celebração. Obviamente, esta idéia está intimamente conectada com a doutrina da justiça imputada, pois o que acontece no batismo não é que alguém seja efetivamente feito limpo e sem pecado, mas que a justiça de Cristo é declarada como sendo do crente. Como esta justiça tem valor permanente, o batismo é para a vida toda e purifica de todos os pecados, passados e futuros. Como conseqüência, o batismo não restaura alguém ao estado de Adão antes da queda. Sua função é estritamente cristocêntrica, e seu poder repousa na união com Cristo, que é o seu significado.
Para Zwinglio um memorial, para Lutero Consubstanciação, Para Lutero ao invés de transubstanciação, ocorre a consubstanciação, ou seja, a união de dois corpos na mesma substância, mantendo [16]a presença de Cristo na Eucaristia para os Romanistas Transubstanciação e para Calvino defendia a presença espiritual de Cristo na Santa Ceia. Mas diferente dos romanos e luteranos, e tomando por base uma frase da liturgia tradicional da Eucaristia (“sursum corda”, “elevemos os corações”), ele dizia que não era Cristo quem descia para tomar forma de pão e de vinho, mas era a Igreja quem era elevada espiritualmente aos céus para participar da Ceia na presença de seu Senhor[17].

TEOLOGIA DA REFORMA RADICAL
Foi um movimento reformador dentro da própria reforma, mas surge uma questão, será que ela foi necessária? Cremos que sim. Então surge outra questão, ela foi extrema? Sim, mas estes radicais nas suas atitudes provocou tanto em Lutero, Zwinglio e Calvino atitudes também radicais contra estes reformadores, que estavam também, como eles, imbuídos no desejo de trazer ao cristianismo a sua originalidade Bíblica. Logo seus críticos foram extremistas como eles na sua reforma.
A Reforma radical nasce na crítica tanto a Lutero como a Zwinglio, conforme Gonzales “ logo apareceram outros que assinalavam que o próprio Zwínglio não levava essas idéias a sua conclusão lógica”[18]. Assim nasce os radicais. Seus primeiros líderes, Conrad Grebel e Felix Mantz, foram discípulos radicais de Zuínglio que sentiram estar apenas levando a conseqüencias lógicas as idéias que haviam aprendido do mestre Ulrich.
Criticavam o envolvimento da Igreja com o estado, desde Constantino, o batismo infantil e não reconheciam o batismo romano, a igreja não deve se fundir a sociedade, e qualquer envolvimento a igreja se dará por decisão própria. A igreja é uma comunidade voluntária e não uma sociedade dentro da qual nascemos. Eram pacifistas, contra envolvimento a guerras (um dos problemas desta doutrina era a constante ameaça dos turcos na Alemanha), o Sermão do Monte deveria ser obedecido literalmente.
Em particular, estas pessoas, que se chamavam pelo nome de "irmãos", sustentavam que se devia fundar uma congregação ou um grupo dos verdadeiros crentes, para contrastar com aqueles que se diziam cristãos pelo fato de terem nascido num país cristão e terem sido batizados quando crianças. Quando finalmente observou-se que Zwínglio não seguiria o caminho que ele propunham, alguns dos "irmãos" decidiram fundar eles mesmos essa comunidade de verdadeiros crentes.
Em sinal disso, o ex-sacerdote Jorge Blaurock pediu a outro dos irmãos, Conrado Grebel, que o batizasse. Em 21 de janeiro de 1525, junto à fonte que se encontrava no meio da praça de Zurich, Grebel batizou Blaurock que, em seguida, fez o mesmo com outros irmãos. Aquele primeiro batismo todavia não foi por imersão, pois o que preocupava a Blaurock, Grebel e os demais não era a forma em que se administrava o rito, mas a necessidade que a pessoa tivesse e proclamasse sua fé antes de ser batizada. Mais tarde, em seus esforços por serem bíblicos em todas as suas práticas, começaram a batizar por imersão.
Quando Lutero ficou os dez meses no exílio no Castelo de Wartburg, Andreas Karstadt o substitui e radicalizou a reforma na Alemanha, arrancando e quebrando as estatuas das igrejas (iconoclastas), em 1524 Tomaz Müntzer lidera o levante de camponeses (fugindo de seu pacifismo inicial). Hans Hut ex-discípulo de Thomas Müntzer. previu que Cristo haveria de retornar à terra no domingo do Pentecoste de 1528. Ele começou a reunir os 144 000 santos eleitos (Ap 7.4), os quais ele “selou”, batizando-os na testa com o sinal da cruz. Ele morreu antes de 1528. Melchior Hoftnann, que estabeleceu uma data (1534)
Mas logo este movimento se deslocou em um extremismo, para eles além das Escrituras o Espírito Santo deveria ser também ouvido, surgindo com isto alguns que se dizia ser direcionados pelo Espírito Santo. Em Estrasburgo onde o anabatismo era relativamente forte e havia uma certa medida de tolerância, Hoffman se tornou anabatista. Pouco depois começou a anunciar que o dia do Senhor estava próximo. Sua pregação inflamou as multidões, que correram para Estrasburgo, onde segundo ele seria estabelecida a Nova Jerusalém (eram pré-milenaristas).
Com a prisão de Hoffman, se espalhou que a Nova Jerusalém seria em Münster, Rapidamente o número dos anabatistas em Münster foi tal que conseguiram apoderar-se da cidade. Seus chefes eram um padeiro holandês, João Matthys, e seu principal discípulo, João de Leiden. Uma das primeiras providências foi mandar os católicos para fora da cidade. O bispo, expulso de sua sede, reuniu um exército e sitiou a Nova Jerusalém.
Enquanto isso, dentro da cidade, se insistia cada vez mais em que tudo se ajustasse à Bíblia. Os protestantes moderados foram também considerados ímpios. Constantemente se destruíam as esculturas, pinturas e demais objetos do culto tradicional. Fora da cidade o bispo matava a todos os anabatistas que caíssem em suas mãos. Os defensores se exaltavam cada vez mais, à medida em que a situação piorava, pois os alimentos se escasseavam.
Diariamente havia aqueles que criam receber visões do alto. E numa saída militar contra as forças do bispo, João Matthys caiu morto, e João de Leiden o sucedeu. Devido à guerra constante e o êxodo de muitos varões, a população feminina da cidade era muito maior que a masculina, e João de Leiden decretou a poligamia, usada pelos patriarcas do Antigo Testamento. Por lei, toda mulher na cidade deveria estar casada com algum homem.
Porém, pouco depois, um grupo de habitantes da Nova Jerusalém, talvez fastiados pelos excessos que se cometiam, ou talvez impulsionados pela fome e pelo medo, abriram as portas da cidade para o bispo, cujas tropas arrasaram os defensores do reduto apocalíptico. O rei da Nova Jerusalém FOI capturado e preso.
O número de mártires foi enorme, provavelmente maior do que todos os que morreram durante os três primeiros séculos da história da igreja. O modo pelo qual se aplicava a pena de morte variava de lugar para lugar e até de caso para caso. Com cruel ironia, em alguns lugares se condenavam os anabatistas a morrerem afogados.
Em 1525, as regiões católicas da Suíça começaram a condenar os anabatistas à pena capital. No ano seguinte o Conselho de Governo de Zurich decretou também a pena de morte para quem rebatizasse ou quem se deixasse rebatizar. E em poucos meses todos os demais territórios protestantes da Suíça seguiram o exemplo de Zurich.
Na Alemanha não existia uma política uniforme, pois se aplicavam aos anabatistas as velhas leis contra os hereges e cada estado seguia pelo caminho que melhor lhe parecia. Em 1528, Carlos V decretou a pena de morte para os anabatistas, apelando para uma velha lei romana, criada para extirpar o donatismo, segundo a qual quem se fizera culpável de rebatizar ou de rebatizar-se devia ser condenado à pena de morte. A dieta de Spira, de 1529, a mesma em que os príncipes luteranos protestaram e por isso receberam o nome de protestantes, aprovou o decreto imperial contra os anabatistas. E desta vez ninguém protestou.
SEGUNDA GERAÇÃO
O mais notável porta-voz dessa nova geração foi Menno Simons, um sacerdote católico holandês que abraçou o anabatismo em 1536, isto é, no mesmo ano em que foram executados João de Leiden e seus companheiros. Simons se uniu a um grupo de anabatistas holandeses cujo chefe era Obbe Philips, porém logo se destacou entre eles de tal maneira que o grupo recebeu o nome de "menonitas".
Os cristãos, segundo cria Menno Simons, não tinham que prestar juramento algum e, portanto, não poderiam ocupar cargos públicos que requeriam tais juramentos. Porém, tinham que obedecer as autoridades civis em tudo, exceto no que as Escrituras proibiam. O batismo, que Menno praticava jogando água sobre a cabeça, somente seria administrado aos adultos que confessassem a sua fé. Nem esse rito, nem a ceia conferem graça alguma, mas são sinais externos.
COCLUSÃO:
De forma brilhante todos estes movimentos da reforma alcançou de forma madura a construção e  elaboração teológica da fé cristã, retornando principalmente as Escrituras como recurso único e fundamental de toda construção da doutrina cristã.
Não desprezando o que foi elaborado através dos tempos pela igreja, mas sem medo e receio rejeitando oque não concordavam com as Escrituras.
A Teologia Reformada foi o motivo de muitas controvérsias, e posteriormente de dissenções dentro dos reformadores, mas isto foi devido de um grande período de erros, equívocos, que se encontravam no seio da Igreja, que foi se afastando da compreensão dos apóstolos da Igreja sobre a fé cristã.
Hoje muito dos pensamentos, de muitas práticas cristã da nossa Teologia Sistemática protestante é oriunda destes reformadores, e, inclusive nossa hermenêutica aplicada em nossa leitura das Escrituras, são um resgates da reformulação da teologia no período da reforma.









BIBLIOGRAFIA BÁSICA:
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[4] GONZALEZ, Justo L. Uma História do Pensamento Cristão da Reforma Protestante ao Século 20. São Paulo: Cultura Cristã; vol.. 3, 2004.
[5] Hágglund, Bengt. História da Teologia, Ed Concórdia, Porto Alegre, 2003.
[6] TILLICH, Paul. História do Pensamento Cristão. 3. Ed. São Paulo: ASTE, 2004.
[7] GONZALEZ, Justo L. Uma História do Pensamento Cristão da Reforma Protestante ao Século 20. São Paulo: Cultura Cristã; vol.. 3, 2004.
[8] GEORGE, Timothy. Teologia dos Reformadores. São Paulo: Vida Nova, 1994.
[9] LIENHARD, Marc. Martim Lutero: tempo, vida e mensagem. Rio Grande do Sul: Sinodal & IEPG, 1998
[10] LIENHARD, Marc. Martim Lutero: tempo, vida e mensagem. Rio Grande do Sul: Sinodal & IEPG, 1998.
[11] Hágglund, Bengt. História da Teologia, Ed Concórdia, Porto Alegre, 2003.
[12] GEORGE, Timothy. Teologia dos Reformadores. São Paulo: Vida Nova, 1994.
[13] GONZALEZ, Justo L. Uma História do Pensamento Cristão da Reforma Protestante ao Século 20. São Paulo: Cultura Cristã; vol.. 3, 2004.
[14] CALVINO,João. Institutas I, XIII.
[15] Calvino, João Institutas Inst., 3.Í1.2
[16] Lopes, Edson Pereira; Fernandes, Janniere Villaça da Cunha. SANTA CEIA: UMA DAS MAIS SIGNIFICATIVAS CONTROVÉRSIAS
ENTRE OS REFORMADORES LUTERO, ZWÍNGLIO E CALVINO, CIÊNCIAS DA RELIGIÃO – HISTÓRIA E SOCIEDADE Volume 6 • N. 2 • 2008
[17] CALVIN, João. Comentário à Sagrada Escritura – Exposição de 1º Corinto; Ed Parakleto, S. Paulo 1996.
[18] Gonzales , Justo L. . São Paulo: Era dos Reformadores Vl.6 Vida Nova, 1995.
ANTES DE TODAS AS COISAS, DEUS.
Texto básico: Sl 90.1-17
1 Oração de Moisés, homem de Deus. SENHOR, tu tens sido o nosso refúgio, de geração em geração.
2 Antes que os montes nascessem, ou que tu formasses a terra e o mundo, mesmo de eternidade a eternidade, tu és Deus.
3 Tu reduzes o homem à destruição; e dizes: Tornai-vos, filhos dos homens.
4 Porque mil anos são aos teus olhos como o dia de ontem que passou, e como a vigília da noite.
5 Tu os levas como uma corrente de água; são como um sono; de manhã são como a erva que cresce.
6 De madrugada floresce e cresce; à tarde corta-se e seca.
7 Pois somos consumidos pela tua ira, e pelo teu furor somos angustiados.
8 Diante de ti puseste as nossas iniquidades, os nossos pecados ocultos, à luz do teu rosto.
9 Pois todos os nossos dias vão passando na tua indignação; passamos os nossos anos como um conto que se conta.
10 Os dias da nossa vida chegam a setenta anos, e se alguns, pela sua robustez, chegam a oi-tenta anos, o orgulho deles é canseira e enfado, pois cedo se corta e vamos voando.
11 Quem conhece o poder da tua ira? Segundo és tremendo, assim é o teu furor.
12 Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos corações sábios.
13 Volta-te para nós, SENHOR; até quando? Aplaca-te para com os teus servos.
14 Farta-nos de madrugada com a tua benignidade, para que nos regozijemos, e nos alegremos todos os nossos dias.
15 Alegra-nos pelos dias em que nos afligiste, e pelos anos em que vimos o mal.
16 Apareça a tua obra aos teus servos, e a tua glória sobre seus filhos.
17 E seja sobre nós a formosura do SENHOR nosso Deus, e confirma sobre nós a obra das nossas mãos; sim, confirma a obra das nossas mãos.
Vamos verificar que mensagens podem descobrir com esta pergunta.
I- Deus é antes de todas as coisas
Deus é antes de todas as coisas – Cl 1.17. Ou, como o primeiro versículo da Escritura coloca, no princípio, Deus... . Antes não havia nada, senão Deus, o Incriado, Deus é Autoexistente. O salmista disse: De eternidade a eternidade, Tu és Deus – Sl 90.2. Nunca houve um tempo em que Deus não tenha existido. De fato, Ele existiu desde sempre, antes de todas as coisas. Ele é chamado de “o Primeiro” e o “Alfa” (Ap 1.8; 1.17; 21.6). Frequentemente, a Escritura refere-se a Deus existindo antes que o mundo existisse – Jo 17.5; cf. Mt 13.35; 25.34; Jo 17.24; Ap 13.8; 17.8.
Deus não existia somente antes de todas as coisas, mas existia antes do próprio tempo. Isso quer dizer que Ele é Eterno. Deus existia antes dos tempos eternos – II Tm 1.9 (ARA). Por final, Deus trouxe o tempo à existência quando fez o universo – literal “as eras” (Heb 1.2). Somente Deus possui imortalidade – I Tm 6.16. Nós recebemos a imortalidade como um Dom (Rm 2.7; I Co 15.53; II Tm 1.10). Nossa existência tem um começo; a de Deus, Pv. 8.23 - “Desde a eternidade fui estabelecida; desde o princípio, antes do começo da terra”.
Deus simplesmente é. A Bíblia não começa com um grande conjunto de provas para provar a existência de Deus; não começa com uma abordagem de baixo para cima; nem começa com algum tipo de analogia adjacente ou semelhante. Apenas começa: “No princípio, Deus.” Agora, se os seres humanos são o teste para tudo, isso não faz o menor sentido, porque, então, nós temos o direito de sentar e julgar se é provável que Deus exista, avalie a evidência, e venha com: “Há uma certa probabilidade que talvez Deus de uma maneira ou de outra exista.”[1]  E assim nós nos tornamos os juízes de Deus. Mas o Deus da Bíblia não é assim. Apenas começa: “No princípio, Deus.” Ele é. Ele não é o objeto que nós avaliamos, ele é o Criador que nos criou. Isso muda toda a dinâmica.

II- Deus é Autoexistente.
Esta afirmativa não é encontrada nas Escrituras, mas é reconhecida por todos nós, ateísta Bertrand Russel escreveu em seu livro “Por que não sou um Cristão” que, se é verdade que todas as coisas precisam de uma causa, então Deus também precisa de uma causa. A partir daí ele concluiu que se Deus precisava de uma causa, então Deus não era Deus (e se Deus não é Deus, então, logicamente, não há Deus).
Enquanto as Escrituras afirma que Salmo 90:1-2 diz: "Senhor, tu tens sido o nosso refúgio, de geração em geração. Antes que os montes nascessem e se formassem a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu és Deus.";
Podemos ainda citar “E disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós” Êxodo 3.14; “E plantou um bosque em Berseba e invocou lá o nome do SENHOR, Deus eterno” Gênesis 21.33; “Mas tu és o mesmo, e os teus anos nunca terão fim” Salmo 102.27.
“A razão pela qual sabemos que Deus existe é porque Ele nos disse e a nós Se revelou... Deus não só existe, mas Ele também nos comunicou este fato. Ele nos contou sobre quem Ele é, como Ele é e qual o Seu plano para o planeta Terra. Ele revelou essas coisas à humanidade através da Bíblia”. [2]
Deus é eterno. Ele não tem começo nem fim. Assim, é totalmente auto-suficiente, não precisa de nada além dele mesmo para existir e agir.[3]  Deus tem uma relação voluntária com tudo o que criou, mas não tem uma relação necessária com coisa alguma além dele próprio.[4]
II- Deus existia em glória sublime.
A "teologia de processo", uma antiga heresia com uma roupagem moderna, fala de um "deus limitado" que se encontra no processo de tornar-se um deus "maior". Contudo, se Deus é Deus, da forma como entendemos essa palavra, então ele é eterno e não precisa de nada; ele é onisciente, onipotente e onipresente. A fim de ter um "deus limitado", é preciso, antes de tudo, redefinir a palavra "Deus", pois de acordo com a própria definição desse termo, Deus não pode ser limitado.
Além disso, se Deus é limitado e "está se expandindo", qual poder o está tornando maior? Esse poder teria de ser maior do que "Deus" e, portanto, ser Deus! Isso não faria, então, com que tivéssemos dois deuses em vez de um?[5]  Porém, o Deus da Bíblia é eterno e não tem começo. Ele é infinito e não possui qualquer limitação de tempo ou espaço. Ele é perfeito e não tem como "melhorar"; por ser imutável, não tem como sofrer qualquer alteração. O Deus que Abraão adorava é o Deus eterno (Gn 21:33), e Moisés disse aos israelitas: "O Deus eterno é a tua habitação e, por baixo de ti, estende os braços eternos" Dt 32.17; Hc.1.12; 3. 6; Rm 16.16; ITm. 1.17.
III- Deus vivia em unidade e em Amor.
Jo 17.5 aquela glória que tinha contigo A. que o mundo existisse. Jo 17.24 deste; porque tu me hás amado A. da criação do mundo. Aqui em 17.5, o Filho anseia pela glória de regozijar-se na alegria de seu povo salvo, exaltam ente o povo cuja salvação ele (junto com o Pai e o Espírito) planejara desde a eternidade, antes da fundação do mundo. Deus sempre tem prazer em suas próprias obras. O Filho se gloria na glória do Pai, e se regozija na alegria de todos os redimidos. Quando eles cantam, ele canta! (Sf 3.17). [6]
A glória a respeito da qual Jesus fala é a sua própria. Ele se refere a ela como “minha glória que me deste”. O Filho deseja que todos os crentes possam contemplá-la para sempre, ou seja, o brilho de seus atributos divinos como eles são refletidos em sua natureza humana exaltada (embora, é claro, eles nunca se tornem parte dessa natureza humana) e no caráter transformado, a alegria indizível, o amor sem fim, a paz perfeita de todos aqueles que entram no descanso que perdura para o povo de Deus. Esta é a glória que o Pai deu ao Filho.
IV- A Trindade deliberou todas as coisas antes da criação
O maravilhoso plano de redenção não foi algo improvisado para o povo de Deus escolhido em Cristo "antes da fundação do mundo" (Ef 1:4; Ap 1 7:8) e entregue ao Filho pelo Pai tanto para pertencer a seu reino (Mt. 25:34) quanto para participar de sua glória (Jo 17:2, 6, 9, 11,12, 24). A morte sacrificial do Filho não foi um acidente, mas sim um compromisso (At 2:23; 4:27, 28); pois ele "foi morto desde a fundação do mundo" (Ap 13:8).
Nas deliberações eternas, a Divindade decidiu criar um mundo que incluiria seres humanos feitos à imagem de Deus. Não só o Pai (Gn 1:1; 2 Rs 19:15; At 4:24), mas também o Filho (Jo 1:1-3, 10; Ci 1:16; Hb 1:2) e o Espírito Santo (Gn 1:2; SI 104:30) participaram da criação. Deus não criou o mundo porque precisava de alguma coisa, mas sim para que pudesse compartilhar seu amor com suas criaturas que, diferentes dos anjos, são feitas à imagem de Deus e podem corresponder a seu amor livremente.
A Divindade determinou que o Filho viria à Terra e morreria pelos pecados do mundo, e Jesus veio para fazer a vontade do Pai (Jo 10:17, 18; Hb 10:7). As palavras de Jesus vinham do Pai (Jo 14:24), e suas obras eram comissionadas pelo Pai (Jo 5:17-21, 36; At 2:22) e investidas do poder do Espírito (At 10:38). O Filho glorifica o Pai (Jo 14:13; 1 7:1, 4), e o Espírito glorifica o Filho (Jo 16:14). As Pessoas da Trindade trabalham em conjunto para realizar a vontade de Deus.
De acordo com Efésios 1:3-14, o plano da salvação é trinitário: somos escolhidos pelo Pai (vv. 3-6), redimidos pelo Filho (vv. 7-12) e selados com o Espírito (vv. 13, 14) - tudo isso para o louvor da glória de Deus (vv. 6, 12, 14). O Pai concedeu autoridade ao Filho para dar vida eterna àqueles que ele entregou ao Filho (Jo 17:1-3). Tudo isso foi planejado antes mesmo que o mundo existisse![7]
V- Deus é o início e o fim de todas as Coisas
Deus acha seu fim a) em si mesmo; b) em sua própria vontade e prazer; c) em sua própria glória; d) em tomar conhecido seu poder, sua sabedoria e seu santo nome. Todas estas afirmativas podem ser combinadas no seguinte, a saber, que o supremo fim de Deus na criação não é nada fora de si mesmo, mas é a sua própria glória – na revelação da perfeição infinita do seu próprio ser, nas criaturas e através delas.
Rm. 11.36 - “Para ele são todas as coisas”. Cl. 1.16 - ‘Todas as coisas foram criadas ... para ele (Cristo)”; compare Is. 48.11 - “por amor de mim, por amor de mim o farei... e minha glória não darei a outrem”; e 1 Co. 1 5 .2 8 “... se sujeitou aquele que todas as coisas lhe sujeitou para que Deus seja tudo em todos”.



[1] D. A. Carson. O Deus Presente: O Deus que Criou Todas as Coisas – Palestra da Ed. Fiel.
[2] McDOWELL, Josh. STEWART, Don. Respostas Àquelas Perguntas: O que os céticos perguntam sobre a fé cristã. São Paulo: Editora Candeia, 1997.
[3] Warren W . Wiersbe. Comentário Bíblico Expositivo Antigo Testamento Volume I — Pentateuco. 2010.
[4] Tozer , A. W. The Knowledge of the Holy. Nova York: Harper and Brothers, 1961.
[5] Aquilo que conhecemos hoje como "teologia de processo" teve origem nos ensinamentos do filósofo inglês Alfred North Whitehead (1861-1947), amplamente difundido por seu discípulo Charles Hartshore, e pelo rabino Harold Kushner em seu livro ‘Quando coisas ruins acontecem a pessoas boas’ (São Paulo: Nobel)). De acordo com Kushner, no momento, Deus é fraco demais para fazer alguma coisa sobre o câncer, as guerras e as tragédias da vida; mas, à medida que confiamos nele e fazemos o bem, nós o fortalecemos para que ele alcance maiores realizações.
[6] Hendriksen, William. O Evangelho de João . Tradução de Elias Dantas e Neuza Batista - São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2004.
[7] Warren W. Wiersbe. Comentário B íblico Expositivo Antigo Testamento Volume I — Pentateuco. 2010.
.   OS GRANDES TEMAS DO LIVRO DE GÊNESIS.
Texto básico Gn. 2.1-5
1 Assim os céus, a terra e todo o seu exército foram acabados.
2 E havendo Deus acabado no dia sétimo a obra que fizera, descansou no sétimo dia de toda a sua obra, que tinha feito.
3 E abençoou Deus o dia sétimo, e o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra que Deus criara e fizera.
4 Estas são as origens dos céus e da terra, quando foram criados; no dia em que o SENHOR Deus fez a terra e os céus,
5 E toda a planta do campo que ainda não estava na terra, e toda a erva do campo que ainda não brotava; porque ainda o SENHOR Deus não tinha feito chover sobre a terra, e não havia homem para lavrar a terra.
Na semana passada verificamos que mesmo que Moisés não foi seu autor, mas transformou o livro de Gênesis acessível a todos, e graças a esta iniciativa podemos encontrar tamanha informação que explica muitas cosas aos homens, vamos nesta lição continuar a estrutura deste maravilhoso livro dado por Deus a todos nós.
I- A DIVISÃO NATURAL DE GÊNESIS
a. As gerações dos céus e da terra ( Gênesis 2:4 - 4:26 ). Revela a criação tanto do homem, como da mulher, sua queda, e as consequências imediatas do pecado.
b. As gerações ou a história de Adão ( Gênesis 5:1 - 6:8 ). Registra duas sociedades paralelas, uma piedosa e temente a Deus, e como esta se corrompeu com a sociedade chamada caimitas, perversa, mas desenvolvida e dominante, e termina seu registro com Deus estabelecendo seu juízo.
c. As gerações ou a história de Noé ( Gênesis 6:9 - 9:29 ). O personagem principal é Noé, como sobreviveu ao dilúvio, e termina com uma maldição.
d. As gerações ou a história dos filhos de Noé ( Gênesis 10:1-11:9 ). Descreve as descendências de Sem, Cam e Jafé, a construção de Babel e a dispersão do homem por Deus confundindo por meio do idiomas, também termina sua sessão com uma intervenção divina.
e. As gerações ou história de Sem ( Gênesis 11:10-26 ). Descreve o filho de Noé que gerou o povo que surge o o principal personagem da história de Gênesis, Abraão.
f. As gerações ou história de Tera (Abraão) ( Gênesis 11:27-25:11 ). Relata a vida e a história do primeiro patriarca, Abraão.
g. As gerações ou a história de Ismael ( Gênesis 25:12-18 ). O segundo patriarca, o filho de Abraão que leva a promessa da constituição do povo escolhido.
h. As gerações ou a história de Isaque ( Gênesis 25:19-35:29 ). Este registro revela que Deus não abandonou este filho de Abraão, no decorrer das Escrituras, Deus ainda revelará o desejo de agregar esta descendência.
i. As gerações ou a história de Esaú ( Gênesis 36:1-43 ). O filho preferido do pai, mais não eleito por Deus para dar continuidade aos propósitos divinos.
j. As gerações ou a história de Jacó ( Gênesis 37:1-50:26 ). O filho preterido pelo seu pai, mas escolhido por Deus, registra a formação das doze tribos que estabelecerão a nação de Israel.
Essa reiterada expressão também serve com o estrutura do livro inteiro, mostrando que existe uma sequência contínua da criação até a linhagem de Adão, da linhagem de Adão até a linhagem de Noé, da linhagem de Noé até os três filhos de Noé, destes até Sem, e então até Terá, o pai de Abraão. Cerca de metade dessa estrutura literária aparece em Gênesis 1— 11, o que situa a narrativa desses primeiros capítulos no mesmo contexto histórico da outra metade, na mesma estrutura literária visível na narrativa patriarcal de Gênesis 12—50. [1]
II- OS PRINCÍPOS DE GENESIS
1. Gênesis é "O Grande Livro de ancestralidade humana."
2. Gênesis é "O Grande Livro da História dos Patriarcas". As vidas dos pais de Israel, Abraão, Isaque e Jacó são narrados por Gênesis.
3. Gênesis é "O Grande Livro que lança a Graça de Deus para com o homem."
4. Gênesis é "O Grande Livro que estabelece os pactos ou as aliança, Gênesis mostra relação muito especial de Deus com o homem, como Deus estabeleceu Seus primeiros quatro pactos com o homem em quatro momentos cruciais na história do homem.
Estas Alianças seriam:
a. A aliança edênica pelo qual Deus se encontrou com a maioria das necessidades básicas do homem ( Gênesis 2:15-17 ).
b. A aliança adâmica ou a aliança com Adão, pela qual Deus promete redenção (Gênesis 3:15 ).
c. A aliança de Noé ou a aliança com Noé, pela qual Deus preserva a raça humana (Gênesis 6:18 ; Gênesis 9:8-17 ).
d. A Aliança de Abraão ou a aliança com Abraão através do qual Deus começa uma nova raça (os judeus) para ser a linha escolhida do povo de Deus ( Gênesis 12:1-3 ).
É importante notar que os pactos com Adão e Noé podemos chama-los de universais; ou seja, eles cobrem a relação que existe entre Deus e toda a raça humana. Mas a aliança com Abraão é um pacto limitado; ou seja, abrange apenas a relação que existe entre Deus e Seu povo escolhido, neste caso a nação de Israel, que diligentemente deveria seguir e obedecer a Deus, mas acima de tudo crer nela. ( Gênesis 11:6 ).
5. Gênesis é "O Grande Livro que começa peregrinação de fé do homem."
  Adão, Abel, Enoque, Noé, a linhagem piedosa de Deus: eles demonstraram grande fé em Deus ( Gênesis 3:15;  3:21; 4:3 -4; 5:21-24; 6:9-10 ).
  Abraão, Isaque e Jacó eram homens de grande fé.
6. Gênesis é "O Grande livro que revela as principais promessas de Deus."
  Há a promessa de Deus para enviar a semente prometida , o Salvador do mundo, para esmagar o poder de que "a antiga serpente, chamada o diabo" (Gênesis 3:15; Ap 12:9;  20:2 ).
  Há a promessa de Deus para ver sempre que uma linhagem piedosa de pessoas existe para que Ele possa cumprir suas promessas e propósitos sobre a terra ( Gênesis 3:15 ; Gênesis 12:1-3 ).
  Há a promessa de Deus de dar a terra prometida de Canaã para Israel. Mas note: a terra prometida refere-se tanto uma herança física e um tipo da herança espiritual. A terra prometida é um símbolo de uma morada celestial que é a Nova Jerusalém, que Deus prometeu a todos os crentes genuínos que diligentemente o buscam ( Gênesis 12:1  Hebreus 11:08 - 10, 13-14, 16; Gênesis 11:29;  Romanos 4:13; Gal 3:16. ).
7. Gênesis é "O Grande Livro da semente prometida," o Salvador do mundo. A semente prometida é um dos grandes temas que corre ao longo de toda a Bíblia (Gênesis 3:15; Gal 3:6-7,16. ).
8. Gênesis é O Grande Livro de Teologia e Doutrinas bíblicas, ainda que não são desenvolvidos em Gênesis, mas praticamente toda a doutrina que é desenvolvido no Novo Testamento é retratado ou ilustrado em Gênesis.
A teologia de todo o livro de Gênesis concentra-se na bondade de Deus ao estender suas “bênçãos” do plano da promessa de maneira muito generosa, a partir da criação até a escolha da linhagem de Abraão como meio pelo qual Deus abençoaria as nações do mundo com sua dádiva das boas novas. A palavra dominante para o plano da promessa de Deus na teologia de Gênesis é bênção, que, tanto em sua forma verbal quanto nominal, aparece aproximadamente oitenta e oito vezes no livro.
A  palavra “bênção” de Deus expressa nas alianças edênica, noética e abraâmica. Foi ele quem prometera “abençoar” todos os seres criados, no princípio da narrativa pré-patriarcal (1.22,28), posteriormente em diversos pontos estratégicos no desenrolar da narrativa (5.2; 9.1), e na conclusão a essa primeira seção da Bíblia (12.1-3). Assim, o plano da promessa de Deus começou com o uso do tema de bênção ou “abençoar”. [2]
a. Os nomes ou imagens doutrinários de Deus como ...
• O Deus  (Elohim, Gênesis 1:1 ).
• O Deus da redenção e revelação, a aliança que Deus quem estabelece uma relação pessoal com o homem (Jeová ou Javé, Gênesis 2:4 ; Gênesis 2:7 ).
• Deus Altíssimo (El Elyon, Gênesis 14:18-20 ).
• Deus Todo-Poderoso (El Shaddai, Gênesis 17:1 ;. cp Êxodo 6:03 ).
• O Eterno Deus (El Olam, Gênesis 21:33 ).
• Deus de Ver (El Roi, Gênesis 16:13 ).
• Deus, o Deus de Israel (El-elohe-Israel, Gênesis 33:20 ).
• Deus de Betel (El-Betel, Gênesis 35:7 ).
• Deus de Abraão ( Gênesis 24:12 ; Gênesis 28:13 ; Gênesis 31:42 ; Êxodo 3:6 ).
• O medo de Isaque ( Gênesis 31:42 , 53 ).
• A Um forte ou Poderoso de Jacó ( Gênesis 49:24 ; Isaías 1:24 ; Salmo 132:2 ).
• O Senhor Deus de Sem ( Gênesis 9:26 ).
• O Senhor de todos (Adonay, Gênesis 18:27; Êxodo 23:17; Isaías 6:1; Isaías 10:16, 33).
b. Existem as imagens doutrinários de ...
• justificação (Gênesis 15:6; Romanos 4:3, 20-23). Estabelece a base que a justificação seria por meio da Fé, e não por obras.
• criação (Gênesis 1-2).
• redenção ( Gênesis 3:21 ). A redenção viria por Deus pois somente Ele é capaz de prover tal condição.
• salvação através da semente prometida, o Salvador do mundo ( Gênesis 3:15 ; Gênesis 12:3). Gerando esperança a toda humanidade.
• crentes, uma linhagem piedosa de pessoas que seguem a Deus ( Gênesis 4-50 ). Enquanto a redenção não se concretiza, Deus se relaciona como seus crentes fieis.
• misericórdia ( Gênesis 4:15 ; Gênesis 6:8 ; Gênesis 18:26 ; Gênesis 19:16 ).
• julgamento ( Gênesis 6:1-7 ; Gênesis 19:24 .  Gênesis 18:16-33 ).
• a terra prometida ( Gênesis 12:1-3; Gênesis 22:5 ; Gênesis 47:29 ,Gênesis 50:24. Hebreus 11:13-14 , 16 , 17-19; 11:19).
• oração ( Gênesis 18:23 ; Gênesis 25:21 ; Gênesis 32:24-32 ).
• lei humana ( Gênesis 9:4-6 ).

III- DEFINIÇÃO TEOLÓGICA DA CRIAÇÃO
Podemos definir a doutrina da criação nos seguintes apontamentos primeiro, o universo, ainda que distinto de Deus, deve a sua origem a um ato totalmente divino, e sendo assim depende totalmente deste Deus. Segundo, ao criar o universo Deus operou livremente, e não por necessidade ou compulsão, negando uma criação espontânea e independente. Terceiro, ao criar o universo Deus teria em vista um propósito moral e espiritual. Quarto, o propósito de Deus era a comunicação de sua própria vida e bem-aventurança aos seres criados. Seu desejo supremo foi o de fazer grandes espaços para a habitação de seres sensíveis e inteligentes; povoar esses espaços com semelhantes seres, e enchê-los com a vida e a santidade, a felicidade e paz de sua própria natureza. Seu objetivo foi o de produzir um reino no qual sua imagem fosse refletida, no qual aparecesse sua glória. Quinto, o fim assim definido foi um fim começado, levado adiante, e havia de se completar em Jesus Cristo (veja Cl 1.15-17; Ef 1.3-5; Rm 8.21).[3]



[1] Kaiser, Walter C., Jr. O plano da promessa de Deus : teologia bíblica do Antigo e Novo Testamentos; tradução Gordon Chown, A. G. Mendes . — São Paulo : Vida Nova, 2011.
[2] Kaiser, Walter C., Jr. O plano da promessa de Deus : teologia bíblica do Antigo e Novo Testamentos; tradução Gordon Chown, A. G. Mendes . — São Paulo : Vida Nova, 2011.
[3] Mullins, Edgar Young.A religião cristã : na sua expressão doutrinária; tradução Cláudio J.A. Rodrigues. São Paulo : Hagnos, 2005.
A IMPORTÂNCIA DO LIVRO DE GÊNESIS
TEXTO SALMOS 19.1-14
1 Salmo de Davi para o músico-mor. Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos.
2 Um dia faz declaração a outro dia, e uma noite mostra sabedoria a outra noite.
3 Não há linguagem nem fala onde não se ouça a sua voz.
4 A sua linha se estende por toda a terra, e as suas palavras até ao fim do mundo. Neles pôs uma tenda para o sol,
5 O qual é como um noivo que sai do seu tálamo, e se alegra como um herói, a correr o seu caminho.
6 A sua saída é desde uma extremidade dos céus, e o seu curso até à outra extremidade, e nada se esconde ao seu calor.
7 A lei do SENHOR é perfeita, e refrigera a alma; o testemunho do SENHOR é fiel, e dá sabedoria aos símplices.
8 Os preceitos do SENHOR são retos e alegram o coração; o mandamento do SENHOR é puro, e ilumina os olhos.
9 O temor do SENHOR é limpo, e permanece eternamente; os juízos do SENHOR são verdadeiros e justos juntamente.
10 Mais desejáveis são do que o ouro, sim, do que muito ouro fino; e mais doces do que o mel e o licor dos favos.
11 Também por eles é admoestado o teu servo; e em os guardar há grande recompensa.
12 Quem pode entender os seus erros? Expurga-me tu dos que me são ocultos.
13 Também da soberba guarda o teu servo, para que se não assenhoreie de mim. Então serei sincero, e ficarei limpo de grande transgressão.
V14 Sejam agradáveis as palavras da minha boca e a meditação do meu coração perante a tua face, SENHOR, Rocha minha e Redentor meu!
TEXTO AUREO V1 ‘. Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos.’
INTRODUÇÃO:
Iniciamos este período de lição com um tema importante na construção bíblica, que são os três primeiros capítulos, pois neles encontramos todo o propósito de construção dos assuntos encontrados na Bíblia, e irá nos explicar todas as catástrofes que o homem tem praticada na história, em contra partida a ação divina para salvar e para punir a humanidade.
Nesta primeira parte trataremos da composição do livro de Gênesis.
I- O grande peso da evidência aponta para Moisés ser o autor do Gênesis. A prova pode ser resumida nos seguintes pontos.
1. Gênesis é o primeiro livro do Pentateuco (os cinco primeiros livros da Bíblia), e o Pentateuco é dito ser escrito por Moisés. Na verdade, o Pentateuco é às vezes chamado simplesmente de "Moisés" ( João 5:46 ;Lucas 24:27, 44 ).
2. Cada um dos cinco livros do Pentateuco diz que Moisés é o autor que, com exceção de Gênesis ( Êxodo 17:14 ; Êxodo 24:3-4 ; Êxodo 34:27 ; Levítico 01:01 ; Levítico 4:1; 6 : 1, 8, 19 , 24; 7:22 , 28 ; 8:1 ; Números 33:2 ; Dt 1:1; 17:18-19;  27:1-8. ; 28:58, 61 ; 29:19-20;  27; 30:10;  31:9-11, 24-26 ). Entendemos que Moises é o editor de Gênesis, pois ele a recebeu em forma de diversos documentos, que depois a organizou e estabeleceu como sendo um único livro.
3 O Antigo Testamento sempre se refere, sem exceção, a Moisés como o autor do Pentateuco ( Josué 1:7-8 ; 8:31-32 ; 1 Reis 2:3 ; 8:9 , 53 ; 2 Reis 10: 31 ; 2 Reis 14:6 ; Esdras 6:18 ; . Ne 13:01 ;Daniel 9:11-13 ; Malaquias 4:4 ).
4 O Novo Testamento sempre se refere a Moisés como o autor do Pentateuco, que inclui Genesis ( Mateus 08:04 ; 19:7-8 ; 23:02 ; Marcos 1:44 ; 7:10 ; 10:3 -4 ; 12:19, 26 ;Lucas 5:14 ; 16:29-31 ; 20:37 ; 24:27, 44 ; João 1:17 ; 3:14 ; 5:45-46;  6:32 ; 7:19, 22-23; Atos 3:22; 13:39; 15:1, 5, 21; 26:22; 28:23; Romanos 10:5, 19; 1Co. 9:9 ; 2 Coríntios 3:15 ). O peso da evidência bíblica é que Moisés é o autor de todo o Pentateuco, incluindo Gênesis.
5. Talmud, os primeiros escritos dos judeus, diz que Moisés foi o autor do Gênesis.
6. Moisés era uma testemunha ocular, um participante real nos eventos de Êxodo a Deuteronômio. Por exemplo, observe a sua observação de doze fontes de água e setenta palmeiras ( Êxodo 15:27 ).
7. Moisés estava bem familiarizado com o Egito. O autor do Gênesis está familiarizado com nomes egípcios, e Gênesis, na verdade tem um número maior de palavras egípcias do que qualquer outro livro do Antigo Testamento.
8. A ordenança da circuncisão é dito ser parte da lei de Moisés (João 7:23), e circuncisão foi instituída em Gênesis 17:12 , bem como em Êxodo 12:48 e em Levítico 12:03 .
9 Gênesis e Êxodo formam um todo; isto é, Êxodo é incompleto sem Gênesis. É Genesis que explica questões como ...
• como Israel entrou no Egito.
• como Israel foi libertado da escravidão do Egito e foi formado como uma nação.
• como Israel tornou-se tão envolvido com as promessas e relação de aliança com Deus.
• por que o Êxodo de Israel e a viagem para a terra de Canaã eram tão importantes.
II- FINALIDADE: Três propósitos podem ser adquiridos a partir de Gênesis, um propósito histórico, doutrinal, e cristológico.
1 O objetivo Histórico: para encorajar e fortalecer Israel em sua fé e confiança em Deus. Lembre-se, para cerca de 430 anos, os filhos de Israel permaneceu no Egito, e neste últimos anos sofreu a terrível escravidão no Egito, e agora durante o tempo em que o Gênesis foi composto, estavam sofrendo com as provações e tentações da peregrinação no deserto. A única coisa que as pessoas precisavam acima de tudo estava a ser encorajados e fortalecidos na sua fé em Deus. Historicamente, Gênesis foi escrito para ensinar Israel cinco lições fortes.
a. Para ensinar a Israel que havia apenas um Deus vivo e verdadeiro, um Deus que criou e determinou todas as coisas ( Gênesis 1-11 ).
b. Para ensinar a Israel as suas raízes, que eles realmente tinha sido escolhido pelo próprio Deus através de Abraão, designado para ser a linha escolhida do povo de Deus.
c. Para ensinar a Israel que a semente prometida , o Salvador, deveria ser enviado ao mundo através deles. Eles eram a linha escolhida por meio de quem Deus iria salvar o mundo. Salvação, a semente prometida, estava para vir através de Israel.
d. Para ensinar a Israel que eles estavam para receber a terra prometida , a terra de Canaã, e que Deus seria fiel à Sua Palavra e dar-lhes a terra prometida .
e. Para ensinar a Israel que eles devem acreditar e seguir a Deus ...
• em conquistar e superar as provações e os inimigos da vida.
• na busca após a terra prometida, continuar a servir a Deus, para que as demais nações pudessem também se converter.
2 O propósito doutrinário ou espiritual: ensinar todas as pessoas em todos os lugares...
a. Para ensinar que Deus é o Criador Soberano: Ele é o Senhor a majestade do universo, a inteligência suprema e força de toda a criação, visível e invisível ( Gênesis 1-2 ).
b. Para ensinar que Deus criou o homem e a mulher: Ele os criou para derramar Sua graça sobre eles e para garantir a sua comunhão pessoal e serviço, agora e para sempre (Gênesis 1:26 - 2:25).
c. Para ensinar a origem do pecado e da morte: por que essas duas coisas horríveis existem e infectam as vidas de pessoas tão profundamente ( Gênesis 3 ).
d. Para ensinar a misericórdia e a graça de Deus: que Deus tem misericórdia do homem e derramará Sua graça sobre ele, se o homem se arrepender e voltar para Deus.
e. Para ensinar a fidelidade de Deus e da Sua Palavra: a de que o que Deus diz e prometeu serão cumpridas, não importa o que ele tem que fazer para superar as terríveis falhas dos homens.
3 A finalidade cristológico ou centrada em Cristo: ensinar que a semente prometida apontou para Jesus Cristo como o Salvador do mundo, que Jesus Cristo é a semente prometida que veio da linhagem piedosa de ... a mulher ( Gênesis 3:15 )
• Sete ( Gênesis 4:25 )
• Sem ( Gênesis 9:27 ; Gênesis 11:10-26 )
• Abraão ( Gênesis 12:03 ;. cp Romanos 9:7-9 )
• Isaque ( Gênesis 21:12 )
• Jacó ( Gênesis 25:23 ;. cp Romanos 9:10-12 )
• Judá ( Gênesis 49:10 )
III-  É um registro de vários grandes começos.
a. O início do universo, tanto do céu e da terra ( Gênesis 1:01-11:31 ).
b. O começo do homem e da mulher ( Gênesis 1:26-31 ; Gênesis 2:4-25 ).
c. O início da aliança de Deus com o homem ( Gênesis 2:15-17 ).
d. O começo do pecado ( Gênesis 3:1-13 ; Gênesis 4:8-15 ).
e. O início da salvação, da libertação do homem do pecado e da morte através prometido de Deus semente, o Salvador do mundo ( Gênesis 3:14-21 ).
f. O início da família ( Gênesis 4:1-15 ).
g. O início da civilização e da sociedade ( Gênesis 4:16 - 9:29 ).
h. O início das nações e raças ( Gênesis 10-11 ).
i. O início de Israel, o povo escolhido de Deus ( Gênesis 12-50 ).

j. O início da esperança para a terra prometida (Canaã, um símbolo do céu) (Gênesis 12-50).

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