A INFLUÊNCIA DA FILOSOFIA NA FORMAÇÃO TEOLÓGICA

A INFLUÊNCIA DA FILOSOFIA NA FORMAÇÃO TEOLÓGICA
Por Filosofia Cristã compreende-se um sistema de pensamento que se distinguiu do helênico (grego) e de outros como os chineses, os hindus, etc., por ser um sistema orientado pela verdade revelada por Jesus, o Cristo. Já o estudo dos dogmas cabe à Teologia, que tenta explicá-los e aplicá-los.
A Filosofia Cristã, que pressupõe a verdade dos dogmas, parte tão somente de evidências racionais para explicar Deus e o mundo, mas não se contrapõe aos dogmas.
Vê-se assim que os filósofos cristãos se apoiam na fé para melhor compreenderem a realidade, enquanto esta mesma fé dita metas a serem alcançadas pela razão, evitando que erros ou desvios em suas inquirições aconteçam. A relação que vemos aqui é, então, a de tentar harmonizar ou elucidar a fé através da razão, relação que é conflituosa e marcou distinções mesmo dentro do próprio corpo de filósofos cristãos. Vejamos essas distinções:
• Creio porque absurdo: essa máxima representava aqueles pensadores cristãos que julgavam fé e razão irreconciliáveis e subjugavam a razão à superioridade da fé;
• Creio para compreender: já essa máxima representava o espírito daqueles que julgavam ambos os domínios conciliáveis, mas subordinavam a razão à fé;
• Compreender para crer: que fazia parte daqueles que não apostavam numa conciliação entre fé e razão, mas atestavam o campo próprio de cada uma, devendo, portanto, serem tratadas isoladamente.
Dessa forma, entende-se a diferença entre os pensadores antigos e os cristãos. Os gregos compreendiam o lógos como instrumento de conhecimento da realidade em um esforço para encontrar seu lugar no cosmos, já que se entendiam como fazendo parte da natureza. Era o amor, Eros, o desejo que animava a busca para alcançar a virtude máxima, o Bem supremo e a perfeição do inteligível puro, porém inatingível. A esse impulso erótico, contrapõe-se o amor cristão, o Ágape, a caridade, o amor de Deus-criador para com suas criaturas, pois Ele é perfeito e necessário, criou as coisas por causa do Bem que provém Dele, gratuitamente. Deus é o próprio Lógos, o Verbo que se revela como aquele que é (essencial e existencialmente) como princípio do universo e única fonte de sabedoria e verdade das coisas, dos homens e do mundo que são criadas por vontade de Deus.
Portanto, o conhecimento que provém da palavra de Jesus, que é o Deus encarnado, é uma demonstração de amor para aqueles que o reconhecem, ensinando-lhes a humildade e, a partir de sua ressurreição, sendo o caminho da esperança e da salvação dos pecados. Mas, como dito acima, a prática dos ensinamentos, os rituais, etc. fazem parte da Teologia. À Filosofia cabe o estudo racional das provas da existência de Deus, debate este, aliás, que foi a temática da nova Paideia ou educação dos tempos medievos.
A patrística era uma corrente filosófica que o intuito de conciliar o pensamento greco-romano com o pensamento cristão da época, tinha o propósito de converter os pagãos à religião cristã. Foi nesse período que surgiu as explicações para o surgimento do mundo, o pecado original, juízo final, trindade de Deus, ressurreição de Jesus. O principal pensador cristão dessa corrente foi Santo Agostinho (354-430) que dá forma as ideias de interioridade, ou seja, o ser humano dotado de consciência moral e livre arbítrio, onde surge a diferença de fé e razão. A escolástica é a corrente filosófica que surge às primeiras universidades e os centros de ensino onde o conhecimento é transmitido de uma forma muito sistemática. Aqui se criou uma teologia preocupada em provar a existência de Deus e da alma, é um período de muita disputa, isto é, a disputa de uma apresentação de tese, para que seja defendida por argumentos. Foi Santo Tomás de Aquino o principal pensador dessa época, onde escreveu a “Suma Teologia” explicando e elaborando através de argumentos os princípios da teologia cristã.
Com o desenvolvimento do cristianismo, tornou-se necessário explicar seus preceitos às autoridades romanas e ao povo. Não podia ser pela força, mas tinha que ser pela conquista espiritual.
 Os primeiros pensadores padres elaboraram textos sobre a fé e a revelação cristã. Buscaram conciliar o cristianismo ao pensamento filosófico dos gregos, pois somente com tal conciliação seria possível convencer e converter os pagãos da nova verdade. Tenta basear a fé em argumentos racionais.
 A filosofia patrística tem a tarefa de evangelizar e defender a religião cristã contra os ataques teóricos e morais do pensamento antigo.
 A filosofia patrística introduz ideias novas: a criação do mundo por Deus, pecado original, Deus e a trindade una, encarnação e morte de Deus, juízo final, ressurreição, origem do mal.
 As ideias cristãs eram impostas pelos Padres por meio das verdades reveladas por Deus, eram verdades irrefutáveis e inquestionáveis: os dogmas. O grande tema de toda a filosofia patrística era conciliar razão e fé.
 Santo Agostinho - O principal nome da patrística é Santo Agostinho (340-430), bispo de Hipona, uma cidade no norte da África. Santo Agostinho retoma a dicotomia de Platão, mundo sensível e mundo das ideias (mundo perfeito), mas substitui o mundo das ideias pelo mundo divino, e para se alcançar o mundo divino (o mundo perfeito), era preciso seguir o caminho da fé.
 Segundo Santo Agostinho, a alma humana é superior ao corpo e, por ser superior, deve reinar e dirigi-lo à prática do bem. Segundo sua teoria da iluminação, Deus nos dá o conhecimento das verdades eternas e ilumina a razão. A salvação individual depende da submissão total a Deus. Santo Agostinho ressalta a vinculação pessoal do homem com Deus, enquanto a filosofia grega identifica o homem com o cidadão e a política. Para ele, só é possível alcançar a verdade das coisas por meio da luz de Deus, no íntimo de nossa alma.
 A Igreja Romana, cada vez mais forte, dominava a Europa, organizava cruzadas, criava as primeiras universidades e escolas. Essas escolas ensinavam várias matérias, gramática, geometria, aritmética, música, astronomia, todas elas submetidas à teologia.
A escolástica continua o trabalho de adequar a herança do pensamento filosófico clássico às verdades teológicas. O auge da Escolástica se dá com Santo Tomas de Aquino, no sec. XIII, que busca sua fundamentação na sabedoria de Aristóteles. A obra de Aristóteles – metafísica, lógica, científica, filosófica, passa a ser de grande interesse na época. São Tomas de Aquino vai desenvolver um sistema compatibilizando o aristotelismo e o cristianismo.
 Há uma intensa retomada da filosofia grega, mas com o objetivo de compatibilizar e reinterpretar o conhecimento clássico de Aristóteles à luz das crenças religiosas. Uma das principais preocupações dos filósofos medievais era fornecer
argumentações racionais, espelhadas nas contribuições dos gregos, para justificar as chamadas verdades reveladas da Igreja, tais como a da existência de Deus, a imortalidade da alma.
 Nesse período, a Igreja Católica consolidou sua organização religiosa e difundiu o cristianismo, preservando muitos elementos da cultura greco-romana. É a época feudal, em que a Igreja Católica surge como força espiritual, política, econômica e  cultural. Apoiada em sua forte influência religiosa, a Igreja passou a exercer importante papel político na sociedade medieval; ampliou sua riqueza, tornando-se dona de quase um terço das terras da Europa e, no plano cultural estabeleceu que a fé era o pressuposto da vida espiritual. Fé significava a crença irrestrita às verdades reveladas por Deus. É a religião que vai fundamentar os princípios morais, políticos da sociedade medieval.
 A principal discussão desse momento é a questão da razão e da fé, da filosofia e da teologia. As investigações científicas e filosóficas não poderiam contrariar as verdades estabelecidas pela fé católica. Nesse período surge propriamente a filosofia cristã, a teologia. Seu tema principal é a prova da existência de Deus e da imortalidade da alma, ou seja, a prova racional da existência do criador e do espírito imortal, com o propósito de explicar a relação homem e Deus, razão e fé, corpo e alma, e o Universo como hierarquia de seres, onde os superiores – divinos – dominam os inferiores.
 Santo Tomás de Aquino - É a figura mais destacada do pensamento cristão medieval. Elaborou os princípios da doutrina cristã baseado no pensamento aristotélico. Seu objetivo maior: não contrariar a fé. Para isso reviveu grande parte do pensamento aristotélico com a finalidade de nele buscar elementos racionais que explicassem os principais aspectos da fé cristã. Enfim, fez de Aristóteles um instrumento a serviço da religião católica, ao mesmo tempo em que transformou essa filosofia em uma síntese original. Santo Tomás não adaptou a filosofia de Aristóteles ao cristianismo, mas sim fez uma sistematização da doutrina cristã.
 Baseados no aristotelismo, os argumentos de São Tomás revalorizam o mundo natural, pois o mundo natural é criação de Deus. É assim que podemos conhecer Deus: por meio de sua criação, o mundo natural. Isso justifica o interesse pela investigação científica do mundo natural que surge na época e vai transformar a Europa nos séculos seguintes.
Concluindo:
 O homem está sempre buscando entender o significado da vida e compreender seu mundo, para isso ele pensa e produz o conhecimento. Esse conhecimento vai refletir o mundo a partir do qual foi construído. Em outras palavras, cada povo  representa a si mesmo e o mundo a partir de uma determinada realidade social e histórica. Cada povo constrói uma visão de mundo que reflete seus valores, seus costumes, suas necessidades, seus interesses, enfim, representa sua realidade por meio do conhecimento. Por sua vez, esse pensamento vai influenciar a realidade e transformá-la.
 A consolidação do Cristianismo se dá em determinadas condições históricas. Padres e filósofos cristãos construíram um pensamento que fundamentou a doutrina religiosa, orientados pela busca da verdade universal baseada na fé. Essa verdade religiosa refletia as necessidades históricas e de uma ordem social, política e econômica. A doutrina cristã como um sistema unificado, racional e logicamente construído passou, também, por críticas e modificações. Ao final do período medieval (sec. XIV), surgem novos pensamentos que defendem a separação radical entre a razão e a fé, entre Filosofia e Teologia.
 Com a crise do pensamento escolástico, surge um pensamento inovador, o humanismo renascentista e o a Filosofia Moderna, com suas novas teorias filosóficas e científicas, resultando em profundas transformações no mundo europeu.
ARANHA, M. L.; MARTINS, M. P. Filosofando. São Paulo, Moderna, 2003, p. 124-126.

MARCONDES, Danilo. Iniciação à História da Filosofia. Rio de Janeiro, Zahar, 2007
BIBLIA E SEUS DESAFIOS
Thomas Hobbes e Baruch Spinoza figuram, entre os pensadores modernos, como os responsáveis por lançar as bases do que entendemos como o método histórico-crítico de interpretação das escrituras bíblicas. Levando a cabo a tarefa de tornar a vida neste mundo a única que importa, primeiro reivindicada por pensadores renascentistas, como Maquiavel, Hobbes, com sua tentativa de tornar o soberano do Estado o intérprete último das escrituras, e Spinoza, com seu articulado método interpretativo, fizeram com que o entendimento dos textos ditos sagrados fosse alterado de maneira até então nunca vista, criando um marco para toda a modernidade.
Spinoza, aprimorando uma tarefa empreendida, primeiro por alguns pensadores renascentistas, depois por Hobbes, estabelece as bases para o método de crítica das escrituras moderno, se pautando essencialmente pelo estudo histórico dos textos, excluindo por completo quaisquer vestígios do aparato teológico anteriormente utilizado na leitura da Bíblia, e reivindicando contundentemente que ela fosse lida e interpretada apenas como um livro comum, livre de quaisquer apelos sobrenaturais e à superstição, e como essas inovações contribuíram para ampliar o panorama intelectual, tanto de um ponto de vista teológico, como também filosófico.
A Reforma fez com que se desenvolvesse, no Ocidente, uma considerável desconfiança com as interpretações alegóricas das escrituras. No mundo cristão, grandes intérpretes, tais como Gregório e Tomás de Aquino, forneceram as bases para a interpretação das escrituras, e sempre houve alguma precaução no uso de leituras alegóricas. Os reformados protestantes, no entanto, sempre se mostraram desconfortáveis com as liberdades desse tipo de interpretação e, ainda que tenham tentado ler a Bíblia de uma forma mais literal que alegórica, o foco ainda permanecia no seu caráter teológico. Não tardou para que essa forma de interpretação literal provesse as bases teológicas para teorias políticas em oposição a uma igreja transnacional. Tal posicionamento enseja a compreensão moderna da religião.
Com os teóricos políticos, o foco muda do teológico para o histórico. Enquanto é possível argumentar que Hobbes e Spinoza também expressaram preocupações teológicas, seus argumentos no que concerne à Bíblia não expressam tais preocupações, mas dizem respeito ao controle dos corpos, muito mais do que das almas, das pessoas por parte do Estado, então relegado ao reino do privado, graças, em larga medida, aos reformadores protestantes. O foco da interpretação bíblica se distancia das primordiais preocupações com o natural e o sobrenatural e se volta ao natural e ao histórico apenas. Hobbes e, especialmente, Spinoza avançaram muito além de seus predecessores, e é possível perceber em suas obras as bases do que passamos a entender como o método histórico-crítico da interpretação bíblica.
De fato, tanto Hobbes quanto Spinoza passam a focar no plano de fundo histórico da Bíblia com uma força jamais vista antes, e ainda que ambos descem margens para leituras teológicas das escrituras, as próprias bases de suas metodologias já indicavam que uma leitura teológica da Bíblia seria virtualmente impossível. Em seu Leviatã, Hobbes argumenta que uma interpretação bíblica precisaria necessariamente seguir os ditames da razão, que são opostos aos da teologia.
Ao final, no entanto, Hobbes argumenta, com base na própria Bíblia, que o poder temporal de cada estado seria responsável pela religião dentro de seu próprio reino. Sem o estado Leviatã, impomos uma ameaça mortal uns aos outros, como sugerido por sua afirmação de que “durante o tempo em que os homens vivem sem um poder comum, poder comum capaz de os manter a todos em respeito, eles se encontram naquela condição a que se chama guerra; e uma guerra que é de todos os homens contra todos os homens”. Assim sendo, apenas o estado controlador, ou seus oficiais apontados, estaria apto a prover interpretações oficias da Bíblia. A importância de Hobbes para o método histórico-crítico de interpretação bíblica está na maneira em que a lê, já que não apenas nega o papel do sobrenatural na autoria dos textos, como também ignora as menções ao sobrenatural nos textos. Nas passagens que fazem referência ao “Espírito Divino”, Hobbes interpreta o Espírito de maneira naturalizada, tal como o vento, ou como as faculdades do entendimento e, da mesma maneira, conceitos como paraíso e inferno são tratados como meramente temporais. Essa característica de sua abordagem foi crucialmente importante, pois sua perspectiva política repousava largamente no medo da morte e, para o cidadão, nada é mais ameaçador que a morte física. Assim sendo, o estado governador que possui o poder de executar e perdoar seria a fonte última de autoridade e, nesse sentido, os ensinamentos escatológicos eram uma ameaça à autoridade do estado porque a jurisdição do estado não estendia ao que viesse após a morte. “É impossível que um bem-comum subsista onde outro que não o soberano tenha o poder de dar melhores recompensas que a vida e infligir punições piores que a morte”. A única forma de garantir o maior controle do estado sobre a vida das pessoas na Terra, para Hobbes, foi argumentar que nada tinha relevância além da vida na Terra.
A leitura naturalista e histórica da Bíblia por Hobbes necessitava do entendimento das escrituras como um texto similar a outros textos históricos e, mesmo reconhecendo a importância da Bíblia como uma autoridade para os cristãos, sua aproximação metodológica da leitura do texto representa um caminho fundamentalmente diferente de abordagem das escrituras do que havia até então. Hobbes argumentava se utilizar da ciência e da razão em seu exame da Bíblia, ainda que todo o seu trabalho exegético acabasse apenas por legitimar suas opiniões políticas já existentes, especialmente a convicção de que o soberano do Estado tinha poder absoluto sobre seus cidadãos. Ao aplicar a interpretação bíblica dessa forma, Hobbes estendeu o conceito da Bíblia como um livro a ser examinado como um artefato histórico, mas a compreensão mais evidente de seu trabalho exegético é a de que este era motivado por sua política, que visava, em último caso, garantir a autoridade do Estado.
Spinoza, por sua vez, perpassou os resultados alcançados por Hobbes em sua nova abordagem da crítica bíblica ao articular uma detalhada metodologia de interpretação bíblica que, se por um lado, estava de acordo com os princípios da filosofia racionalista em voga, por outro, se sobressai ao colocar em questão não apenas a autoridade eclesiástica, como também a política. No que dizia respeito a Bíblia, o foco dado à historicidade do texto por Spinoza ultrapassa o dado por Hobbes. De fato, Spinoza julgava que nada poderia ser feito com os textos bíblicos até que sua história completa fosse descoberta. “Spinoza e seus seguidores multiplicaram as questões sobre a história física do texto, até ao ponto em que a tarefa tradicional da teologia não pudesse jamais sair de seu início”.
Assim como Hobbes, Spinoza também removeu os elementos sobrenaturais da Bíblia e, para ele, Deus não pode existir fora da natureza. Mais que isso, os profetas do Antigo Testamento não eram inspirados por Deus em nenhum sentido tradicional, e apenas possuíam uma imaginação muito vívida.

TEORIAS DA FORMAÇÃO CANÔNICA
1) Crítica das Fontes
A crítica das fontes dedicou-se ao estudo dos diferentes componentes do texto bíblico, que uma vez teriam existido isoladamente e foram posteriormente agrupados num único texto. Ela pressupõe que os textos bíblicos são compostos e que esses componentes se originaram de períodos históricos distintos e refletem diferentes teologias. Como na antiguidade os autores não se preocupavam com a questão de direitos autorais, e nem em indicar a fonte de onde copiaram material, simplesmente aglutinaram diversas fontes escritas ao seu dispor para formar o texto completo que temos hoje no cânon formal. Assim sendo, a tarefa da crítica das fontes é identificar esses documentos, estudar em separado a teologia dos mesmos no contexto histórico em que foram produzidos e depois avaliar o sentido do texto completo à luz dos resultados. Assim encontraremos a Palavra de Deus dentro das Escrituras. O método consiste em buscar, primeiramente, as anomalias e irregularidades textuais, como inconsistências de assuntos, repetição de histórias, digressões e diferenças em vocabulário e estilo. Estas coisas apontariam para diferentes fontes documentais. Em seguida, estudam-se as anomalias quanto aos temas e procura-se identificar em que período da história de Israel ou da Igreja cristã o texto foi produzido.
No Antigo Testamento, a chamada crítica das fontes tem a sua origem no comentário de Gênesis (1753) de Jean Astruc, um médico francês, onde ele defende que Moisés teria usado duas fontes diferentes para escrever Gênesis, uma que se refere a Deus como Elohim e outra que se refere a Deus como Yahweh. Essa teoria foi desenvolvida por Johnn Eichhorn em 1780, que a estendeu a todo o Pentateuco e rejeitou a autoria mosaica. Em 1805, Wilhelm De Wette defendeu que nenhuma das partes que compõem o Pentateuco foi escrita antes de Davi. Ele também defendeu a existência do documento D, escrito como propaganda ideológica na época do rei Josias. Hermann Hupfeld completou a teoria com o quarto documento, P, em 1853. Julius Wellhausen foi quem melhor elaborou esta hipótese, que veio a ser chamada de “hipótese documentária”.
No Novo Testamento, a crítica das fontes concentrou-se nos Evangelhos Sinóticos. Seu objetivo era descobrir as fontes literárias usadas na composição de cada Evangelho, bem como estabelecer a dependência literária entre eles. A teoria das duas fontes, defendida inicialmente por C. H. Weisse (1838) para resolver o problema sinótico, teoria que ainda é utilizada pela maioria dos estudiosos bíblico da atualidade. Em ambas as hipóteses da teoria, o Evangelho de Marcos foi o primeiro evangelho a ser escrito e foi uma das duas fontes para o Evangelho de Mateus e o Evangelho de Lucas, a outra fonte seria o documento Q, uma coleção perdida de ensinos de Jesus.  e P. Wernle (1899), tornou-se dominante. Atualmente Eta Linnemann condena esta proposta
2) Crítica da Forma
Esta metodologia tem o mesmo alvo da anterior, que é separar o cerne da casca, alvo muito bem expresso por Bultmann em seu programa de desmitologização do Novo Testamento. Podemos dizer que a crítica da forma, no Novo Testamento, tem seu ponto de partida no desejo de descobrir a Palavra de Deus dentro das Escrituras usando o critério da antiguidade das formas, como declarou Werner Kümmel, considerado um crítico moderado:
Quanto mais um texto aponta para a revelação histórica de Cristo e quanto mais ele foi alterado por pensamentos exteriores ao cristianismo ou através do cristianismo posterior, mais seguramente ele pode ser considerado como parte do cânon normativo.
O objetivo da crítica da forma é descobrir as formas originais dos textos bíblicos, ainda em sua fase oral de transmissão, antes de serem submetidos à escrita, como aparecem no cânon formal. É ainda identificar as alterações feitas, nesta fase, pelas comunidades que receberam essas tradições, e que posteriormente os editaram e publicaram. Conforme o critério de Kümmel, esses textos, por serem, em sua forma final, produtos da Gemeindetheologie (teologia da comunidade), são secundários e não fazem parte do cânon normativo.
3) Crítica da Redação
A crítica da redação nasceu na esteira da crítica das fontes e da crítica da forma. Enquanto a crítica das fontes se preocupou em identificar e reconstruir as fontes literárias (documentos) que foram usadas originalmente para a composição do texto bíblico, e a crítica da forma com o processo de transmissão oral pelo qual estes documentos e a tradição oral passaram, a crítica da redação preocupa-se com os redatores, aqueles que se utilizaram destas fontes orais ou escritas e lhes deram a forma final.
O critério usado por essa ferramenta crítica para separar a verdade do erro no cânon formal é descobrir os materiais originais, para, em seguida, expurgá-los das alterações feitas pelos redatores, quando editaram os textos sagrados na forma em que se encontram no cânon formal. De acordo com as críticas das fontes e da forma, boa parte dos livros que compõem o Velho e o Novo Testamentos são, em sua forma final, o resultado de um processo de coleção, edição e harmonização de tradições antigas, de fontes anteriores que refletiam a teologia das comunidades através de editores e escribas. O redator não foi um mero transmissor; ele foi um autor com seus próprios pontos de vista e situação social e religiosa; ele amoldou o seu material de acordo com esses fatores. A tarefa da crítica da redação passou a ser descobrir a “teologia” desses redatores e os princípios teológicos que controlaram a sua redação das fontes e das tradições, alcançando a forma final que hoje temos.
Foi Gerhard von Rad, no seu comentário de Gênesis, quem defendeu de forma mais influente a abordagem do Velho Testamento do ponto de vista da teologia dos redatores que o formaram. Nesta obra, von Rad procura sempre ir além da mera reconstrução dos estágios iniciais no processo de formação dos textos bíblicos, e escutar o redator, perguntando de que maneira ele intentou que lêssemos o texto final, e o que estava tentando nos dizer.
Perspectiva Pós-Moderna : As palavras estranhamente proféticas do filósofo Friederich Nietzsche: “Não podemos nos livrar de Deus enquanto não nos livrarmos da gramática”.  Esta idéia foi repetida posteriormente pelo ateu Bertrand Russell: “A linguagem atual incorpora a metafísica da Idade da Pedra”. O desejo de libertar o ser humano da opressão de um Deus está fortemente relacionada à questão da linguagem e seu significado.
Às vezes, a abordagem daqueles que procuram questionar a possibilidade de um significado definitivo na linguagem parece mais um jogo esquisito. O filósofo Ludwig Wittgenstein (1889- 1951) teve grande influência nessa área. Ele afirmou que cada função da linguagem ocorre dentro de um sistema separado e aparentemente fechado, com suas próprias regras. Isso significa que qualquer função da linguagem seria semelhante a um jogo. É necessário conhecer as regras do jogo e ter bom senso em relação ao significado dos termos para usar a linguagem. Cada uso da linguagem constitui um “jogo de linguagem” separado, e alguns jogos têm muito pouco a ver entre si.
Quando aplicado à Bíblia, isso significa que o contexto do leitor é que determina a interpretação do texto. Seria impossível estabelecer um significado único, que fosse aceito por diferentes culturas, línguas, situações ou “jogos”.
O poder da narrativa épica (ou “metanarrativa”) ao unir os seres humanos do mundo inteiro, integrando-se às histórias de cada lugar, está em decadência. Muitos a comparam a um ditador restringindo a liberdade das pessoas. O pensador Jean-François Lyotard argumenta que a visão pós-moderna requer que se faça uma “guerra contra o totalitarismo”.
Foucault continua argumentando que existe uma interação essencial entre conhecimento e poder. Lembrando a expressão de Nietzsche, “o desejo de poder”, Foucault chama a procura da verdade de um “desejo de conhecimento” que estabelece sua própria “verdade” arbitrariamente. Isto sugere que ao lermos a Bíblia, devemos suspeitar dos escritores, pois eles estão exercendo poder sobre nós, e suspeitar mais ainda de qualquer pessoa que tente nos ajudar a interpretar a Bíblia. Assim no pensamento pós-moderno qualquer tentativa de pregar ou explicar a Bíblia não passa de uma tentativa desastrosa de obter poder sobre outra pessoa.

WARFIELD, Benjamin B. A Inspiração e Autoridade da Bíblia – a clássica doutrina da Palavra de Deus. São Paulo: Cultura Cristã, 2010.
KERR, Guillherme. O Cânon do Antigo Testamento. São Paulo: Imprensa Metodista, 1952.
HODGE, Charles. Teologia Sistemática. São Paulo: Hagnos, 2001.
BRUCE, F.F. Merece Confiança o Novo Testamento? 3ªd. Revisada. São Paulo: Ed. Vida Nova, 2010.
GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 2000.
SCHÖKEL, Luís Alonso. Bíblia do Peregrino. São Paulo: Paulus, 2002.
CARSON, D.A.; MOO, Douglas J.; MORRIS, Leon. Introdução ao Novo Testamento. São Paulo: Ed. Vida Nova, 1997.
BRUCE, F.F. O Cânon das Escrituras. São Paulo: Hagnos, 2011.
ANGLADA, Paulo. Sola Scriptura – a doutrina reformada das Escrituras. São Paulo: Os Puritanos, 1998.

SELLIN, E.; FORHER, George. Introdução ao Antigo Testamento. São Paulo: Acadêmica Cristã/Paulus, 2007.
SALMO 119: A GRANDEZA DA PALAVRA DE DEUS

O livro de Salmos junto com Jó compõe os elementos humanos no livro divino, a Bíblia, o livro inspirado por Deus (IITm.3.16; IIPe.1.20), mas que também iremos encontrar os registros das expressões humana diante de suas situações que enfrentavam no seu cotidiano. O mesmo Deus que inspirou Moisés, Samuel e a Isaias,  também a Davi e suas inquietações psicológicas, Jó e seus questionamentos diante da dor e do seu sofrimento inesperado.
Com isto aprendemos que a Bíblia é o livro de Deus, em comunhão do homem, nas suas solicitudes humanas, reais e verdadeiras, Deus aceitando e permitindo que elas fossem introduzidas, nas suas revelações para o homem.
Assim a Bíblia é a revelação para o homem, apresentando as exigências divinas, sua justiça, seu amor, seu plano para salvar a humanidade. E, em conjunto, revelar as consequências que o pecado nos trouxe, nos impõe, nos provoca, nos faz experimentar. Como este pecado não só é um transtorno social, mas pessoal, íntimo, uma luta da nossa fé, com o desejo de viver para Deus, e muitas das vezes os autores bíblicos se encontraram em total transtorno diante de seu relacionamento com Deus, pois surgem dúvidas, se sentem impossibilitados, incapazes, desqualificados, pressionados, tanto por um sentimento de culpa, como diante de forças humanas, como política, ética, e também naturais e sobrenaturais, assim estes livros registram seus anseios de superar seus transtornos pessoais e  íntimos.
Que palavras podem introduzir satisfatoriamente O Livro dos Salmos? Quem poderá dizer o quanto ele tem significado para os corações piedosos ao longo dos séculos? O livro de salmos é um límpido lago a refletir cada uma das facetas do instável céu humano. É um rio de consolo que jamais deixa de alegrar os desanimados, ainda que repleto de muitas lágrimas. É um jardim de flores que nunca perdem a fragrância, apesar de algumas das rosas possuírem espinhos agudos. É um instrumento de cordas que registra cada nota de louvor e de oração, de triunfo e de dificuldade, de alegria e de tristeza, de esperança e de medo, unindo-as na harmonia da experiência humana.
Para Calvino “A esse livro, costuma denominar uma anatomia de todas as partes da alma, pois ninguém descobrirá em si mesmo um único sentimento cuja imagem não esteja refletida nesse espelho. Mais ainda, todos os sofrimentos, tristezas, temores, dúvidas, esperanças, cuidados, ansiedades — em suma, todas essas agitações tumultuosas em que a mente dos homens costuma envolver-se — o Espírito Santo aqui as apresentou fielmente[1]
Podemos dizer então que o primeiro grande valor desse livro de salmos é que fornece a nossas emoções e sentimentos o mesmo tipo de orientação de que os demais livros da Bíblia dispõem para nossa fé e ações. Ambrósio de Milão disse: “Embora toda a Bíblia respire a graça de Deus, O Livro dos Salmos é mais doce que todos os outros. A história instrui, a lei ensina, a profecia anuncia, reprova e castiga e a moral persuade; mas no Livro dos Salmos temos o fruto de todas elas e uma espécie de remédio para a salvação dos homens[2]”.
Desde que foram escritos, os salmos têm desempenhado um grande papel na vida do povo de Deus. Os hebreus da antiguidade faziam uso deles na adoração do templo, e os judeus de hoje continuam a usá-los na sinagoga. Os cristãos do Novo Testamento os cantaram (como vemos em Colossenses 3.16 e Tiago 5.13), e atualmente todas as denominações do cristianismo os empregam.
Acima de tudo, no entanto, sempre foram preciosos em termos individuais. Nesse livro de salmos, os tentados e provados ganham forças através dos peregrinos de ontem, cujos pés sangraram ao longo do mesmo caminho espinhoso. Ali os sofredores e tristes descobrem uma comunhão compreensiva a remover a amargura de suas lágrimas. Ali os perseguidos e esquecidos encontram segurança na hora da necessidade. Ali o penitente
que chora encontra aquilo que melhor se adapta ao coração despedaçado e contrito. De fato, aqui o crente pode discernir a figura de seu Senhor a mover-se entre os salmos de Davi tão verdadeiramente como entre os sete candelabros de ouro do Apocalipse. Esses salmos são um tesouro de devoção, consolo, compaixão e alegre segurança para todos os santos. São os lamentos e cânticos de “homens  sujeitos aos mesmos sentimentos”
que nós, mas nos quais se encontra o próprio sopro dos céus.
Com os sessenta e seis livros da Bíblia diante de nós, não devemos reconhecer com reverência que o Espírito Santo não nos concedeu legado mais precioso que O Livro dos Salmos?
O título em português vem da tradução grega, Septuaginta, concluída em cerca de 150 a.C. Psalmoi, o termo grego, significa “cânticos” ou “cânticos sagrados” e é derivado da raiz que significa “impulso, toque”, em cordas de um instrumento de cordas. O título hebraico é Tehillim, e significa “louvores” ou “cânticos de louvor”[3].


INTRODUÇÃO SALMO 119
           
O maior de todos os Salmos 119 está perto do menor de todos 117, mesmo diante de sua grandeza ele é muito citado, admirado, estudado, e meditado, em muitos louvores encontramos versículos deste Salmo, é surpreendente um cântico exaltando a Lei do Senhor. Assim o bom louvor se entrega as verdade e ao fervor da Palavras de nosso Bom Deus.
Também é um Salmo que inspira pregadores e pregação, Agostinho de Hipona conseguiu 32 sermãos deste Salmo, para Calvino este “ Salmo trata de vários assuntos, é difícil apresentar um resumo de seu conteúdo. No entanto, há duas coisas que o profeta almeja primordialmente: exortar os filhos de Deus a seguir uma vida de piedade e santidade, bem como prescrever a norma e realçar a forma do verdadeiro culto a Deus, de modo que os fiéis possam devotar-se totalmente ao estudo da lei. Em associação com isso, ele combina amiúde promessas que têm o propósito de animar os adoradores de Deus a viverem de um modo mais justo e piedoso. E, ao mesmo tempo, ele introduz queixas a respeito do menosprezo ímpio da lei, para que os santos se desvencilhassem desses maus exemplos[4].
Alguns chamam este Salmo de octonário, porque, em cada oito versículo sucessivos, as palavras iniciais de cada linha começam com a mesma letra, na ordem alfabética. Que isso foi feito para ajudar a memória é possível deduzir de cada parte que contém uma doutrina, que deve formar um tema de meditação constante entre os filhos de Deus. O profeta distinguiu cada grupo de oito versículos sucessivos, iniciando cada versículo com a letra correspondente do alfabeto hebraico.
E simplesmente um acróstico que, em vez de formar palavras com os começos de versículo, forma um alfabeto ou alefato. O peculiar, e terrível, do salmo, e que cada letra leva uma estrofe de oito versículos. A técnica e simples: sendo o tema a lei ou a devoção a lei, o autor toma oito sinônimos básicos da lei e alguns de reserva, com os quais enche os oito versículos. O principio aplica-se com bastante regularidade e com algumas licenças  poética.
O hebraico usa oito termos básicos, mal diferenciados, que se intercambiam sem dificuldade: tôra, miçwot, mishpatim, ‘edot, piqqudim, huqqim, dabar, ’imra. Em português dispomos de repertorio mais amplo, de que entrescolho: lei, preceito, decreto, estatuto, mandato, mandamento, ordem, disposição, norma, regra, consigna, diretiva, instrução. Isso suposto, estabelecemos algumas correspondências de principio, sem renunciar a mudanças exigidas ou aconselhadas em casos particulares:
tôra vontade / lei
miçwot mandatos
mishpatim mandamentos / disposições
huqqim estatutos / ordens
piqqudim decretos / normas
‘edot preceitos / regras
dabar palavra / consigna
’imra promessa / instrução[5]
M’Caw observa que a característica principal do Salmo 119 é “a melodiosa repetição de oito sinônimos da vontade de Deus, a saber: lei, a torah; testemunhos, os princípios gerais de ação; preceitos (piqqudim), especialmente regras de conduta; estatutos Qiuqqim), regulamentos sociais; mandamentos (mitzvah), princípios religiosos; ordenanças (mishpattim), os julgamentos certos que deveriam operar nos relacionamentos humanos; palavra (dabbar), a vontade declarada de Deus, suas promessas, decretos, etc.; palavra (imra), a palavra ou discurso de Deus revelado aos homens. Uma variante freqüente dos oito sinônimos comuns é caminho (derek)[6].

Em salmo tão longo não ha dialogo: Deus não toma a palavra. Deus e personagem nos lábios do orante, interpelado em segunda pessoa, referido em terceira pessoa. O que ha é uma relação que  SCHÖKEL irá denominar dialética pelo mutuo condicionamento. Na forma gramatical pode adotar duas perspectivas: a partir do homem e a partir de Deus. Ilustrá-lo-ei com algumas formulas significativas:
A  18 abre-me os olhos / e contemplarei
     27 instrui-me no caminho ... 1 e meditarei
     33 mostra-me o caminho ... / e o seguirei
a’  32 correrei pelo caminho ... / quando me alargares
     77 quando me alcançar tua compaixão / viverei
    102 não me afasto ... / porque tu me instruíste
b  31 apeguei-me a teus preceitos / Senhor, não me defraudes
    121 pratico a justiça / não me entregues
    159 amo teus decretos ... / Senhor, dar-me vida[7]
O tema principal do Salmo 11 9 é o uso pratico da Palavra de Deus na vida daquele que teme ao Senhor. Quando consideramos que o salmista provavelmente não possuía um Antigo Testamento completo, muito menos uma Bíblia completa, essa ênfase passa a ser não apenas extraordinária, mas também essencial.
Os cristãos de hoje tem a Bíblia completa e, no entanto, a ignoramos no nosso cotidiano pois quantos declaram que amam a Palavra de Deus e se levantam durante a noite ou bem cedo pela manha a fim de le-la e de meditar sobre seu texto? (vv. 55, 62, 147, 148) Quantos cristãos ignoram as Escrituras do Antigo Testamento, absorvendo o espírito pós-moderno que despreza tudo que é antigo ou considerado velho, como ultrapassado, ou simplesmente as leem de maneira superficial e de forma descuidada? Porem, vemos aqui um homem que se alegrava nas Escrituras do Antigo Testamento - a única Palavra de Deus que possuía - e que considerava essa Palavra seu alimento (v. 103) e sua maior riqueza (vv. 14, 72, 127, 162)! Seu amor pela Palavra de Deus é motivo de envergonhar muitos cristãos de hoje, com suas condutas relapsa a Escrituras.
Se o salmista, com seu conhecimento e recursos limitados, ainda que para ele  tudo que possuía era suficiente, conseguia desenvolver e capaz de ter uma vida piedosa e vitoriosa alimentando-se do Antigo Testamento, quanto mais nós, cristãos de hoje, devemos viver para o Senhor. Afinal, somos precedidos por dois milênios de historia da Igreja e temos diante de nós a Bíblia toda, muito mais que este autor do salmo possuía! Quando o salmista emprega o termo "lei" (torah) ou qualquer uma das outras sete palavras para Escrituras, esta se referindo a muito mais do que os Dez Mandamentos e as instruções cerimoniais que se cumpriram em Cristo. Tem em mente toda a revelação de Deus encontrada nas Escrituras do Antigo Testamento.
Antes de os livros do nosso Novo Testamento terem sido escritos e distribuídos no primeiro século, as Escrituras do Antigo Testamento eram a única Palavra de Deus que a Igreja possuía! Ainda assim, com o Antigo Testamento e a ajuda do Espírito Santo, os primeiros cristãos puderem exercer um ministério dinâmico e levar os pecadores a Cristo.



O AUTOR DO SALMO 119

Existe muitas especulações para a autoria deste Salmo, alguns comentaristas como Derek Kidner e Charles F. Pfeiffer não fazem menção do autor, já para F.F. Bruce “o autor não é um músico amador compondo poesia em uma longínqua torre de marfim. Grande parte do salmo reflete uma situação de tensão e aflição. O salmista se volta para o Deus da Palavra, apelando para as suas promessas escritas e suplicando por sua ajuda”[8]. Para Warren W. Wiersbe “o profeta Jeremias pode ter escrito o Salmo 119 e que seu objetivo era ensinar e encorajar seus jovens discípulos (v. 9) depois da destruição do templo. Varias das declarações ao longo do salmo poderiam ser aplicadas a Jeremias. Ele falou com cinco reis (Jr 1:2) e sofreu vergonha por servir ao Senhor fielmente (Jr 1 5:1 5; 20:8). Viu-se cercado de críticos e de inimigos que não guardavam a lei de Deus (Jr 11:19), mas que desejavam se ver livres do profeta (Jr 18:23). Sem duvida, Jeremias era um profeta que possuía a palavra de Deus "inscrita em seu coração" (Jr 31:31-34), uma das ênfases do Salmo 119 (vv. 11, 32, 39, 80, 111). Como Jeremias, o salmista também chorou pela situação lamentável de seu povo (vv. 28, 136; Jr 9:1, 18; 13:17; 14:17; Lm 1:16; 2:18; 3:48).
Porem, em meio a tragédia e ao perigo, Jeremias se regozijou na Palavra de Deus e fez dela seu sustento (v. 111; Jr 15:16). Tanto em termos de vocabulário quanto de mensagem, esse salmo tem como base o Livro de Deuteronômio (a "segunda lei"), a segunda declaração da lei feita por Moises. Porem, ao contrario de Êxodo, Deuteronômio enfatiza o amor e a obediência sincera, não apenas um cumprimento "ritual" dos  preceitos de Deus. Jeremias foi sacerdote e profeta e possuía conhecimento profundo de Deuteronômio ”[9].
Os pais gregos da igreja consideravam que o Salmo 119 era realmente uma biografia abreviada do rei Davi onde ele mesmo expressa todos os estados pelos quais havia passado descrevendo suas provações, perseguições, socorros e encorajamentos recebidos da parte de Deus. Spurgeon vai afirmar “O costume entre escritores modernos tem sido, até onde possível, não atribuir a Davi os salmos. Como os críticos desta linha costumam não ter solidez na doutrina nem espiritualidade no tom, nós gravitamos na direção oposta, por uma suspeita natural de tudo que vem de fonte tão insatisfatória. Cremos que Davi escreveu este salmo. É davídico em tom e expressão, e confere com a experiência de Davi em muitos pontos interessantes. Quando éramos moços nosso professor o chamava de "livro de bolso de Davi" e nós nos inclinamos à essa opinião de que aqui temos o diário do personagem real escrito em vários tempos através de uma vida longa. Não, não podemos ceder este salmo para o inimigo. "Este é o espólio de Davi". Depois de muita leitura de um autor, chega-se a conhecer seu estilo, e adquire-se certo discernimento pelo qual sua composição é detectada mesmo se seu nome estiver oculto; sentimos uma espécie de certeza crucial de haver a mão de Davi nesse salmo, sim, de ser completamente seu”[10].
Para outros  Esdras foi o compositor deste Salmo como assinala Staley A. Ellisen[11], além deste, Leslie S. M’Cawvai[12] concordar com a autoria de Esdras. A autoria do Salmo 119, como ficou assinalada, é desconhecida e controversa, embora alguns estudiosos a atribuam a Esdras, enquanto a maioria prefere se manter afastada desta polêmica. Aqueles que atribuem a Esdras o Salmo 119 filiam-se à corrente de estudiosos que identifica indícios de sua composição após o exílio babilônico por um sacerdote ou levita . Esses indícios seriam as referências aos "poderosos" do v. 23, ao falar "diante de reis" do v. 46, de ter o Senhor como "herança" no v. 57, e de ser perseguido por "governantes" no v. 161. De fato, existe uma considerável probabilidade de que os eventos que se sucederam ao retorno do exílio babilônico tenham motivado Esdras, Neemias e os levitas a comporem o Salmo que prega exatamente a fidelidade à Lei de Deus e o arrependimento pelo fato do povo ter dela se desviado. Quando o capítulo 9 de Neemias narra a confissão coletiva do povo de Israel, termina com "um firme concerto e o escrevemos; e selaram-no os nossos príncipes, os nossos levitas e os nossos sacerdotes" (v. 38). O capítulo 10 enumera as famílias dos que firmaram este pacto, que, segundo o v. 29, "firmemente aderiram a seus irmãos, os mais nobres de entre eles, e convieram num anátema e num juramento, de que andariam na Lei de Deus, que foi dada pelo ministério de Moisés, servo de Deus; e de que guardariam e cumpririam todos os mandamentos do SENHOR, nosso Senhor, e os seus juízos e os seus estatutos", atitude corroborada pelo v. 106 do Salmo 119, em que o salmista proclama: "Jurei e cumprirei que hei de guardar os teus justos juízos". Repare que somente em Neemias 10:29 aparecem quatro termos diretamente associados à Palavra de Deus: "Lei", "mandamentos", "juízos" e "estatutos". Se já era típico do povo hebreu a repetição de termos para fixá-los ainda mais, este comportamento foi ainda reforçado após o retorno do exílio.
Adotando a autoria de Esdras a este salmo, devemos descobrir este grandioso vulto personagem bíblico.  Para Champlin o nome Esdras é uma abreviação do nome Azarias[13]


[1] Calvino, João O Livro dos Salmos, volume 1 Salmos; tradução Valter Graciano Martins. — São Paulo : Edições Parakletos, 2002.
[2] BAXTER, J. Sidlow. Examinai As Escrituras, S. Paulo; Ed Vida Nova 1993.
[3] BEACON, Comentário Bíblico. Ed. CPAD 2005
[4] Calvino, João O Livro dos Salmos, volume 1 Salmos; tradução Valter Graciano Martins. — São Paulo : Edições Parakletos, 2002.
[5] SCHÖKEL, Luís Alonso. Salmos I : salmos 1-72 /  Cecília Carniti; tradução, João Rezende Gosta; revisão H. Dalbosco e M. Nascimento - São Paulo: Paulus, 1996.
[6] BEACON, Comentário Bíblico. Ed. CPAD 2005
[7] SCHÖKEL, Luís Alonso. Salmos II : salmos 73-150 /  Cecília Carniti; tradução, João Rezende Gosta; revisão H. Dalbosco e M. Nascimento - São Paulo: Paulus, 1996.
[8] Bruce, F. F. Comentário Bíblico N V I : Antigo e Novo Testamento; tradução: Valdemar Kroker. — São Paulo : Editora Vida, 2008.
[9] WIERSB, Warren W. Comentário Expositivo do Antigo Testamento, Vol 3 Poético, Geográfica Ed, 2006.
[10] SPURGEON, Charles H., Salmo 119 O Alfabeto de Ouro, S. Paulo Ed Parakletos, 2001.
[11] ELLISEN, Stanley A. Conheça Melhor o Antigo Testamento, S. Paulo  Ed Vida, 1993.
[12] M’CaWVAI, Leslie S. Novo Comentário Bíblico Org. F.F. Davidson; Sociedade Religiosa Vida Nova, São Paulo, SP, 1997.
[13] CHAMPLIN, Russe ll Norman. Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. S Paulo Ed Hagnos, 1999.
CONFRONTANDO A TRANSUBSTANCIAÇÃO

A palavra "eucaristia" significa "ação de graças" e foi uma maneira cristã primitiva de se referir à celebração da Mesa do Senhor. Os crentes nos primeiros séculos da história da igreja comemoravam regularmente a mesa do Senhor como uma forma de comemorar a morte de Cristo. O próprio Senhor ordenou esta observância na noite anterior à Sua morte. Como o apóstolo Paulo registrou em 1 Coríntios 11: 23-26:
Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão;
 E, tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim.
 Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo testamento no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de mim.
 Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até que venha.
Ao discutir a Mesa do Senhor a partir da perspectiva da história da igreja, pelo menos duas questões importantes surgem. Primeiro , a igreja primitiva acreditava que os elementos (o pão e o cálice) eram realmente e literalmente transformados no corpo físico e no sangue de Cristo? Em outras palavras, eles articularam a doutrina da transubstanciação como fazem os católicos romanos modernos? Em segundo lugar , os primeiros cristãos viam a Eucaristia como um sacrifício propiciatório? Ou, de outra forma, eles o encararam nos termos articulados pelo Concílio de Trento do século XVI?
A transubstanciação é o ensino católico que na eucaristia, o pão e o cálice são transformados no corpo literal e no sangue de Cristo. Aqui estão várias citações dos pais da igreja, muitas vezes citados pelos católicos romanos, em defesa de sua alegação de que a igreja primitiva abraçou a transubstanciação .
Inácio de Antioquia (cc 110): "Tomai nota daqueles que têm opiniões heterodoxas sobre a graça de Jesus Cristo que nos chegou e veem quão contrárias são as suas opiniões à mente de Deus. . . . Abstêm-se da Eucaristia e da oração porque não confessam que a Eucaristia é a carne de nosso Salvador Jesus Cristo, carne que sofreu por nossos pecados e que esse Pai, em sua bondade, ressuscitou. Aqueles que negam o dom de Deus estão perecendo em suas disputas "( Carta aos Esmírnia 6: 2-7: 1).
Irineu (202): "Ele tirou da criação o que é pão e deu graças, dizendo: 'Este é o meu corpo'. A taça também, que é da criação a que pertencemos, ele confessou ser o seu sangue "( Contra Heresias , 4: 17: 5).

Irineu novamente : "Ele declarou o cálice, uma parte da criação, para ser seu próprio sangue, do qual ele faz com que nosso sangue corra; E o pão, uma parte da criação, estabeleceu como seu próprio corpo, do qual ele aumenta a nossos corpos. Quando, por conseguinte, o copo misturado [vinho e água] e o pão cozido recebe a Palavra de Deus e se torna a Eucaristia, o corpo de Cristo, e destes a substância da nossa carne é aumentada e apoiada, como podem dizer que a A carne não é capaz de receber o dom de Deus, que é a vida eterna - carne que é nutrida pelo corpo e pelo sangue do Senhor, e é de fato um membro dele? "( Contra Heresias , 5: 2).
Tertuliano  (160-225): "A carne se alimenta do corpo e do sangue de Cristo, para que também a alma se encha de Deus" ( A Ressurreição dos Mortos ).
Orígenes (182-254): "Antigamente, de um modo obscuro, havia maná para comer; Agora, porém, à vista, está o verdadeiro alimento, a carne da Palavra de Deus, como ele próprio diz: "A minha carne é verdadeira comida, e o meu sangue é a verdadeira bebida" ( Homilias, 7: 2). ).
Agostinho (354-430): "Eu vos prometi [os cristãos novos], que agora foram batizados, um sermão no qual eu explicaria o sacramento da Mesa do Senhor. . . . O pão que vês no altar, tendo sido santificado pela palavra de Deus, é o corpo de Cristo. Esse cálice, ou melhor, o que está no cálice, tendo sido santificado pela palavra de Deus, é o sangue de Cristo "( Sermões 227).
Como devemos pensar sobre tais declarações?
Obviamente, não há contestação de que os autores patrísticos fizeram declarações como: "O pão é o corpo de Cristo" e "O cálice é o sangue de Cristo". Mas há uma questão de exatamente o que eles queriam dizer quando usaram essa linguagem. Afinal de contas, o próprio Senhor disse: "Este é o meu corpo" e "Este é o meu sangue". Portanto, não é de surpreender que os primeiros pais ecoaram essas mesmas palavras.
Mas o que eles queriam dizer quando usaram a linguagem de Cristo para descrever a Mesa do Senhor? Eles pretendiam que os elementos fossem vistos como carne e sangue literais de Cristo? Ou eles viram os elementos como símbolos e figuras dessas realidades físicas?
Ao responder a essas perguntas, pelo menos duas coisas devem ser mantidas em mente:
1. Devemos interpretar as afirmações dos pais da igreja dentro de seu contexto histórico.
Tal é especialmente verdadeiro no que diz respeito às citações citadas acima de Inácio e Irineu. Durante seus ministérios, os dois homens se enfrentaram contra o erro teológico do docetismo (um componente do ensino gnóstico), que ensinava que toda a matéria era má. Consequentemente, o docetismo negava que Jesus possuísse um corpo físico real. Foi contra esse falso ensino que o apóstolo João declarou: "Porque muitos enganadores saíram ao mundo, aqueles que não reconhecem a Jesus Cristo como vindo em carne. Este é o enganador e o anticristo "(2 João 7 ).
Para combater as noções falsas do docetismo, Inácio e Ireneu ecoaram a linguagem que Cristo usou na Última Ceia (parafraseando Suas palavras, "Este é o Meu corpo" e "Este é o Meu sangue"). Tal proporcionou um argumento altamente eficaz contra as heresias docética, uma vez que as palavras de nosso Senhor sublinham o fato de que Ele possuía um corpo físico real.
Uma geração depois de Irineu, Tertuliano (160-225) usou os mesmos argumentos contra o herege gnóstico Marcião. No entanto, Tertuliano forneceu mais informações sobre como os elementos eucarísticos devem ser entendidos. Tertuliano  escreveu:
"Tendo tomado o pão e dado a seus discípulos, Jesus o fez Seu próprio corpo, dizendo: 'Este é o Meu corpo', isto é, o símbolo do Meu corpo . Não poderia haver um símbolo, no entanto, a não ser que houvesse primeiro um verdadeiro corpo. Uma coisa vazia ou fantasma é incapaz de um símbolo. Da mesma forma, ao mencionar a taça e fazer a nova aliança ser selada "em Seu sangue", afirma a realidade de Seu corpo. Porque nenhum sangue pode pertencer a um corpo que não seja um corpo de carne "( Contra Marcião , 4.40).
A explicação de Tertuliano não poderia ser mais clara. Por um lado, ele baseou seu argumento contra o docetismo gnóstico nas palavras de Cristo, "Este é o Meu corpo". Por outro lado, Tertuliano reconheceu que os próprios elementos devem ser entendidos como símbolos que representam a realidade do corpo físico de Cristo. Devido à realidade que eles representavam, eles forneceram uma refutação convincente do erro docético.
Com base na explicação de Tertuliano, temos boas razões para ver as palavras de Inácio e Irineu na mesma luz.
2. Devemos permitir que os pais da igreja esclareçam sua compreensão da Mesa do Senhor.
Já vimos como Tertuliano esclareceu sua compreensão da Mesa do Senhor, observando que o pão e a taça eram símbolos do corpo e do sangue de Cristo. Nesse mesmo sentido, descobrimos que muitos dos pais da igreja também esclareciam sua compreensão da eucaristia descrevendo-a em termos simbólicos e espirituais.
Às vezes, eles ecoaram a linguagem de Cristo (por exemplo, "Este é o Meu corpo" e "Este é o Meu sangue") ao descrever a Mesa do Senhor. No entanto, em outros lugares, fica claro que eles pretendiam que essa linguagem fosse finalmente entendida em termos espirituais e simbólicos. Aqui estão alguns exemplos que demonstram este ponto:
O Didaquê , escrito no final do primeiro ou início do segundo século, referia-se aos elementos da mesa do Senhor como " alimento espiritual e bebida " (O Didaquê, 9). A longa passagem que detalha a Mesa do Senhor neste documento cristão primitivo não dá nenhuma sugestão de transubstanciação alguma.
Justino Mártir (110-165) falou de "o pão que nosso Cristo nos deu para oferecer em lembrança do Corpo que Ele assumiu por causa daqueles que creem nEle, por quem Ele também sofreu, e também para o cálice que Ele Ensinou-nos a oferecer na Eucaristia, em comemoração do Seu sangue " ( Diálogo com Trifão , 70).
Clemente de Alexandria explicou que "a Escritura, portanto, chamou vinho o símbolo do sangue sagrado " (Pedagogo ).
Segundo Orígenes , "temos um símbolo de gratidão a Deus no pão que chamamos de Eucaristia" ( Contra Celsus , 8.57).
Cipriano (200-258), que às vezes descrevia a eucaristia usando uma linguagem muito literal, falava contra qualquer um que pudesse usar mera água para celebrar a mesa do Senhor. Ao condenar tais práticas, ele explicou que o cálice do Senhor é uma representação do sangue de Cristo: " Maravilhei- me de onde surgiu esta prática, que em alguns lugares, ao contrário da disciplina Evangélica e Apostólica, é oferecida água na Taça Do Senhor, que sozinho não pode Representam o Sangue de Cristo "( Epístola 63.7).
Eusébio de Cesaréia  (263-340) defendeu uma visão simbólica em sua Prova do Evangelho :
Pois, com o vinho que era de fato o símbolo do Seu sangue, Ele purifica os que são batizados na Sua morte, e crê no Seu sangue, dos seus velhos pecados, lavando-os e purificando as suas velhas vestes e vestuário, para que eles, resgatados Pelo sangue precioso das uvas espirituais divinas e com o vinho desta videira, "despoje o velho com suas obras, e revestir-se do novo homem, que se renova em conhecimento à imagem daquele que o criou". . . Ele deu a Seus discípulos, quando disse: "Tomai, bebei; Este é o meu sangue que é derramado por vós para a remissão dos pecados; isto é feito em memória de mim ". E" Seus dentes são brancos como leite ", mostrem o brilho e a pureza do alimento sacramental. De novo, Ele deu a si mesmo os símbolos de Sua dispensação divina aos Seus discípulos, Quando Ele ordenou que fizessem a semelhança do Seu próprio Corpo. Pois, uma vez que Ele não mais deveria ter prazer em sacrifícios sangrentos, ou aqueles ordenados por Moisés na matança de animais de vários tipos, e foi dar-lhes pão para usar como símbolo de Seu Corpo , Ele ensinou a pureza e o brilho de tais Alimento, dizendo: "E seus dentes são brancos como leite" ( Demonstratia Evangelica , 8.17-6-80).
Atanásio (296-373) também afirmou que os elementos da Eucaristia devem ser entendidos espiritualmente, não fisicamente: " O que Ele diz não é carnal, mas espiritual. Para quantos o corpo seria suficiente para comer, para que ele se tornasse o alimento para o mundo inteiro? Por essa razão, Ele mencionou a ascensão do Filho do Homem ao céu, a fim de que pudesse afastá-los da noção corporal , e que de agora em diante pudessem aprender que a carne acima mencionada era a comida celestial do alto e a comida espiritual Dado por Ele . "
Agostinho (354-430), também, esclareceu que a Mesa do Senhor devia ser entendida em termos espirituais: " Entenda espiritualmente o que eu disse ; Você não deve comer este corpo que você vê; Nem beber o sangue que os que me crucificarem derramarão. . . . Embora seja necessário que isto seja visivelmente celebrado, deve ser entendido espiritualmente "( Exposição dos Salmos , 99.8).
Ele também explicou os elementos eucarísticos como símbolos. Falando de Cristo, Agostinho observou: "Ele cometeu e entregou a Seus discípulos a figura [ou símbolo] de Seu Corpo e Sangue". ( Exposição dos Salmos , 3.1).
E em outro lugar, citando o Senhor Jesus, Agostinho explicou ainda: "Se não comerdes a carne do Filho do homem", diz Cristo, "e beberdes o Seu sangue, não tendes vida em vós". Isso parece proibir um crime ou um vício; É, portanto, uma figura [ou símbolo], que ordena que tenhamos participação nos sofrimentos de nosso Senhor, e que devemos manter uma lembrança doce e proveitosa do fato de que Sua carne foi ferida e crucificada por nós ( Sobre a Doutrina Cristã , 3.16.24).
Um número de citações similares dos pais da igreja poderia ser dada para fazer o ponto de que, pelo menos para muitos dos pais os elementos da eucaristia foram finalmente entendido no simbólicos ou espirituais termos. Em outras palavras, eles não se apegaram à doutrina católica romana da transubstanciação.
Com certeza, eles reiteraram a linguagem de Cristo quando Ele disse: "Este é o Meu corpo" e "Este é o Meu sangue". Eles usaram especialmente essa linguagem para defender a realidade de Sua encarnação contra os hereges gnósticos e doceticos que negavam a realidade Do corpo físico de Cristo.

Ao mesmo tempo, no entanto, eles esclareciam sua compreensão da Mesa do Senhor explicando ainda que eles finalmente reconheceram os elementos da Mesa do Senhor como símbolos - figuras que representavam e comemoravam a realidade física do corpo e do sangue de nosso Senhor.

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