O ANTISSEMITISMO E A IGREJA



INTRODUÇÃO

 

  • Quando reportamos a história de Israel, não podemos deixar de mencionar seu longo e tenebroso período de perseguição que sofreram a partir do exílio babilônico, como também na era de domínio persa, grego, e culminando na destruição total de Jerusalém por Adriano, quando este proíbe a entrada de judeus a esta cidade.
  • Além, é claro, de sua incompatibilidade com o cristianismo, que proporcionou uma perseguição durante todo o período histórico cristão, desde do período medieval, durante a Reforma Protestante, que culminou, posteriormente, no holocausto alemão.
  • A história de Israel sofreu um revés foi no final do século XIX e durante o século XX, quando surge um movimento hermenêutico denominado Dispensacionalismo, que reviu e reinterpretou as passagens proféticas relacionadas a Israel, e deram um novo tom para a história dos judeus, ficando favorável a este povo.
  • Foi também neste período do século XX que o Estado de Israel veio a surgir, não por motivos religiosos, mas com afim político da nova potência que surge os E.U.A, que precisava de uma nação amiga no centro de um território em ebulição antiamericano.
  • Mas afinal quais seriam os motivos deste sentimento contrário aos judeus? O que levou a igreja a ser intolerante durante quase vinte séculos para com os judeus? Qual a verdadeira causa deste antissemitismo? Que tipos de antissemitismo existe contra este povo? O que há neste grupo étnico que causa profundo rancor e ódio contra eles?
  • Diante destas questões é que propomos a construção deste trabalho, um empreendimento e um esforço de alcançar, descobrir o real e verdadeiro motivo a todas estas questões levantadas e apresentadas aqui.
  • O termo antissemitismo, na comunidade judaica foi denominada de judeofobia, foi cunhado em 1879 pelo agitador alemão Wilhelm Marr para designar as campanhas anti-judaicas em curso na Europa Central na época. Embora o termo agora tenha ampla aceitação, é um termo impróprio, pois implica uma discriminação contra todos os semitas. Árabes e outros povos também são semitas, e ainda assim não são alvos do antissemitismo, como é geralmente entendido. O termo é especialmente inadequado como um rótulo para os preconceitos, declarações ou ações anti-judaicas de árabes ou outros semitas. Antissemitismo nazista, que culminou no Holocausto tinha uma dimensão racista na medida em que visava aos judeus por causa de suas supostas características biológicas - mesmo aqueles que se converteram a outras religiões ou cujos pais eram convertidos. Esta variedade de racismo anti-judaico data apenas do surgimento do chamado racismo científico ”no século XIX e é diferente em natureza dos preconceitos anti-judaicos anteriores.
  • Diante disto podemos observar uma escalada do movimento antissemita, que se torna nosso desenvolvimento deste trabalho. Inicialmente iremos verificar um antissemitismo racial, no livro de Ester, depois verificaremos um antissemitismo político, proporcionado pelas revoltas e guerras durante o Império Romano; e por fim um antissemitismo religioso proporcionado pelo cristianismo, ao longo da era cristã na Europa e América, posteriormente. E finalmente concluiremos o desenvolvimento do antissemitismo moderno, que ocorreu paralelamente com o surgimento do Dispensacionalismo, que faz uma releitura dos textos proféticos na Bíblia, e começa uma jornada em defesa da nação judaica como povo escolhido por Deus.
  • A pesquisa se deu pelo método bibliográfico, com estudos sistematizados através de livros sobre História de Isael, da Igreja e de cunho teológico. Nesta pesquisa realizou uma revisão da literatura, organizou ideias identificando categorias que possibilitasse explicar a resposta ao problema focalizado.
  • Como base histórica de Israel adotamos os autores Paul Johnson, Flávio Josefo ‘A Guerra dos Judeus’, John Bright História de Israel, Histórica Judaica, Religião Judaica: O peso de três mil anos, de Israel Shahak.
  • História da Igreja adotaremos Justo L. González, História ilustrada do cristianismo; Earle E. Cairns Cristianismo Através dos Séculos. Uma História da Igreja Cristã; História da Igreja Cristã, WALKER, W.
  •  Na questão teológica, sobre o Dispensacionalismo, em uma abordagem favorável a Israel adotaremos, Dave Hunter, Jerusalém: Um Cálice de Tontear; John Hagee, Em Defesa de Israel; Norbert Lieth e Johannes Pflaum, Teologia da Substituição; e Dispensacionalismo, de Charles C. Ryrie.
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  • 1 A ORIGEM DO ANTISSEMITISMO
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  • Antes de continuarmos nosso trabalho, precisamos entender como se originou este sentimento antissemita, suas causas, e principalmente seus efeitos, alguns foram derrotados, como relatado no Livro bíblico de Ester, já em outros momentos ocorreu uma verdadeira vitória dos opositores, movidos por ressentimentos, ódio, levando inúmeros judeus a morte e ao exílio.
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  • 1.1 O Primeiro Movimento Antissemita na História: O Livro de Ester.
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  • Historicamente, os judeus têm lutado por sua sobrevivência e identidade desde os tempos bíblicos. A ameaça da destruição e do aniquilamento dos judeus tem início desde a escravidão egípcia, na época do Êxodo. Depois de enfrentarem povos vizinhos, assírios e babilônios, os filhos de Abraão quase foram extintos durante o período persa, conforme vemos no livro de Ester.
  • No livro de Ester, vemos uma onda mundial de antissemitismo vindo da Pérsia, antigo Irã (BALDWIN, 1986. p. 37). Por que Hamã odiava os judeus? Não foi pelo fato de estar ressentido com Mardoqueu, assim como não foi porque, como Primeiro Ministro, temesse que um dia os judeus se revoltassem contra seu reino. Os judeus exilados na Pérsia eram, de fato, um povo introvertido, que se dedicava à oração e ao estudo, que ansiava pelo retorno à Terra de Israel e sonhava com a reconstrução do Segundo Templo - o que ocorreu pouco depois da história de Purim. Por que, então, Hamã quis destruir um povo inteiro?
  • Nos relatos de Ester descobrimos que Hamã pertencer da descendência dos Amalequitas, quando os israelitas saíram do Egito foram atacados por este povo, como eram escravos não sabiam se defender, foi uma vitória graças a oração de Moisés (Ex. 17.8-16), neste episódio Deus ordena a completa destruição deste povo, possivelmente por ser este o desejo dos Amalequitas de fazer com Israel, a sua eliminação.
  • O confronto com as duas nações retorna no caso de Saul (ISm15), devido o não cumprimento deste rei de Israel, ele perde a continuidade do trono.  
  • O confronto agora ressurge no livro de Ester, entre Hamã e Mardoqueu, mas que na verdade há uma rivalidade representada por duas nações inimigas, encontramos nos relatos de Ester o que pensamos hoje como antissemitismo. Quando Mardoqueu se recusa a curvar-se a Hamã (Est. 3: 2-6), ele explica aos seus colegas que ele é judeu, o que implica que sua recusa foi por razões judaicas. Seus colegas informam a Hamã (Est. 3: 4).
  •   Como corolário disso, o plano de Hamã é destruir os judeus, não a política da Judéia. Isso fica claro pela descrição de Hamã de que os judeus estão espalhados por todo o império, mesmo em uma época em que a Judéia existe como a província. Além disso, aqueles que se juntam a Hamã para matar judeus são descritos não apenas como seguidores de Hamã ou caçadores de saques fáceis, mas como “inimigos” dos judeus (8:13, 9: 1, 5, 16). Assim, parece claro que a o livro de Ester está descrevendo o antissemitismo.
  • Ester termina com a vitória dos judeus, a inversão da sorte, por isto a festa que comemora o evento se chama PURIM, que significa sorte. Em suma, uma vez que o livro de Ester é o único livro bíblico que aborda diretamente o pensamento antissemita, não é de surpreender que as tradições do midrash e dos comentários usem este livro como uma plataforma para expandir o assunto.
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  • 1.2 O Antissemitismo no Império Romano
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  • O "ódio judeu" básico, foi expandido por vários escritores, historiadores e estadistas gregos ou romanos. Certamente, nem toda literatura helenística em suas duas línguas, grega e latina, era dominada pelo antissemitismo. Alguns escritores admiravam a perseverança dos judeus e sua busca contínua de retidão e justiça social - mas a maioria das forças criativas helenísticas estava disposta contra os judeus.
  • Dentro de um século, as questões vieram à tona sobre o grande número de gentios que se converteram, ou que queriam converter-se, ao judaísmo. Os fariseus insistiam em que todos os convertidos ao judaísmo se unissem a "uma nova e piedosa comunidade", esta definição oferecida por Filo Judeu (c. 13 aC - entre 45 e 50 dC), a principal figura intelectual judaica do primeiro século, foi aceito para significar que um novo convertido era classificado como uma criança que agora era recém-nascida como judia. Essa conversão significou que ele negou sua família anterior, pois, segundo Filo, tais prosélitos "deixaram seu país, seus parentes e seus amigos e suas relações para a sagrada virtude e santidade". Uma geração depois, Cornélio Tácito (c. 56 - c. 120) fez o mesmo ponto, mas expressou-o na linguagem de uma pronunciada enfermidade com os judeus. Depois que se converteram ao judaísmo, "desprezaram os deuses, renegaram seu próprio país e consideraram seus pais, filhos e irmãos como de pouca importância". À medida que os judeus se tornaram mais numerosos e poderosos em todo o Império Romano, Tácito considerou os judeus subversivos porque eram inimigos dos três principais pilares da sociedade: religião, país e família.
  • No primeiro século EC, o erudito judeu Josefo escreveu Contra Apionem, no qual ele coletou e refutou vários exemplos de retórica anti-judaica na filosofia antiga. Parte dessa retórica foi desencadeada pela conquista e rebelião do povo judeu - no Egito, por exemplo. Outros exemplos vêm de alguns filósofos gregos que foram agitados pela disseminação do judaísmo.
  • No entanto, a questão permaneceu muito viva na consciência do Império Romano no primeiro século: o que há com os judeus? Obviamente, eles não obedeceriam às leis que Roma impunha a todo o seu próprio povo. Os judeus se recusaram a participar de celebrações cívicas porque estes invariavelmente exigiam a adoração dos deuses e especialmente dos imperadores romanos como deuses. Os governantes romanos em Alexandria, e ainda mais na Judéia, toleraram a teimosia peculiar dos judeus, mas houve conflitos recorrentes entre os judeus e as autoridades romanas. Essas questões não puderam ser resolvidas por meio de negociações entre judeus e autoridades imperiais. Pelo contrário, os próprios judeus tinham que encontrar espaço para viver na sociedade maior. Então suas tradições tiveram que ser mudadas.
  • Tácito era um dos maiores antissemitas, e difusor deste em Roma, e pelo império, tempo em que Tácito protestava contra os judeus, os cidadãos romanos tinham sérias competições das religiões "estrangeiras", que atraíam cada vez mais os cidadãos cosmopolitas de Roma. Assim, o antissemitismo de Tácito não é apenas dirigido contra judeus na Judéia: ele também está mirando em judeus que moram em Roma.
  • As acusações de Tácito contra os judeus, estão nas afirmações não apenas de sua diferença, mas de sua malícia. A mitologia que ele cria em torno do povo judeu como corruptores perpétuos, atraindo pessoas de suas religiões, suas famílias e seus deveres patrióticos de propósito, como se os judeus tivessem uma devoção singular a destruir todas as civilizações, exceto as suas.
  • Em meados do segundo século após a supressão da última grande revolta judaica sob Bar Kokhba (131-135), os principais rabinos já não esperavam uma restauração do Templo em Jerusalém e da soberania judaica na Terra Santa.
  • A capital da Palestina era de fato em Cesaréia, a cidade portuária da qual o Império Romano controlava todos os seus vários assuntos na Palestina. O judaísmo rabínico também tinha sua sede em Cesaréia, onde ficava a corte de sua liderança religiosa, liderada pelos descendentes de Hilel.
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  • 1.3 As Origens Do Antissemitismo Cristão.
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  • Ao contrário das religiões politeístas, que reconhecem múltiplos deuses, o judaísmo é monoteísta - reconhece apenas um deus. No entanto, os pagãos viram a recusa de princípio dos judeus de adorar os imperadores como deuses como um sinal de deslealdade.
  • Apesar Jesus de Nazaré e seus discípulos eram judeus praticantes e o cristianismo está enraizado no ensino judaico do monoteísmo, o judaísmo e o cristianismo tornaram-se rivais logo depois que Jesus foi crucificado por Pôncio Pilatos, que o executou de acordo com a prática romana contemporânea. A rivalidade religiosa inicialmente era teológica. Logo também se tornou político.
  • Os historiadores concordam que o rompimento entre o judaísmo e o cristianismo seguiu a destruição romana do Templo de Jerusalém no ano 70 d.C e o subsequente exílio dos judeus.
  • O cristianismo estava decidido a substituir o judaísmo, tornando universal sua própria mensagem particular. O Novo Testamento foi visto como cumprindo o "Antigo" Testamento (a Bíblia Hebraica); Os cristãos eram o novo Israel, tanto em carne como em espírito. O Deus da justiça foi substituído pelo Deus do amor. Assim, alguns dos primeiros Padres da Igreja ensinaram que Deus havia terminado com os judeus, cujo único propósito na história era preparar-se para a chegada de seu Filho.
  • Surge um sistema teológico denominado Teologia da Substituição, onde quer que a teologia de substituição tenha florescido, os judeus procuravam se esconder, onde quer que essa visão tenha passado, sempre levou o antissemitismo (LIETH, PFLAUM; 2014, p.27). A teologia da substituição forneceu a base para todo tipo de dano, perseguição e atrocidades contra o povo judeu em toda a história cristã.
  • Esta suposição é baseada em um método particular de interpretação da Bíblia, uma doutrina chamada supercessionismo, um nome mais antigo para a teologia da substituição. A ideia é que Deus está acabado com os judeus, e que em seu programa linear de história, a igreja cristã do Novo Testamento substituiu os judeus como seu povo escolhido da promessa. A Igreja é agora o "Novo" ou "Verdadeiro Israel", e os judeus não têm mais um status especial ou um papel divino. Essa ideia vem da crença de que os judeus perderam seu papel de povo de Deus quando rejeitaram Jesus como Messias, supostamente anulando seu pacto bíblico com Deus.
  •  A teologia da substituição existe há muito tempo. Podemos traçá-lo desde o segundo século, quando Justino Mártir apresentou a ideia de que a igreja cristã é o verdadeiro Israel espiritual (LIETH, PFLAUM; 2014, p.35). Na mesma época, Marcion e Irineu contribuíram para o mesmo pensamento. No quarto século, o líder da igreja e historiador Eusébio, junto com uma assembleia de bispos e o imperador Constantino, formaram uma aliança entre igreja e estado. Eusébio considerou a Igreja unificada e o Império como o Reino de Deus na terra (WALKER, 2006, p.154).
  • O caráter antissemita da teologia da substituição se manifesta na ironia de que, embora se chame “o verdadeiro Israel de Deus”, ela seletiva e arbitrariamente reivindica herdar todas as bênçãos divinas prometidas a Israel - mas nenhuma das maldições. Os julgamentos e maldições ficam com Israel. Segundo a teologia da substituição, Deus rejeitou os judeus e eles não são mais seu povo escolhido. A igreja substituiu inteiramente o Israel étnico e nacional no plano de Deus, e não há mais razão para atribuir qualquer consideração especial ou significado único aos judeus como povo. Os judeus não têm futuro nacional no programa divino da história e não reivindicam mais a Terra da Bíblia do que qualquer outra nação.
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  • 2. O ANTISSEMITISMO NA HISTÓRIA DA IGREJA
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  • Com foi desenvolvido no último tópico do capítulo anterior, a Teologia da Substituição será o grande dogma que a Igreja se encarregará de eliminar qualquer dicotomia Israel/Igreja, tornando a Igreja absoluta nos planos e propósitos de Deus.
  • No século 4, quando o imperador Constantino faz do cristianismo a religião oficial do Império, as histórias dos Evangelhos se somaram ao preconceito que já existia contra os judeus. Não fazia mais sentido culpar os romanos, agora cristianizados, pela morte de Jesus. Santo Agostinho, o mais influente teólogo da época, determinou a sentença aos judeus: eles deveriam sobreviver, de forma marginal e inferior, como testemunhas da verdade do cristianismo. Ou seja, uma espécie de relíquia da época de Jesus (JOHNSON, 1989, p. 173).
  • A inimizade para com os judeus foi expressa de maneira mais aguda nos ensinamentos de desprezo da igreja, em Agostinho, no século IV, a Martinho Lutero, no século XVI, alguns dos teólogos cristãos mais eloquentes e persuasivos criticaram os judeus como rebeldes contra Deus e assassinos do Senhor. Eles foram descritos como companheiros do diabo e uma raça de víboras.
  • O antissemitismo teológico atingiu o seu apogeu na Idade Média. Entre as manifestações mais comuns deste sentimento em todas as eras, estão o que hoje chamamos de pogroms (ataques contra judeus por residentes locais e muitas vezes encorajados pelas autoridades). Os pogroms eram frequentemente incitados por rumores de crimes rituais. Em tempos de desespero, os judeus muitas vezes se tornaram o bode expiatório de muitas catástrofes naturais. Por exemplo, alguns clérigos pregaram e alguns paroquianos acreditavam que os judeus trouxeram a Peste Negra, a praga que matou milhões de pessoas na Europa no século XIV, como uma recompensa por suas supostas práticas de blasfêmia e satânicas.
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  • 2.1. O Começo de Tudo.
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  • O primeiro apologista a fazer um pronunciamento contra os judeus foi Justino Mártir (que mais tarde foi morto pelos romanos). Em 145 d.C. (dez anos após a Revolta de Bar Kochba) Justino Mártir escreveu uma obra em que ele estava tendo um diálogo com um judeu chamado Trypho, na tentativa de convencê-lo a reconhecer o Messianismo de Jesus, na resistência deste ao apelo de Justino, começa a popularizar o antissemitismo (IZECKSOHN, 1974, p.15, v.1.). Usando textos bíblicos, Justino Mártir afirmou que os judeus foram originalmente selecionados por Deus porque eram um grupo não espiritual; eles precisavam de leis adicionais. Ele criticou os judeus por rejeitar Jesus, por matar Jesus, por afastar as pessoas da salvação. Ele regozijou-se com a destruição do templo como sendo apenas um castigo pela perfídia judaica. Os escritos de Justino Mártir foram incorporados ao pensamento cristão primitivo, e foram as origens do cristianismo antissemita.
  • Inácio Bispo de Antioquia (98-117 AD) - Epístola aos Magnesianos escreveu sobre os judeus:
  • Porque, se ainda praticamos o judaísmo, admitimos que não recebemos o favor de Deus ... é errado falar de Jesus Cristo e viver como judeus. O cristianismo não acreditava no judaísmo, mas no judaísmo no cristianismo.
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  • Orígenes de Alexandria (185-254 dC) - Um escritor e professor eclesiástico que contribuiu para a formação inicial das doutrinas cristãs.
  • Podemos assim afirmar com total confiança que os judeus não retornarão à sua situação anterior, pois cometeram o mais abominável dos crimes, ao formarem essa conspiração contra o Salvador da raça humana ... daí a cidade onde Jesus sofreu foi necessariamente destruída, a nação judaica foi expulsa de seu país e outro povo foi chamado por Deus para a abençoada eleição.
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  • Agostinho, o bispo de Hipona. Viveu a maior parte de sua vida (354-430) no norte da África, tendo sido um dualista maniqueu e se convertendo e se tornando um dos pilares do cristianismo tardo antigo. Este pensador é considerado um dos maiores Padres da Igreja até nossos dias. (Agostinho Confissões , 12,14)
  • Quão odioso para mim são os inimigos da sua Escritura! Como eu gostaria que você os matasse (os judeus) com sua espada de dois gumes, de modo que não houvesse ninguém para se opor à sua palavra! Com prazer, eu os faria morrer para si e viver para você!
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  • Outro exemplo famoso desta semente do antissemitismo pode ser encontrado entre os escritos do "Pai da boca de ouro", o padre da Igreja, João Crisóstomo (354-530 dC). Aquela boca de ouro se transformou em uma cova aberta em sua obra, Primeira Homilia Contra os Judeus. Ele escreveu: “A sinagoga é pior do que um bordel e uma loja de bebidas; é um covil de canalhas, um templo de demônios, a caverna de demônios, uma assembleia criminosa dos assassinos de Cristo ... Eu odeio os judeus ... É dever de todos os cristãos odiarem os judeus. ”
  • Escritos subsequentes de pais da igreja (e líderes da igreja ao longo da história da igreja) condenaram os judeus, acusando-os de serem idólatras, torturadores, espiritualmente surdos, blasfemos, glutões, adúlteros, canibais, assassinos de Cristo e além do perdão de Deus (IZECKSOHN, 1973, p.28, v.2).
  • Obtiveram êxito graças a Eusébio faz um mecanismo de descontextualizarão do texto bíblico e des-judaização dos personagens de valor. Insere a visão de sua época no passado e reescreve a Bíblia através da exegese. A novidade da Patrística é o uso deste modelo de leitura e interpretação alegórica para atacar um grupo externo que se opunha às doutrinas eclesiásticas. No âmbito interno do Cristianismo o mesmo se fará com as dissidências, denominadas heresias (FELDMAN, 2005, p. 188).
  • O Código Justiniano foi um édito do imperador bizantino Justiniano (527-564). Uma seção do código negava os direitos civis dos judeus. Uma vez que o código foi aplicado, os judeus do Império não podiam construir sinagogas, ler a Bíblia em hebraico, reunir-se em locais públicos, celebrar a Páscoa antes da Páscoa ou dar provas em um caso judicial em que um cristão era um partido.
  • O Sínodo de Elvira (306) proibiu o casamento e as relações sexuais entre cristãos e judeus, proibindo-os de comer juntos.
  • Conselhos de Orleans (533-541) proibiram os casamentos entre cristãos e judeus e proibiram a conversão ao judaísmo pelos cristãos.
  • O Sínodo Trulânico (692) proibiu os cristãos de serem tratados por médicos judeus.
  • O Sínodo de Narbonne (1050) proibiu os cristãos de viverem em lares judaicos.
  • O Sínodo de Gerona (1078) exigiu que os judeus pagassem impostos para sustentar a Igreja.
  • O Terceiro Concílio de Latrão (1179) proibiu certos cuidados médicos a serem prestados pelos cristãos aos judeus.
  • O Quarto Concílio de Latrão (1215) exigiu que os judeus usassem roupas especiais para distingui-los dos cristãos.
  • O Conselho de Basiléia (1431-1443) proibiu os judeus de frequentarem universidades, de agirem como agentes na celebração de contratos entre cristãos, e exigiram que eles assistissem a sermões de igrejas. (MESSADIÉ, 2003)
  • As atitudes religiosas refletiam-se na vida econômica, social e política da Europa medieval. Em grande parte da Europa durante a Idade Média, os judeus foram negados a cidadania e seus direitos, impedidos de manter cargos no governo e nas forças armadas, e excluídos da participação em guildas e profissões (JOHNSON, 1989, p.50). Certamente, alguns governantes e sociedades europeus, particularmente durante o início da Idade Média, proporcionaram aos judeus certo grau de tolerância e aceitação, e seria um erro conceber os judeus como enfrentando uma imutável e incessante manifestação de opressão anti-judaica ao longo deste período. Período. Em 1096, no entanto, os cavaleiros da Primeira Cruzada desencadearam uma onda de violência antissemita na França e Sacro Império Romano, incluindo massacres em Worms, Trier (ambos agora na Alemanha) e Metz (agora na França). Acusações infundadas de assassinato ritual e de profanação de host e libelo de sangue - alegações de sacrifício de judeus de crianças cristãs na Páscoa para obter sangue para pão sem fermento - apareceu no século XII. O exemplo mais famoso dessas acusações, a do assassinato de William de Norwich, ocorreu na Inglaterra, mas essas acusações foram revividas esporadicamente na Europa Oriental e Central durante os períodos medieval e moderno. Nos anos 1930, o libelo de sangue tornou-se parte da propaganda nazista. Outro instrumento do antissemitismo do século XII, o emblema amarelo obrigatório que identificou o usuário como judeu, também foi revivido pelos nazistas. A prática de segregar as populações judaicas de vilas e cidades em guetos remonta à Idade Média e durou até o século 19 e início do século 20 em grande parte da Europa.
  • Com o crescimento do comércio europeu no final da Idade Média, alguns judeus tornaram-se proeminentes no comércio, na atividade bancária e na concessão de empréstimos, e os sucessos econômicos e culturais dos judeus tendiam a despertar a inveja da população. Este ressentimento econômico, aliado ao tradicional preconceito religioso, levou à expulsão forçada de judeus de vários países e regiões, incluindo Inglaterra (1290), França (século 14), Alemanha (1350), Portugal (1496), Provence (1512) e os Estados Papais (1569). A intensificação da perseguição na Espanha culminou em 1492 na expulsão forçada da grande população judaica daquele país. Somente os judeus que se converteram ao cristianismo foram autorizados a permanecer, e os suspeitos de continuar a praticar o judaísmo enfrentou perseguição no espanhol Inquisição. Como resultado dessas expulsões em massa, os centros da vida judaica mudaram da Europa Ocidental e da Alemanha para a Turquia e depois para a Polônia e a Rússia (IZECKSOHN, 1973, p.34, v.2).
  • Mas onde eles eram necessários, os judeus eram tolerados. Vivendo como eles faziam nas margens da sociedade, os judeus desempenhavam funções econômicas que eram vitais para o comércio e o comércio. Porque o cristianismo pré-moderno não permitia pagar juros e porque os judeus geralmente não podiam possuir terras, os judeus desempenhavam um papel vital como agiotas e comerciantes. Onde eles foram autorizados a participar da sociedade maior, os judeus prosperaram. Durante a Idade Média na Espanha, antes de sua expulsão em 1492, filósofos, médicos, poetas e escritores judeus estavam entre os líderes de uma rica vida cultural e intelectual compartilhada com muçulmanos e cristãos.
  • 2.2 O Antissemitismo na Reforma: Calvino e Lutero.
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  • Em 31 de outubro, os cristãos - ou, para ser mais preciso, os cristãos protestantes, com surpreendente apoio do Vaticano - celebram os 500 anos da Reforma, quando a história diz que o monge alemão e professor Martinho Luther pregou suas 95 teses na porta da igreja do castelo em Wittenberg, iluminando assim o estopim que separava a cristandade europeu.
  • Importa muito mais do que se poderia pensar, porque não era só a religião, mas a política, a cultura e a economia que mudariam profundamente a Europa. No documento, Lutero tornou pública sua condenação da venda de indulgências - dinheiro pago para reduzir o tempo gasto no purgatório, uma espécie de sala de espera antes do céu, por parentes e amores. Mas essa disputa acadêmica foi além disso, e foi um manifesto de crítica dirigida ao catolicismo romano (WALKER, 2006, p.557). A história, por assim dizer, recebeu uma reinicialização.
  • Há muita coisa positiva sobre Lutero. Ele libertou as pessoas do controle rígido da igreja, deu energia impecável à ideia do relacionamento do indivíduo com Deus e trabalhou para eliminar a corrupção e a superstição. De muitas maneiras, ele foi um pioneiro não apenas da mudança religiosa, mas da modernidade.
  • Ele começou como um defensor do povo judeu, argumentando com razão que eles tinham sido maltratados pela Igreja Católica Romana, e erroneamente que eles, se apresentados com o que ele considerava um cristianismo mais autêntico, certamente se converteriam. Em 1523, ele escreveu um ensaio intitulado “Que Jesus nasceu judeu”, condenando o fato de que a igreja tratou os judeus como se fossem cães, e não seres humanos; eles fizeram pouco mais que ridicularizá-los e apreender suas propriedades.
  • Mas os judeus não se converteram e Lutero reagiu espantosamente. Em 1543, ele publicou "Os Judeus e Suas Mentiras", que hoje é chocante em seu veneno, e até mesmo para o seu tempo se destacou como particularmente cruel e intolerante ((LIETH, PFLAUM; 2014, p.15). No tratado, ele pede uma litania de horrores, incluindo a destruição de sinagogas, escolas e lares judaicos; para os rabinos serem proibidos de pregar; para desnudar a proteção legal dos judeus nas estradas; para o confisco do seu dinheiro. Os judeus são, escreveu Lutero, uma “base de pessoas que se prostituem, isto é, nenhum povo de Deus, e seu orgulho de linhagem, circuncisão e lei devem ser considerados como sujeira”.
  • Alguns de seus defensores afirmaram que Lutero era velho e doente quando escreveu isso, ignorando o fato de que ele viveu mais três anos depois do ensaio e que a maioria de nós fica levemente mal-humorada quando nos sentimos mal, não como genocidas. Além disso, Lutero também conseguiu expulsar os judeus da Saxônia e de algumas cidades alemãs já em 1537.
  • Calvino também demonstrou um antissemitismo, apesar de adotar dos judeus sua maneira de interpretar as escrituras, rompendo com o método alegórico medieval, que em muitas das vezes era utilizado para afrontar e uma ferramenta contra os judeus, não eliminou em Calvino o sentimento antissemitismo. Possivelmente por manter uma leitura e um discurso escatológico amilenistas.
  • Na verdade Calvino mantinha uma conduta ambígua a respeito dos judeus, no seu comentário do Salmo 59 se distancia de Agostinho, que também fez um comentário deste Salmo, como apologia para perseguir os judeus. Calvino não lê este salmo como uma profecia de Paixão de Cristo; daí ele também não identifica os inimigos neste salmo com os judeus.
  • Em vez disso, ele lê-lo completamente dentro do contexto da vida histórica de David, onde os inimigos são literalmente Saul e seus homens que estão tentando matar Davi. Ao longo de sua exegese do Salmo 59, Calvino expõe Davi como um exemplo de fidelidade digna do Imitação da igreja cristã. Assim, no verso crucial "Não os mates, para que meu povo não esquece ” (Sal 59:11), Calvino não associa isso a um mandato sobre como a igreja deveria tratar os judeus. Em vez disso, ele usa para ensinar a igreja que Deus às vezes retarda a libertação para que a igreja possa aprender paciência, fé e não esquecer tudo o que Deus faz por eles. Calvino faz uma breve menção dos judeus aqui, e esta é a única vez que ele menciona os judeus em sua exegese deste salmo.
  • Consequentemente, a exegese anti-judaica comumente encontrada em muitas interpretações dos salmos é inexistente nas leituras de Calvino sobre eles.
  • Curiosamente, uma coisa que aqueles que defendem o judaísmo de Calvino deixam de fora; e não é amplamente conhecido, é que Calvino era ele mesmo muitas vezes ferozmente antissemita e usava 'judeu' e 'judaizante' como termos de maior desprezo, o que contrasta diretamente com o filo-semitismo do calvinismo posterior. (POLIAKOV, 2003, p. 71-2) Ele até escreveu um tratado anti-judaico intitulado 'Ad quaestiones et obiecta Judaei cuiusdam Responsio'.
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  • 2.3 O Antissemitismo Moderno.
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  • Neste período verificaremos uma transformação do sentimento antissemitismo, ele vai perdendo força religiosa, devido o anticlericalismo, para um aspecto mais xenofóbico, e até mesmo científico.
  • O fim da Idade Média trouxe pouca mudança na posição dos judeus na Europa, e os judeus permaneceram sujeitos a massacres ocasionais, como os que ocorreram durante as guerras entre os ucranianos ortodoxos orientais e os católicos romanos em meados do século XVII, que rivalizavam com os piores massacres de judeus na Idade Média. Perseguições periódicas de judeus na Europa Ocidental continuaram até o final do século XVIII, quando o Iluminismo mudou de posição, pelo menos no Ocidente. Isso não reduz necessariamente o antissemitismo, embora os principais números do Iluminismo tenham defendido a luz da razão ao desacreditar o que eles consideravam superstições da crença cristã, seu pensamento não levou a uma maior aceitação dos judeus. Em vez de responsabilizar os judeus pela crucificação, os pensadores do Iluminismo os culparam pelo advento do cristianismo e pelas injustiças e crueldades cometidas pelos seguidores das religiões monoteístas. Alguns dos mais proeminentes, incluindo Denis Diderot e Voltaire, criticaram os judeus como um grupo alienado da sociedade que praticava uma religião primitiva e supersticiosa.
  • Até o Revolução Francesa de 1789, o status dos judeus na Europa permaneceu tênue, tratados como estranhos, eles tinham poucos direitos civis. Eles foram taxados como uma comunidade, não como indivíduos. A exclusão da sociedade reforçou sua identidade religiosa e fortaleceu suas instituições comunais, que desempenhavam funções judiciais e quase governamentais. Na Revolução Francesa, com sua promessa de liberdade, igualdade e fraternidade, os direitos de cidadania foram estendidos aos judeus. Ainda assim, o respeito e os direitos estavam condicionados à disposição dos judeus de abandonar seus antigos costumes e sua identidade comunitária. Este era o significado do slogan “Para os judeus como indivíduos tudo, para os judeus como povo, nada” (JOHNSON, 1989, p.368).
  • A França foi a vanguarda do movimento que deu igualdade cívica e legal aos judeus. A conquista de Napoleão dos estados alemães levou à emancipação em alguns deles, mas após sua derrota, os judeus enfrentaram uma série de reveses legais. A total emancipação dos judeus em toda a Alemanha veio apenas com a unificação da Alemanha em 1871.
  • Mesmo na própria França, a emancipação não acabou com o antissemitismo, mas apenas o transformou. Com o surgimento do nacionalismo como o fator determinante na sociedade europeia no século XIX, o antissemitismo adquiriu um caráter racial e não religioso, uma vez que os povos etnicamente homogêneos condenaram a existência em seu meio de elementos judaicos “estrangeiros”. Teorias pseudocientíficas que afirmam que os judeus eram inferiores aos chamados A “raça” ariana deu ao antissemitismo nova respeitabilidade e apoio popular, especialmente em países onde os judeus podiam ser feitos bodes expiatórios para as queixas sociais ou políticas existentes. Nesse novo clima, o antissemitismo tornou-se uma poderosa ferramenta política, como os políticos descobriram rapidamente.
  • Enquanto as filosofias fundamentais do movimento sionista existem há centenas de anos, o sionismo moderno se estabeleceu formalmente no final do século XIX. Naquela época, os judeus em todo o mundo enfrentavam um crescente antissemitismo.
  • Alguns historiadores acreditam que uma atmosfera cada vez mais tensa entre judeus e europeus pode ter desencadeado o movimento sionista. Em um incidente de 1894, um oficial judeu do exército francês chamado Alfred Dreyfus foi falsamente acusado e condenado por traição. Este evento, que ficou conhecido como o “ Caso Dreyfus ”, provocou indignação entre o povo judeu e muitos outros (JOHNSON, 1989, p.393).
  • O sionismo moderno foi oficialmente estabelecido como uma organização política por Theodor Herzl em 1897. Um jornalista judeu e ativista político da Áustria, Herzl acreditava que a população judaica não poderia sobreviver se não tivesse uma nação própria.
  • Após o caso Dreyfus, Herzl escreveu Der Judenstaat (O Estado Judeu), um panfleto que pedia o reconhecimento político de uma pátria judaica na área então conhecida como Palestina.
  • Em 1897, Herzl organizou o Primeiro Congresso Sionista, que se reuniu em Basileia, na Suíça. Ele também formou e se tornou o primeiro presidente da Organização Sionista Mundial.
  • Embora Herzl tenha morrido em 1904 - anos antes de Israel ser oficialmente declarado estado - ele é frequentemente considerado o pai do sionismo moderno.
  • Em 1917, o secretário de Relações Exteriores britânico Arthur James Balfour escreveu uma carta ao Barão Rothschild, um líder rico e proeminente da comunidade judaica britânica.
  • Na breve correspondência, Balfour expressou o apoio do governo britânico ao estabelecimento de um lar judaico na Palestina. Esta carta foi publicada na imprensa uma semana depois e acabou se tornando conhecida como a “ Declaração Balfour ”.
  • O texto foi incluído no Mandato da Palestina - um documento emitido pela Liga das Nações em 1923 que deu à Grã-Bretanha a responsabilidade de estabelecer uma pátria nacional judaica na Palestina controlada pelos britânicos. (JOHNSON, 1989, p.402)
  • Os deslocamentos econômicos e políticos generalizados causados ​​pela Primeira Guerra Mundial intensificaram notavelmente o antissemitismo na Europa depois da guerra. Além disso, os muitos líderes bolcheviques judeus na Revolução Russa de novembro de 1917 deram aos antissemitas um novo foco para seus preconceitos na ameaça do "bolchevismo judaico". Na Alemanha do pós-guerra, os antissemitas uniram forças com nacionalistas revanchistas, na tentativa de culpar os judeus pela derrota daquele país. Na Europa Oriental, o antissemitismo se espalhou na Polônia, Hungria e Romênia no período entre guerras.
  • A tempestade de violência antissemita solta pela Alemanha nazista sob a liderança de Adolf Hitler de 1933 a 1945 não só atingiu uma intensidade aterrorizante na própria Alemanha, mas também inspirou o mesmo movimento em outros lugares. O antissemitismo foi promulgado na França pelo Cagoulards (francês: “Hooded Men”), na Hungria pelo Arrow Cross, na Inglaterra pelo União Britânica dos Fascistas e nos Estados Unidos pela Bund germano-americano o Camisas de Prata (MESSADIÉ, 2003, p. 289).
  • Na Alemanha nazista, o antissemitismo atingiu uma dimensão racial nunca antes experimentada. O cristianismo buscou a conversão dos judeus, e os líderes políticos da Espanha à Inglaterra buscaram sua expulsão porque os judeus eram praticantes do judaísmo, mas os nazistas - que consideravam os judeus não apenas como membros de uma raça subumana, mas como um perigoso câncer que destruiria, o povo alemão - procurou a "solução final para a questão judaica”, o assassinato de todos os judeus - homens, mulheres e crianças - e sua erradicação da raça humana. Na ideologia nazista que percebia que o judaísmo era biológico, a eliminação dos judeus era essencial para a purificação e até a salvação do povo alemão (MESSADIÉ, 2003, p. 328).
  • O extermínio dos judeus pelo nazismo, e seus afluentes na Europa, durante a Segunda Guerra, proporcional a maior catástrofe judaica na história, que culminou na necessidade do surgimento do novo estado, da velha pátria, Israel.
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  • 3. O DISPENSACIONALISMO COMO UMA PROPOSTA CONTRA O ANTISSEMETISMO.
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  • Sob a liderança do papa (mais tarde santo) João XXIII e do Concílio Vaticano II, a Igreja Católica Romana aceitou a legitimidade do judaísmo como uma religião contínua. e exonerou os judeus pelo assassinato de Jesus Cristo, sem dúvida o documento mais importante nas relações cristão-judaicas no século 20 também mudou a liturgia da Sexta-feira Santa para torná-la menos inflamatória em relação aos judeus e alterou o catecismo católico romano. Em 2007, no entanto, Papa Bento XVI aprovou o uso mais amplo da antiga missa em latim, que incluía a liturgia da Sexta-Feira Santa e uma oração que a maioria dos judeus achava ofensiva. Embora a oração tenha sido revisada em 2008 para tratar das preocupações judaicas, alguns argumentaram que ela ainda era prejudicial.
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  • Uma peça central do papado de João Paulo II, que testemunhou o Holocausto diretamente quando jovem na Polônia, foi a luta contra o antissemitismo e sua adoção dos judeus. O papa fez uma visita histórica a uma sinagoga em Roma em 1986 e, sob sua liderança, o Vaticano estabeleceu relações diplomáticas com o Estado de Israel em 1993, logo após a conclusão do acordo de paz de Oslo entre Israel e a Organização de Libertação da Palestina. Em março de 2000, o pontífice visitou Israel. No Yad Vashem, memorial de Israel ao Holocausto, ele descreveu o antissemitismo como anticristão por natureza e pediu desculpas por casos de preconceituosos por parte dos cristãos. No Muro das Lamentações, o local mais sagrado do judaísmo, ele inseriu uma nota de oração de desculpas por erros cristãos passados.
  • Mas antes de tudo isto acontecer, no protestantismo, início do século XX e final XIX, começou um movimento hermenêutico e histórico, sobre as profecias bíblicas, principalmente as relacionadas com Israel, e também sobre os eventos escatológicos, que agora traz dois principais eixos, primeiro que os eventos futuros não é apenas uma Parousia de Jesus e culminando todas as coisas, conforme o Amilenismo, surge e recupera o pré-tribulacionismo dos pais da Igreja.[1]
  • O segundo eixo, é a relação Igreja e Israel, surge uma dicotomia em que ambos fazem parte dom plano de Deus para com a humanidade, e com o futuro. Israel não foi abandonada definitivamente por Deus como cria a igreja, e muitos creem ainda, principalmente os que seguem a linha Teologia da Substituição. Mas há ainda uma restauração dos propósitos de Deus com Israel, e os Dispensacionalista atribuem a retomada deste propósito durante a denominada Grande Tribulação.
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  • 3.1. Definindo o Dispensacionalismo.
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  • Existem várias definições do sistema de interpretação bíblica que é chamado de dispensacionalismo. Talvez a maioria esteja satisfeita em usar a conhecida definição de Scofield: Uma dispensação é um período de tempo durante o qual o homem é testado com respeito à obediência a uma revelação específica da vontade de Deus. Existem sete dispensações diferentes nas Escrituras. (Bíblia Sagrada de Scofield, p.44). Certamente não podemos em duas frases descrever tudo o que está incluído no sistema em referência. Há aqueles que criticam o conceito de tempo na definição de Scofield porque não é encontrado no significado da palavra dispensação na Bíblia. Uma definição sem a ideia de período de tempo é dada por Ryrie “uma dispensação é uma economia, ou administração, distinguível no cumprimento do propósito de Deus” (RYRIE, 2000, p. 22).
  • Teologia Dispensacional pode ser definida muito simplesmente como um sistema de teologia que tenta desenvolver a filosofia da história da Bíblia com base no governo soberano de Deus. Ele representa o todo da Escritura e da história como sendo coberto por várias dispensações do governo de Deus, o termo dispensação no que se refere à Teologia Dispensacional pode ser definido como “um modo particular de Deus administrar Seu governo sobre o mundo à medida que Ele trabalha progressivamente em Seu propósito para a história mundial (RYRIE, 2000, p. 24).
  • A dispensação é dada como uma revelação direta de Deus em cada período, e as dispensações combinadas abrangem toda a história do homem. A Revelação nas Escrituras fornece ao homem conhecimento sobre a maneira específica pela qual Deus está administrando os assuntos mundiais naquele período da história.
  • Cada dispensação específica revela a vontade de Deus, ao que o homem recebe certas exigências e responsabilidades e espera ordenar sua conduta em obediência à vontade de Deus. Os requisitos e responsabilidades dados em uma dispensação podem ou não continuar na próxima dispensação. Por exemplo, a pena de morte estabelecida no Pacto de Noé por Deus (Gênesis 9: 5-6) sob a dispensação do Governo Humano continuou sob a dispensação da Lei (RYRIE, 2000, p. 25).
  • Em segundo lugar, a Teologia Dispensacional aplica as regras interpretativas tradicionais da hermenêutica (ciência e arte da interpretação da Bíblia) com uma interpretação literal do texto bíblico. Por literal significa "estudar o texto em seu contexto gramatical, histórico e cultural dentro do contexto da passagem, a fim de entender o que o escritor está ensinando" (VLACH, 2016, p. 55). O não-Dispensacionalista espiritualiza ou alegoriza o texto da Escritura (especialmente profético), não fornecendo ao leitor o significado original pretendido pelo escritor. Isto é especialmente verdadeiro quando se trata de profecias que lidam com a nação de Israel ou profecias mencionadas na escatologia (o estudo do fim dos tempos).
  • Terceiro, o Dispensacionalista reconhece que Israel e a igreja devem ser identificados como entidades distintas ou separadas no plano e programa de Deus. A identidade de Israel é definitivamente vista no Novo Testamento como um povo étnico que permaneceu intacto ao longo dos séculos. Israel verá promessas não cumpridas feitas a eles em Abraão, Terra, Davi e Novas Alianças, cumpridas na volta de Cristo, quando estabelecer seu reino na Terra e tomará assento no trono de seu pai Davi, e reinará sobre a casa. de Jacó para sempre (Lucas 1: 32-33).
  • Quarto, a igreja não deve ser interpretada como substituindo Israel como o povo de Deus. As Escrituras ensinam claramente que Jesus está vindo para governar as nações do mundo, e a nação de Israel terá um papel definido no reinado de Cristo (Isaías 2: 2-4). O Novo Testamento muitas vezes se refere ao Israel literal e físico depois que a igreja foi estabelecida em Atos 2. Paulo frequentemente mencionou o cumprimento do programa de Deus para a nação literal de Israel que ainda se tornaria realidade em Romanos 9-11.
  • A teologia Dispensacionalista não apóia a ideia de que Israel é apenas uma sombra e um tipo que são reinterpretados quanto ao seu cumprimento literal, uma vez que Jesus forneceu nova revelação que está registrada no Novo Testamento. A revelação do Novo Testamento não reinterpreta, anula, nem cancela o significado original da revelação do Antigo Testamento. Ao contrário, o Novo Testamento continua a revelação sobre Israel e refina, reitera e afirma o cumprimento literal das promessas do Antigo Testamento a Israel em ambos os adventos de Jesus Cristo.
  • E é neste ponto que pretenderemos nos ater na nova perspectivas da Igreja em relação a Israel, pois a partir deste, começa uma crítica ao antissemitismo, e uma restauração de Israel nos planos de Deus, elevando assim Israel novamente como um povo especial.
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  • 3.2. História e Desenvolvimento do Dispensacionalismo.
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  • Embora o ensino Dispensacionalista não aparecesse como uma doutrina bem pensada na igreja primitiva, as crenças básicas nas dispensações bíblicas eram ensinadas pelos Padres da Igreja. Homens como Justin Mártir (110-165); Irineu (130-200); Clemente de Alexandria (150-220); Pelagio (360-420); e Agostinho (354-430) falou de dispensações dentro da Bíblia. Dito isto, não deve ser interpretado que os Padres da Igreja acreditavam nas dispensações da mesma forma que o termo é usado hoje. A questão é que esses homens e outros viram divisões dispensacionais dentro das Escrituras. Outros homens do século, como Pierre Poiret (1646-1719), Jonathan Edwards (1637-1716), Issac Watts (1674-1748), John Nelson Darby (1800-1882) e CI Scofield (1843-1921), entre muitos outros, promoveu o ensino dispensacional da Bíblia.
  • O início do dispensacionalismo sistematizado está geralmente ligado a John Nelson Darby (1800-1882), um ministro dos Irmãos de Plymouth. Enquanto na Universidade de Trinidad, em Dublin (1819), Darby passou a acreditar em uma restauração e futura salvação do Israel nacional. Baseado em seu estudo de Isaías 32, Darby concluiu que Israel, em uma futura dispensação, desfrutará das bênçãos terrenas que eram diferentes das bênçãos divinas experimentadas pela igreja. Desta forma, ele viu uma distinção óbvia entre Israel e a igreja. Darby também passou a acreditar no "iminente" rapto da igreja que é seguido pela septuagésima semana de Daniel, na qual Israel seria novamente o centro do palco no plano de Deus. Depois desse período, Darby acreditava que haveria um reino milenar no qual Deus cumpriria suas promessas incondicionais a Israel.
  • Darby propôs o esquema do dispensacionalismo notando que em cada dispensação classifica o homem sob a rubrica de alguma condição; O homem tem uma certa responsabilidade perante Deus. Darby também notou que cada dispensação termina em fracasso.
  • Darby viu sete dispensações: (1) Condição do Paraíso até o Dilúvio; (2) Noé; (3) Abraão; (4) Israel; (5) os gentios; (6) o Espírito; e (7) o milênio. Por seu próprio testemunho, Darby diz que sua teologia Dispensacionalista foi completamente formada em 1833.
  • O Dispensacionalismo ganhou forma no Movimento dos Irmãos no início do século XIX na Grã-Bretanha. Aqueles dentro do movimento Irmãos rejeitou um papel especial para o clero ordenado e destacou o espiritual dotado de crentes comuns e sua liberdade sob a orientação do Espírito, para ensinar e admoestar cada pela Escritura. Os escritos do Movimento dos Irmãos tiveram um amplo impacto sobre o protestantismo evangélico e influencia a diversos ministros nos Estados Unidos como DL Moody, James Brookes, JR Graves, AJ Gordon, e CI Scofield.
  • CI Scofield, um participante convenções Niágara, formado um painel de professores da Bíblia em 1909 e produziu o que ficou conhecido como a Bíblia de Scofield Reference. Este trabalho tornou-se famoso nos Estados Unidos com suas notas teológicas ao lado da Escritura. Esta referência bíblica tornou-se a influência última na extensão do dispensacionalismo.
  • Depois da Primeira Guerra Mundial, muitas escolas bíblicas dispensacionais foram formadas. Dirigido pelo Seminário Teológico de Dallas (1924), o dispensacionalismo começou a ser promovido em contextos formais e acadêmicos. Sob Scofield, o dispensacionalismo introduziu um período escolar que foi posteriormente levado adiante por seu sucessor, Lewis Sperry Chafer. Uma maior promoção do dispensacionalismo ocorreu quando a Teologia Sistemática de oito volumes de Chafer foi escrita.
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  • 3.3. Israel e Igreja.
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  • Nos primeiros séculos, os pais da igreja, começando por Orígenes (185-254 dC), usaram um método alegórico de interpretação. O método alegórico não interpretou as escrituras literalmente. Ele procurava um significado espiritual mais profundo.
  • Como isso afeta nosso tópico de estudo? Quando Deus faz uma promessa a Israel no Antigo Testamento, o método alegórico permite ao intérprete espiritualizá-lo e dizer que não era uma promessa que seria literalmente cumprida. Em vez disso, foi cumprido de maneira espiritual na igreja.
  • Mais tarde, Constantino, o imperador romano que estabeleceu o cristianismo como religião universal, envolveu-se nos assuntos da igreja. Em sua carta às igrejas sobre a controvérsia da Páscoa, ele se referiu aos judeus como “miseráveis ​​poluídos”, cujas mãos estavam “manchadas… com um crime nefasto”, “parricídios e assassinatos de nosso Senhor” .6 Em uma carta para as igrejas sobre o tempo correto para observar a Páscoa, escreveu ele, “nos torna a não ter nada em comum com os pérfidos judeus”.
  • A partir destas palavras a igreja estatal assume a prerrogativa de ter substituído definitivamente a nação de Israel, nos propósitos de Deus, o antissemitismo que já havia na igreja ganha força política e desenvolve uma perseguição como vimos nos tópicos anteriores.
  • Os dispensacionalístas se distinguem dos não dispensacionalístas (que defendem a denominada Teologia da Substituição), no sentido de que reconhecem as claras distinções bíblicas entre Israel e a Igreja. As seguintes distinções estão embasadas nos claros ensinos das Escrituras, quando interpretadas em sentido claro, normal e literal. Por exemplo, os não dispensacionalístas se horrorizam diante do pensamento de que os antigos sacrifícios de animais serão praticados no Reino Messiânico, mas isto foi o que os profetas do Antigo Testamento predisseram.
  • A teologia da substituição radical representa no espectro o extremo oposto da posição dos dois pactos. Em vez de falar de um distinto relacionamento pactual entre Deus e Israel que continua mesmo depois da vinda de Cristo e da proclamação do evangelho às nações, a teologia da substituição sustenta que o programa e o interesse de Deus em Israel cessaram.
  • Enquanto o dispensacionalismo ensina que Deus está atualmente focado na igreja cristã, os crentes nesta teologia afirmam que, quando os últimos dias chegarem, Deus trará o povo judeu de volta a Israel, onde reconstruirão o templo e, finalmente, aceitarão Jesus como o Messias legítimo. Isso desencadeará o retorno de Jesus e seu reinado.
  • O teólogo que desenvolveu a mais completa distinção entre Israel e Igreja foi Schafer, Fundador do Dallas Theological Seminary, e a partir de seus comentários faremos uma breve análise de sua posição desta distinção.
  • CHAFER encontrou “Vinte e quatro contrastes devem ser indicados” (2003, 413), dedicaremos algumas que consideraremos as mais importantes, primeiro quanto ao destino “Israel será uma nação respeitada na terra, quando ela for recriada. Todo pacto ou promessa para a Igreja é para uma realidade celestial, e ela continuará na cidadania celestial quando os céus forem recriados.” (2003, 413).
  • A dualidade, segundo Chafer, inicia em Abraão “Em razão do fato de Abraão ser não somente o progenitor da nação da promessa, mas também o padrão de um cristão sob a graça, é significativo que haja duas figuras empregadas por Jeová a respeito da descendência de Abraão - o pó da terra (Gn 13.16), e as estrelas do céu (Gn 15.5; cf. Hb 11.12).” Neste caso o pó da terra seria Israel nacional, e estrela se referindo a Igreja.
  • Outra distinção levantada é quanto sua origem, “Os israelitas se tornam o que são pelo nascimento físico”, enquanto para a Igreja “Os cristãos se tornam o que são pelo nascimento espiritual” (2003, 414).
  • Com respeito a proclamação Chafer apresenta dois sistema de levar as nações a conversão “Israel foi designado para exercer uma influência sobre as nações da terra (cf. SI 67.1-7)”, uma ação centrípeta, enquanto a igreja centrífuga “a Igreja tornou-se uma sociedade missionária para todo o mundo.” (2003, 415).
  • Quanto ao sacerdócio “A nação de Israel tinha um sacerdócio. A Igreja é um sacerdócio.” (2003, 418).
  • A respeito do Milênio “Aqueles da nação eleita são designados para serem súditos do Rei em seu reino terrestre (Ez 37.21-28), enquanto que aqueles que compõem a Igreja devem reinar com o Rei, como seu Consorte naquele reino (Ap 20.6).” (2003, 418).
  • Diante do que foi exposto acima, fica claro que Israel e Igreja pertencem a dois propósitos de Deus de forma distinta para com a humanidade e nas nações.
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  • 3.4 O Dispensacionalismo e Reação Contra o Antissemitismo.
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  • Os dispensacionalístas se deliciam com o restabelecimento de Israel em 1948 como nação. Eles se alegram com o grande número de judeus que já voltaram e retornarão a Israel. Eles encorajam alegremente as políticas israelenses modernas que atraem os judeus de volta à Terra. Os entusiasmados procuram a reconstrução do templo judeu - por judeus que retornaram à terra de Israel.
  • Por exemplo, a  Bíblia de Estudo da Profecia de Tim LaHaye  exulta: “o reagrupamento de um povo uma vez espalhado entre as nações do mundo é evidenciado que Deus está trabalhando no cumprimento de Sua palavra profética” (p. 1080). Na mesma página continua: “a evidência mais empolgante e documentada de que o retorno do Senhor pode estar próximo é a atividade em torno dos preparativos para a reconstrução do templo no Monte do Templo em Jerusalém”.
  • O dispensacionalismo faz uma forte denúncia contra os movimentos antissemitas, mesmo entre os protestantes, o Dispensacionalismo que é nos E.U.A. muito forte nos calvinistas e presbiterianos, no Brasil não encontramos entre os presbiterianos uma perspectiva Dispensacional, possivelmente Ashbel Green Simonton fosse Amilenista.
  • Enquanto nas Igrejas Pentecostais brasileiras, que tem nas Assembleias de Deus sua matriz teológica, há uma forte tendência ao dispensacionalismo, pois o dispensacionalismo foi estabelecido pelo missionário sueco Samuel Nystrom em 1922. Por isto uma forte teologia favorável a Israel. Desta sorte podemos verificar uma ausência plena de qualquer rancor judaico, e antissemita no movimento pentecostal.
  • Por seu envolvimento com pastores evangélicos que defendem um dispensacionalismo, temos um primeiro presidente favorável a Israel, eleito no pleito de 2018, e que já anunciou a transferência da embaixada para Jerusalém.
  • Este fator foi influenciado fortemente pelo calor da doutrina Dispensacionalista, o mesmo pode ser dito com relação ao presidente americano Trump, que também tem feito uma política a favor de Israel, mais estreita que os anteriores, que também eram a favor de Israel, todos influenciado pelo sistema Dispensacional.
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  • CONCLUSÃO
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  • Diante do que foi exposto podemos verificar que o antissemitismo que perdurou toda história de Israel, foi ocasionada pela Teologia da Substituição, teologia esta que trouxe morte, perseguição, horror, sofrimento a este povo. Na língua portuguesa o termo ‘judiar’, oriundo do antissemitismo, significa, me maltratar como um judeu, punir, feri como um judeu, por onde observamos o alto gral da perseguição aos judeus.
  • O dispensacionalismo não eliminou totalmente o antissemitismo, mas trouxe profunda mudanças no pensamento, que tem alcançado também esfera política, inclusive a Igreja Católica, a partir do Vaticano II, tem também reconhecido sua postura equivocada durante o Holocausto na Segunda Guerra Mundial.
  • Mas há ainda advertências a serem tomadas, devido uma compreensão exagerada da relação Igreja e Israel, muitas denominações tem lançado mão de um sistema judaico nas suas liturgias, tais como: adaptando as festas judaicas na sua agende anual, sacralizando objetos do Tabernáculo e do Templo no seu culto, construindo prédios em forma do Templo da Antigo Testamento. Muitos pastores se vestem das roupas sacerdotais conforme em Levítico, e por aí vai.
  • De qualquer maneira o dispensacionalismo tem contribuído, seja de forma direta ou indireta, na diminuição do antissemitismo, e atualmente Israel ainda sofre com preconceito, mas possui um lugar para se proteger, e se guardar das ameaças que vem sofrendo.
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  • BIBLIOGRAFIA
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  • [1] Para uma análise melhor, de PENTECOST, J. Dwight . Manual de Escatologia, capitulo 22, p. 313-334; 1999, ed Vida.



O COVID-19, QUARENTENA E A SAUDADES.


 

Devido o medo que o vírus COVID-19 trouxe, para a humanidade, quase a totalidade das nações preferiram tomar uma medida de quarentena, é claro em uma sociedade pós-moderna (ou hipermoderna, ou moderna), existe uma diversidades de opiniões sobre esta medida, a favor, contra, restrita, e assim vai.

Tudo com uma finalidade o de proteger o ser humano, é claro que também houve oportunismo por parte de alguns de teor político de criar algum situação, sim,  mas não é nossa intenção aqui.

O COVID-19 obrigando a sociedade de tomar outras medidas além do isolamento o da higiene redobrada, o do cuidado não só de si, mas a do ente querido, com a possibilidade de estar entre aqueles mais propenso a adquirir, não somente a doença, mas pro estar no grupo de risco de torna-se vítima deste terrível vírus.

Diante disto o COVID-19 trouxe isolamento, mas também muitas das práticas que gostamos formam suspensas, e com isto surge uma saudade de praticá-la.

Um show que não vamos assistir presencialmente, ficando apenas com os vídeos deste nas nossas telas, seja do celular, ou TV, e também no computador. As viagens que foram canceladas, o parque do filho agora vazio, o passeio com cachorro, uma pizzaria com amigos, as visitas de familiares, e amigos.

Também o nosso time preferido não podendo ve-los jogar (Ha, meu mengão!), aniversários que foram adiados, o cinema que foi suspenso, o shopping de “bater canela” ficou para trás. O pátio da escola com meus amigos de estudo, as salas de aulas cheias de novidades, a presença física do nosso professor predileto, ou aqueles de menor afinidade, agora foram suspensos, e nos trazem um sentimento de nostalgia, de saudades. E muitas outras coisas. É claro que muitas pessoas furaram este bloqueio, mas algumas destas coisas não podem ser feitas.

Mas a pior saudade que o COVID-19 trouxe, e esta será imensamente difícil de superar, foi o de amigos, pais, filhos, mães, irmãs, tios, tias, colegas, que o vírus levou, perdas irreparáveis, mesmo que tudo volte ao normal, esta saudade se perpetuará para sempre em esposas agora viúvas, filhos agora órfão, mães desfilhados, o amigo confidente e conselheiro deixando um vácuo que dificilmente será substituído, uma convivência estacionada, agora de forma definitiva. O choro solitário que trará marcas profundas, pois não puderam ser consoladas devido o isolamento. Foi-se um, fica a enorme saudade!

O COVID-19 trouxe perdas banais, outras bem consistentes, mas algumas para sempre. Algumas pessoas retomarão suas atividade cotidianas, outras um recomeço econômico, profissional, mas algumas será mais difícil, mais dolorosa, pois recomeça sob uma falta e perdas quase irreparáveis.

Que palavras temos para estas pessoas? O que podemos dizê-las? Não há o que dizer, apenas nossas orações para que todos aqueles que estão com esta saudade triste nos seus corações, possam continuar uma existência que agora torna-se dolorosa.

Deus os ajude.


ECLESIOLOGIA: OS DESAFIOS DA IGREJA NO SÉCULO XXI


Quando a Igreja é de fato diferente do mundo, ela invariavelmente o atrai. É nesse momento que o mundo começa a prestar atenção a sua mensagem, embora possa, em um primeiro momento, odiá-la.

D. Martin Lloyd-Jones

INTRODUÇÃO

Quando estudamos a história da teologia descobrimos que de momento a momento uma doutrina entra em crise, ganhando notoriedade no debate teológico, muitas das vezes promovidas por situações hermenêutica, ou na busca de definir seu conteúdo.

O que não se pode negar é que toda apostasia começa com uma mudança na mente e no coração, uma progressiva transformação que vai corroendo as convicções e minando as resistências mentais e espirituais, até que uma completa metamorfose — para fora da fé — venha a ocorrer. Uma vez transformado, o apóstata se empenha em oferecer justificativas, quer apelando para o argumento de que as revoluções são algo natural e desejável, quer rompendo abertamente com alguns pontos centrais do cristianismo histórico, nos quais antes acreditava. O próximo passo é assumir um estado de perpétuo abandono das verdades bíblicas, aliado à total carência de fundamentos em que possa sustentar suas convicções. Precisamos ficar com o lema da Reforma, segundo o qual a Igreja está constantemente se reformando e, com ela, seus membros. Todavia, há que se ressaltar que isso sempre se dá à luz da Palavra de Deus.

Sempre ocorreram no seio da igreja controvérsias, oposições a fé cristã, e isto já ocorria no tempo apostólico, e perduro na estrada percorrida da história da igreja, o mesmo ocorre atualmente, nesta primeira parte veremos algumas das controvérsias que a igreja enfrentou.

Uma das primeiras controvérsias que encontramos podem se observada na epístola aos gálatas de Paulo, em que judeus ortodoxos exigiam a observação das tradições judaicas também entre os gentios. Depois vieram os docetismos, gnosticismo, Ireneo, bispo de Lião, que viveu durante a segunda metade do século II, ressaltou que o apóstolo João escreveu seu Evangelho com o propósito específico de refutar os pontos de vista docetistas do líder Cerinto. Nas suas epístolas, João ainda mais claramente adverte contra a heresia do docetismo, a cujos mestres define como “anticristo” (1Jo 2:18-26; 4: 1-3, 9, 14; 2Jo 7, 10). Pedro e Judas combatem também falsos ensinadores, havia aqueles que negavam as promessas divinas IIPe 3.

Monarquianismo

O monarquianismo (Lit. um “monarca” é um “governante único”) fazia ressaltar a unicidade da Deidade. Foi uma reação contra os muitos deuses dos gnósticos e contra os dois deuses de Marcion. Porém, como movimento reacionário, o monarquianismo foi ao extremo oposto, e como resultado, tornou-se uma heresia que a igreja se viu em necessidade de condenar. Segundo Nicholl (1992), a ênfase do monarquianismo serviu, até certo ponto, para eliminar da igreja os ensinos gnósticos. Porém, essa solução teria trazido quase tanto mal como a heresia que buscava combater. A luta contra o monarquianismo começou para fins do século II e continuou até os dias do século III. Houve duas classes de monarquianos: os dinamistas (termo que provém de uma palavra grega (dínamos) que significa “poder”), os quais ensinavam que um poder divino animava o corpo humano de Jesus[1], e os modalistas, que concebiam um Deus que se revelou em diferentes formas.

Nos dias do século III, Orígenes propôs a teoria da “geração eterna”. Segundo ela, só o Pai é Deus no sentido mais excelso. De acordo com Orígenes, o Filho é coeterno com o Pai, mas é “Deus” só em um sentido derivado. Orígenes acreditava que a alma de Cristo preexistiu, mas foi diferente de todas as outras por ser pura. O Logotipos, ou Verbo divino, cresceu em indissolúvel união com a alma humana de Jesus. Distinguindo entre theós (Deus) e ho theós (o Deus) de João1:1,[2] Orígenes chegou à conclusão de que o Filho não é Deus em um sentido primitivo e absoluto, podendo ser “Deus” só em virtude de ter recebido um grau secundário de divindade que poderia chamar-se theós, mas não ho theós. Ficaria, pois, Cristo na metade do caminho existente entre as coisas criadas e as que não o são.

Arianismo.

No início do século IV Ário, um dos líderes da Igreja da Alexandria, aceitou a teoria do Orígenes quanto aos Logotipos, embora não reconhecesse nenhuma substância intermediária entre Deus e os seres criados. Em razão disso, deduziu que o Filho não é divino em nenhum sentido da palavra a não ser estritamente uma criatura, embora a mais excelsa e primeira de todas, e que por isso, houve um tempo quando não existia. Ensinava também que só há um Ser (o Pai) a quem lhe pode atribuir uma existência atemporal, que o Pai criou ao Filho de um “nada” e que antes de ter sido gerado por um ato da vontade do Pai, o Filho não existia. Para Ário, Cristo tampouco era verdadeiramente humano porque não tinha uma alma humana, nem era verdadeiramente divino, porque lhe faltava a essência e os atributos de Deus.[3] Simplesmente, era o mais excelente de todos os seres criados. O homem Jesus, foi eleito para ser o Cristo em virtude de seu triunfo, que Deus reconheceu mediante sua submissão.

A controvérsia ariana foi motivo da reunião do Primeiro Concílio de Nicéia, em 325 d.C. Nesse Concílio, Atanásio se apresentou como “o pai da ortodoxia”, ao sustentar a fé na existência eterna de Jesus Cristo e Este que era da mesma essência do Pai. Aplicando a Cristo o termo homoóusios, (“mesma substância”), o Concílio afirmou sua crença de que ele é da única e mesma essência com o Pai. O Concílio também declarou anátema ao arianismo e declarou que não negava a unidade da Deidade quando defendia a Trindade, nem negava a Trindade quando defendia a unidade. Por isso, o Credo de Nicéia afirma que o Filho é do Pai Luz de Luz, Deus verdadeiro do Deus verdadeiro, gerado, não feito, consubstancial ao Pai. Abaixo, um transcrito de parte do Credo niceno:[4]

Nestorianismo.

Após o Concílio de Constantinopla, a atenção da igreja se voltou para o aspecto cristológico do problema da natureza e pessoa de Cristo. Tentou-se definir a natureza do elemento divino e do elemento humano em Cristo, e declarar a relação entre os dois. Como podiam coexistir duas naturezas pessoais em uma única pessoa?[5]

Essa fase da controvérsia se centralizou em duas escolas teológicas opostas, uma em Alexandria e a outra em Antioquia da Síria. Ambas reconheciam a verdadeira unidade da divindade e da humanidade em uma única pessoa: Jesus Cristo. A escola de Alexandria ressaltava a unidade das duas naturezas, mas destacava a importância da Deidade, ao passo que a escola da Antioquia ressaltava a distinção entre as duas naturezas e destacava a importância do aspecto humano. Os adeptos de Antioquia sustentavam que a divindade e a humanidade se relacionaram em uma coexistência constante e em uma cooperação, sem fundir-se realmente. Separavam as duas naturezas na pessoa de Cristo, declarando que não houve uma união completa a não ser só uma associação permanente. Faziam uma distinção radical entre Cristo como o Filho de Deus e Cristo como o Filho do homem, e reconheciam em forma mais clara a natureza humana. Concebiam a unidade das duas naturezas como se tivesse realizado mediante a unidade das vontades respectivas. Preservavam a realidade e a integridade da natureza humana de Cristo, mas colocavam em perigo a unidade da pessoa. Era uma união imperfeita, incompleta, indefinida e mecânica, na qual as duas naturezas não estavam realmente unidas em uma só pessoa dotada de consciência.[6] Por outra parte, os alexandrinos concebiam uma compenetração milagrosa e completa das duas naturezas, havendo-se fundido a humana com a divina e havendo-se subordinado aquela a esta. Dessa maneira, Deus entrou na humanidade, e por meio dessa união da Deidade e da natureza humana se fez possível que Cristo levasse a humanidade de novo a Deus.

O choque das duas escolas chegou a seu clímax na controvérsia nestoriana, a princípios do século V. Nestório de Antioquia aceitava a verdadeira divindade e a verdadeira humanidade, mas negava sua união em uma só pessoa autoconsciente. O Cristo dos nestorianos é em realidade duas pessoas que desfrutam de uma união moral afim. Entretanto, nenhuma delas está decisivamente influenciada pela outra. A Deidade não se humilha; a humanidade não se elogia. Há um Deus e há um homem, mas não há um Deus-homem.

O terceiro Concílio Ecumênico da igreja se reuniu no Éfeso, em 431, com o propósito de decidir a controvérsia existente entre as escolas da Antioquia e Alexandria. O concílio condenou ao Nestório e seus ensinos, mas não considerou necessário redigir um novo credo que substituísse ao Credo Niceno.[7] Em realidade, nada se decidiu nem realizou, exceto ampliar a brecha, e a controvérsia resultante tomou tais proporções que ficaram a um lado todos os outros problemas doutrinais.

Monofisismo.

Algum tempo após o Concílio de Éfeso outra teoria conhecida como monofisismo, ou eutiquianismo surgiu na Igreja. Esta se caracterizou por apresentar uma perspectiva de Cristo contrária ao nestorianismo. Seu principal expositor era Eutiques. Ele sustentava que a natureza humana original do Jesus se transformou na natureza divina no instante da encarnação, e com o resultado, o Jesus humano e o Cristo divino chegaram a ser uma só pessoa e uma só natureza. Afirmava a unidade da autoconsciência, mas segundo ele, as duas naturezas estavam fundidas de tal maneira, que, na prática, perdiam sua identidade individual. Em 451 d.C. se reuniu o Concílio da Igreja em Calcedônia com o propósito de se declarar acerca do nestorianismo e do monofisismo, e condenou a ambos. Tanto Nestório como Eutiques rejeitaram a decisão do Concílio, dando lugar a seitas independentes do Cristianismo da mesma maneira que Ário havia feito alguns anos antes.[8]

O Concílio da Calcedônia também afirmou a perfeita divindade e a perfeita humanidade de Cristo, sua mesma substância com o Pai quanto a sua natureza divina e consubstancial conosco quanto a sua natureza humana, mas sem pecado. O Concílio preservou a identidade de cada natureza e declarou que as duas eram distintas, sem mescla, imutáveis, indivisíveis, e inseparáveis. Além do mais, reconheceu a divindade, e não à humanidade, como a base da personalidade de Cristo. Pelo fato da pessoa de Cristo ser uma união de duas naturezas, se propôs que o sofrimento do Deus-homem foi em verdade, infinito; sofreu em sua natureza humana e não em sua natureza divina, mas a paixão foi infinita pelo motivo de que a sua pessoa é infinita.

Como resultado do Concílio da Calcedônia, o cisma no Oriente se intensificou. Finalmente, o imperador Justiniano, convencido de que a segurança do império requeria uma solução do problema, enclausurou permanentemente as escolas da Antioquia e Alexandria, os dois centros de controvérsia. No Segundo Concílio de Constantinopla, em 553, a igreja decidiu suprimir pela força o monofisismo, o qual se converteu em um cisma permanente e persistente até hoje em dia em seitas cristãs tais como os jacobitas, os coptos e os abisinios. Confirmando o Símbolo de Calcedônia, a Igreja realizou uma distinção definitiva entre a ortodoxia e a heterodoxia. Essas cristologias têm sido denominadas de descendente e ascendente.[9]

O que poderíamos falar dos Reformadores? Suas distintas ênfases ajudaram a expandir o todo teológico do movimento iniciado nas portas do Castelo de Wittenberg. Quantas questões discordavam Lutero, Calvino e Zwinglio?[10] E os arminianos com os calvinistas, no século XVII? Sem as tensões típicas das diferentes escolas soteriológica não teríamos talvez hoje a Remonstrância.

Humanistas e Reformadores. Luteranos e Pietistas. Arminianos e Calvinistas. Anglicanos e Puritanos. Anglicanos e Metodistas. Ortodoxos e Liberais. Progressistas e Fundamentalistas. Neo-ortodoxos e Evangelicais. Conservadores e Modernistas. Tradicionais e Pentecostais. Cessacionistas e Contemporanistas. Neopentecostais e missionais. Denominacionalistas e desigrejados. Podemos ainda acrescentar os dispensacionalístas e os amilenistas, a teologia da substituição, relação Israel e a igreja. Quem irá negar o fato que foi dessas ambivalências que a teologia cristã foi construída paulatinamente?

Até mesmo o polêmico e controvertido liberalismo teológico alemão que é herético em muito de suas premissas, trouxe contribuições, pois exigiu um reposicionamento da igreja em afirmar pontos fundamentais da fé e que seriam importantíssimos diante de todo um cenário de caos, desesperança e cinismo que assolariam o mundo no século XX. Se com a couraça da ortodoxia e do fundamentalismo a igreja sofreu importantes baixas com o advento da pós-modernidade, imaginemos o que aconteceria sem estes movimentos e suas variações. Sem saber, e sem querer, o liberalismo ajudou a teologia conservadora a se preparar para o mundo moderno que se aproximava na aurora do século XX.

Neste século XXI o grande dilema teológico se foca dentro da Eclesiologia, começa-se a debater o papel, e relevância da igreja no modelo tradicional como a encontramos, no primeiro grupo discute-se suas doutrinas, seu posicionamento diante do mundo pós-moderno, no segundo grupo destina-se a analisar seu comportamento que descarta a estrutura de sua condição, uma liderança, e até mesmo se há a necessidade de possuir um local para celebração de seus cultos, e por fim o terceiro grupo que transforma a igreja numa fonte exclusiva de renda, não se preocupando com ensinos, doutrinas, pois em suas programações não encontramos um momento de encontro de ensino, e nem uma declaração de sua crença doutrinária.

Tornou-se comum evangélicos acusarem de falta de amor a atitude de outros evangélicos que tomam posicionamentos firmes em questões éticas, doutrinárias e práticas. Considera-se desamor tudo aquilo que envolve a exposição, a discussão e o confronto de opiniões alheias. Essa postura reflete o sentimento pluralista e relativista que permeia a mentalidade evangélica de hoje e que toma como ofensivo todo confronto de ideias no que se refere a teologia. Perdeu-se a virilidade teológica. Vivemos dias de frouxidão, nos quais proliferam os que tremem diante de uma peleja teológica.

 

CAPÍTULO PRIMEIRO AS IGREJAS EMERGENTES

"Um niilista é um homem que não se curva ante qualquer autoridade; nem aceita nenhum princípio sem exame, qualquer que seja o respeito que esse princípio envolva".

O primeiro movimento que iremos analisar no contexto contemporâneo, que estamos presenciando relativo a igreja é a das Igrejas Emergentes.

Igreja Emergente é um grupo de pastores que no seu início viveram uma fé ortodoxa, estudaram com os melhores professores e nas melhores faculdades teológicas, mas não souberam enfrentar, e consolidar esta teologia e seus ministérios a novas tendências filosóficas, estamos nos referindo ao pós-modernismo, e por isto, rompem com suas concepções, acreditando serrem ultrapassadas, para uma nova abordagem, e com isto, refazem suas convicções, adaptando-as a estas novas tendências sociais.

Este movimento começou nos na Inglaterra mas foi nos EUA que surgiram seus principais defensores, entre eles podemos citar  Brian McLaren, Doug Pagitt, Tony Jones, Rob Bell, Tony Campolo, Steve Chalke, Peter Rollins, Dan Kimball, Richard Rohr, Phyllis Tickle, Spencer Burke e outros.

O termo que a denomina ‘Igreja Emergente’ vem por Karen Ward (Igreja dos Apóstolos, Seattle), quando ela criou um site na Internet denominado Emerging Church.org., como o próprio nome sugere, a igreja emergente consiste em grande parte de cristãos envolvidos (ou anteriormente envolvidos)[11] nas igrejas evangélicas predominantes que "emergiram" de ideologias preexistentes e estruturas da igreja.

Movimento da Igreja Emergente, que ao invés de sustentar a ortodoxia tradicional do Cristianismo, está procurando ajustar a cosmovisão cristã ao pluralismo relativista da pós-modernidade, criando uma religião híbrida e amigável ao extremo.[12] Os emergentes possuem como mérito o despertar de aspectos cristãos que algumas denominações simplesmente esqueceram, como por exemplo, a prática do Evangelho, a comunicação do Reino de Deus fora das paredes da igreja, as boas obras para todo e qualquer ser humano, amando-o acima de dogmas e tradicionalismos religiosos. A igreja Emergente se converte cada vez mais ao liberalismo teológico, e todas as suas prerrogativas, como veremos.

Menos palavras - Mais adoração - Já deve ter ficado claro que a Igreja Emergente está mais embasada na experiência do que na Bíblia. Além disso, na Igreja Emergente a Palavra de Deus ocupa uma posição secundária na adoração a Deus. Conquanto a adoração seja uma parte muito importante na fé cristã, alguns problemas poderiam ocorrer se a adoração superasse a pregação da Palavra? Dan Kimbal não pensa assim. Ele vê uma nova geração de adoração que é essencial na Igreja Emergente. Numa seção do seu livro com o sub-título “Adorando Verdadeiramente num Ajuntamento de Adoração”, ele escreve: “Deveríamos voltar a uma aproximação sem barreiras da adoração e do ensino, de modo que, quando nos ajuntarmos, não haja dúvida de que estamos na presença de Deus. Creio que tanto os crentes como os incrédulos em nossa cultura emergente estão famintos por isso. Não através da Apologética séria, nem da Exegese cuidadosa, da pregação expositiva ou de grandes grupos de adoração... As gerações emergentes têm fome de experiências com Deus”.

Livro de importância para a Igreja Emergente, de autoria de Brian McLaren é “A Igreja do outro lado”. Tal livro mostra a aversão da Igreja Emergente pela Teologia Sistemática, Apologética Tradicional e organização eclesiástica. Comportamento explicado pelo sociólogo madrilense Corbí em que a sociedade contemporânea deseja construir uma espiritualidade, que ele a denomina ‘laica’, em que acompanha as modificações do mundo pós-moderno, que se constrói na total ausência de axiológica. Corbí declara que toda necessidade leva a uma submissão, e neste caso uma submissão religiosa. No desejo de se afugentar desta submissão, a sociedade se silencia, mas não tira com isto a anseio espiritual, e nesta batalha, a sociedade escolhe sua liberdade, mas cria uma angústia.

Pois a religião está impregnada de valores, métodos, doutrinas, ritos, pois estas  fazem parte do cerimonial, da liturgia religiosa, por isto para Corbí conclui que a religião só alcançara esta sociedade se esta abdicar de seus valores, de seus ritos e de suas crenças, uma kenosi existencial, para adquirir esta sociedade no seu convívio, e é isto que os emergentes praticam, e colaboram com uma espiritualidade laica, conforme Corbi, ou uma espiritualidade secular conforme Vattimo.

Os recintos muito iluminados e alegres devem ser escurecidos, pois a penumbra é favorável à sensação de espiritualidade. O ponto focal do culto, que antes era o sermão, deve ser mudado, de modo que passe a ser uma experiência holística. O uso da moderna tecnologia, antes usada para o apelo contemporâneo, deve ser mudado, de modo que os frequentadores da igreja possam experimentar o antigo e o místico (devendo a moderna tecnologia ser usada para esse fim).

Adotando o Pós-modernismo: pós-modernidade propriamente dita tem origem nas primeiras décadas do século XX, e seu impacto maior ocorreu nas últimas décadas. O fenômeno teve início nas artes, inicialmente na arquitetura, e depois teve espaço ampliado na cultura geral. O impacto maior na sociedade se deu por influência da mídia. O cinema, a televisão e a internet são seus principais meios de disseminação, porém não os únicos. Esse novo modelo de ser já criou uma nova cultura que desafia o jeito tradicional de ser igreja.

Essa nova cultura manifesta algumas tendências tais como: culto ao ecossistema, desespero humanista, irracionalismo, misticismo, relativismo, existencialismo, pluralismo e predomínio do artístico. Tudo isso traça um perfil distinto de uma nova realidade que precisa ser mapeada, compreendida e enfrentada, pois o grande desafio para os cristãos é “ser igreja” em meio a essa nova cultura.

É realidade que nossa tradição evangélica histórica foi moldada pela mentalidade moderna, tanto na teologia, quando na eclesiologia. Essa igreja histórica, e um tanto quanto “sarcófaga”, sente em diversos aspectos o seu descompasso com esta nova geração pós-moderna. Urge tornar a mensagem bíblica relevante para esta nova geração. Todavia, a questão é muito melindrosa e complexa. O desafio é: como ser igreja em meio ao pós-modernismo? Como construir uma teologia desprendida da modernidade que não se atole no lamaçal do relativismo absoluto da pós-modernidade?

O pós-modernismo adota a desconstrução, que implica na subversão, na descentralização de qualquer origem perceptível de discursos autoritativos associados a ‘metanarrativas’, isto é, macroestruturas teóricas como, por exemplo, sistemas filosóficos ou teológicos. As metanarrativas são desconstruídas através de uma ‘arqueologia do conhecimento’ e de uma tipologia dos discursos. O pós-modernismo rejeita e busca desconstruir qualquer noção de verdade que se proponha unitária, absoluta, universal, ou mesmo coerente, daí adotam uma epistemologia ‘niilista’.

Para ele, a igreja precisava aprender a falar uma linguagem totalmente nova, com o fim de alcançar a geração pós-moderna. Só uma mudança de estilos de culto não mais seria suficiente para alcançar a nova geração. Confirmando essa perspectiva, uma das obras de Mclaren reivindica “um novo tipo de cristão”, o cristão pós-moderno.

McLaren apela claramente aos cristãos a que abracem o pós-modernismo e se adaptem à maneira pós-moderna de pensar. Dentro desse espírito, para alguém ser emergente ele deve negar, inclusive, a necessidade de uma declaração de fé e qualquer forma que sugira um dogma comum.

Pluralismo: Grande parte das obras escritas pelos líderes emergentes demonstra o tipo de pluralismo desejado. O subtítulo do livro de McLaren, Ortodoxia Generosa, revela o espírito que projeta a sua teologia: Por que sou um cristão missional, evangélico, pós-protestante, liberal-conservador, místico-poético, bíblico, carismático-contemplativo, fundamentalista calvinista, anabatista-anglicano, metodista, católico, verde, encarnacional, deprimido-mas-esperançoso, emergente e inacabado.

Protesto: A marca do pluralismo leva o movimento emergente a uma posição de protesto. Praticamente toda a sua liderança vem de dentro da base do cristianismo evangélico tradicional e fundamentalista e manifesta o seu descontentamento com a instituição de origem.

O próprio nome da igreja de Kimball reflete essa ideia, pois Vintage significa algo genuíno, de qualidade, em oposição à igreja “enlatada” e supostamente não genuína do século 20. Para McLaren o que os evangélicos precisam é do novo cristão, de uma nova forma de seguir a Jesus que emerge dos escombros do cristianismo dividido por lutas teológicas, da negligência das responsabilidades sociais e da tirania do capitalismo conservador da modernidade.

Esse perfil de protesto marca o movimento como desconstrucionista. A igreja evangélica no final do século 20 precisa ser desconstruída para ser reconstruída, a começar dos conceitos de verdade absoluta que a mesma mantém.

Humanismo em vez de discipulado: demonstram uma intensa preocupação com os incrédulos e uma considerável eficiência no alcance de não-cristãos. Por outro lado, as ênfases tendem a levar os grupos a uma relação extremamente horizontal, na qual a pregação do evangelho e a ação social, por exemplo, tornam-se indistintas e os discursos quase que se confundem, em nova embalagem, com os da teologia da libertação. Assim sendo, a ação social, como ato de amor, já é pregação e pode dispensar a proclamação.

Universalismo: A fé cristã missional afirma que Jesus não veio tornar algumas pessoas salvas e outras condenadas. Jesus não veio ajudar algumas pessoas a serem corretas enquanto deixa todas as demais erradas. Jesus não veio para criar outra religião exclusiva – o judaísmo estando exclusivamente baseado na genética e o cristianismo estando baseado exclusivamente na crença (o que pode ser um requisito mais difícil do que a genética).

Inclusivismo: Interpretam a questão homossexual nas Escrituras como aspecto cultural, e não ético e doutrinário, por isto apoiam, e realizam casamentos homossexuais. O Homossexualismo é um fato na sociedade contemporânea. O homossexual deve ser respeitado como ser humano, sendo repulsiva toda e qualquer forma de violência contra o cidadão seja por palavras ou ações. Os homossexuais, assim como todo e qualquer cidadão, diante da lei têm seus direitos e deveres. Entretanto, perante as premissas bíblicas, tais práticas são consideradas pecaminosas, e a cultura secular não deve se infiltrar na igreja a ponto do cristianismo passar a encarar esta prática como normal e aceitável. Uma ditadura gay tenta ser implantada no mundo, sob o falso pressuposto de homofobia, onde o que de fato se observa é o levantar da bandeira heterofóbica por parte das militâncias homossexuais.

Igreja Emergente no Brasil segue passos um pouco diferentes da igreja americana. Os Emergentes no Brasil estão aparecendo cada vez mais inseridos em igrejas novas ou velhas, mas que abriram as portas para a filosofia relativista da pós-modernidade. Como praticamente tudo que vem de fora encontra solo fértil na mentalidade espiritualista consumista do brasileiro, não é de se estranhar que esta moda ainda venha a se manifestar de modo intenso nos próximos anos.

 

CAPÍTULO SEGUNDO IGREJAS SEM DOUTRINAS

“Doutrina não dá dinheiro” Bispo de uma denominação neopentecostal.

O movimento denominado Neopentecostal tem desenvolvido uma escolha que está se transformando numa perigosa condição aos cristãos, principalmente ao neófito, pois este se aproxima do cristianismo sem contato nenhum com as Escrituras, e com seus princípios éticos e doutrinários, e permanece desta forma, pois deliberadamente a denominação optou por não desenvolver em sua rotina de encontros cúltico, um momento de se fazer, e estudar as Escrituras doutrinariamente, com isto, como explica LOPES “ Hoje os evangélicos têrn dificuldades de delinear os limites do verdadeiro cristianismo e manter as portas fechadas para heresias”[13].

Umas das razoes que apontaríamos como um abandono de não mais reservar um dia da semana para estudar as doutrinas bíblicas, foi que muitos movimentos pentecostais, por rejeitar a instrução teológica formal, seus líderes não tinham conhecimento dos assuntos teológicos, e nos seus encontros confundiram cultura com doutrina, principalmente roupas, cabelos, adereços pessoais, etc. não os princípios teológicos bíblicos. Com isto gerou uma repugnância aos denominados cultos de doutrina.

Entretanto certos movimentos descartaram deliberadamente este tipo de culto, pois nele observou baixa frequência da sua membresia, com isto substituíram por cultos de auto-ajuda, de libertação com ênfase profética, a distorcida teologia da prosperidade, pois este tipo de chamada é mais atraente e convidativo, aumente a frequência, e também a renda da igreja. Culturalmente o brasileiro não é dado ao estudo, e este comportamento pode ser refletido nos cultos de doutrina, por isto a sua baixa frequência.

A consequência deste comportamento é corretamente explicada por LOPES:

Os evangélicos passaram a adotar o não-exclusivismo como principio. Iniciaram com isso uma abertura para a pluralidade doutrinaria. a multiplicidade de eclesiologias e o relativismo moral. Sem que dispusessem de qualquer instrumento poderoso o suficiente para ao menos identificar o que estivesse em desacordo com os pontos cruciais.

Antes de continuarmos precisamos rever a origem do pentecostalismo brasileiro, historicamente há duas origens pentecostais no solo brasileiro, primeiro a Congregação Cristã no Brasil (1910) e no ano seguinte  Assembleias de Deus (1911), FRESTON identifica basicamente três ondas pentecostais brasileira[14], a primeira a implantação, desta duas matrizes a Assembleia de Deus é a que mais influenciará no pentecostalismo no Brasil.

 A segunda onda pentecostal ocorreu na década de 50 e início dos anos 60, quando houve uma fragmentação do campo pentecostal e surgiram, entre muitos outros, três grandes grupos ainda ligados ao pentecostalismo clássico: Igreja do Evangelho Quadrangular (1951), Igreja Evangélica Pentecostal O Brasil para Cristo (1955) e Igreja Pentecostal Deus é Amor (1962), todas voltadas de modo especial para a cura divina. Essa segunda onda coincidiu com o aumento do processo de urbanização do país e o crescimento acelerado das grandes cidades. Podemos observar que a Quadrangular traz uma nova matriz pentecostal com ênfase da cura, enquanto a da Assembleia a glossolalia.

A terceira onda histórica do pentecostalismo brasileiro começou no final dos anos 70 e ganhou força na década de 80, com o surgimento das igrejas denominadas “neopentecostais”, com sua forte ênfase na teologia da prosperidade. Sua representante máxima é a Igreja Universal do Reino de Deus (1977), mas existem outros grupos significativos como a Igreja Internacional da Graça de Deus (1980).

Uma importante precursora dos grupos neopentecostais foi a Igreja de Nova Vida, fundada pelo canadense “bispo” Robert McAllister, que rompeu com a Assembleia de Deus em 1960. Essa igreja foi pioneira de um pentecostalismo de classe média, menos legalista, e investiu muito na mídia. Foi também a primeira igreja pentecostal a adotar o episcopado no Brasil. Sua maior contribuição foi o treinamento de futuros líderes como Edir Macedo e seu cunhado Romildo R. Soares.

Poderíamos ainda ressaltar um quarto movimento pentecostal, que seriam as comunidades, com o pentecostalismo entrando nos bairros mais sofisticados muitos de seus membros não concordaram com as exigências rigorosas dos costumes, pessoas mais viajadas, e com nível maior de educação, contemplaram em outros países um pentecostalismo tão avivado como no Brasil, mas com abertura dos trajes, e perceberam a dissociação de um com o outro, tentaram trazer esta realidade ao seu meio inicialmente, vendo que não seriam atendidos, rompem e começam a procurar seu espaço, e criando assim as diversidades de denominações pentecostais, com ênfase maior um louvor espontâneo, surge o ‘ministério de louvor’, apegam-se a novidades como ‘Batalha Espiritual’, ‘Quebra de Maldição’, ‘prosperidade’ etc. Não dando importância a glossolalia, ou culto de cura.

Este movimento trouxe um entendimento de independência convencional, atualmente inúmeras igrejas estão se desligando de suas convenções, seja pastoral, seja denominacional, mas mantendo o nome denominacional que pertenceram em seus letreiros, com a ressalva ‘Ministério ...’ .

Outro ponto que vale ressaltar seria o título de neopentecostais, que BUTIM entende que não deveria ser conhecidos com esta alcunha, pois tais movimentos negam veementemente os dons espirituais, concordamos totalmente. Outro fator que queremos levantar é a distinção da terceira onda para a quarta, enquanto a terceira onda tem uma ênfase no exorcismo, a quarta na ‘Batalha Espiritual’ sem confronto direto ficando apenas no campo da hipótese, popularizada nos encontros com Neuza Itioka[15], Daniel Mastral.

A segunda diferença é que a terceira onda vive um mercantilismo da fé, vendendo objetos tidos como sagrados e com poderes sobrenaturais, enquanto o outro não utiliza destas armadilhas, mas ambas defendem uma prosperidade ao fiel contribuinte. Outro fator de distinção dos dois movimentos seria que o grupo da terceira onda não se preocupa com uma organização eclesiástica, não desenvolvendo departamentos em suas igrejas, o movimento da quarta onda já tem uma preocupação da descentralidade das funções, desenvolvendo os departamentos da igreja.

Principais Equívocos Deste Movimento:

1) Tem produzido inúmeros choros, gemidos, lágrimas, e pouca transformação pessoal e arrependimento de pecado, certas doutrinas desapareceram de nossos púlpitos, e com isto geramos poucos conversos. A conversão está associada a benção, triunfalismo, vida vitoriosa, e outras situações, e não mais convicção de pecado e a busca pela salvação em Jesus.

2) Miragens e delírios, no nosso meio pentecostal observamos abusos de experiências sobrenaturais, galinhas profetizando, galo interpretando, pessoas que já foram várias vezes a inferno e ao céu, livros que apresentam esta temática é dissecada, pessoas que se auto intitulam com poderes sobrenaturais, poder de cura, cirurgia durante o culto, exorcismo com entrevistas, como se o demônio pudesse dizer algo interessante, coisas que envergonha o verdadeiro pentecostal.

3) O desejo de liderar, impregnado do espírito messiânico, repletos de esforço de mandar, controlar, enchendo de títulos ‘Ungidos’, ‘Anjo da igreja’, ‘Apóstolos’, ‘Pai Apostólico’ etc. como garantia de tornar seu ministério irrefutável e inquestionável, donos da verdade, suas palavras estão acima das Escrituras.

4) Confusão do exercício ministerial da vocação a profissão. Existem denominações pentecostais que já há muito tratam seus pastores como simples empregados. São assalariados e o seu vínculo com a comunidade ou denominação é extremamente profissional. São tratados como executivos de uma multinacional que gerenciam uma grande empresa ou uma filial da mesma. Dessa forma, o seu vínculo com a comunidade é extremamente profissional, tendo como fator preponderante a produção de resultados. Eles são remanejados quando as metas financeiras estipuladas pela diretoria geral para aquela área, comunidade ou igreja não é alcançados, ou promovidos a postos mais elevados se este tem o poder de persuasão enriquecedora, manipuladores, tendo como objetivo apenas a arrecadação de dinheiro. Como Gonçalves afirma “Não demonstram mais uma atitude de ajustamento ao modelo de governo bíblico, mas uma forma de conferir status e destaque dentro do seu respectivo grupo”[16].

Com isto surge dentro da questão vocacional o preparo, não se busca neste tipo de pastor certas qualificações ministeriais, e habilidades teológicas, Gonçalves mais uma vez assertivamente coloca que “Quando o assunto é vocação pastoral, devemos observar o binómio: vocação-qualificação. Há o perigo de termos um ministro vocacionado, mas não qualificado como podemos tê-lo qualificado, mas não vocacionado. Somente um ministro vocacionado e qualificado pode exercer a contento e com êxito o ministério pastoral”[17]. Neste caso o que menos necessita de um pastor para executar estas tarefas é este preparo.

A) Um ministério legal, mas não moral.

B) Um ministério sacerdotal controlado pelas leis de mercado

C) Um ministério determinado pela posição e não pela unção.

5) Crise dualista Platônica: Platão acreditava que existia um mundo ideal, perfeito, do qual o nosso era apenas um cópia imperfeita. No seu famoso Mito da Caverna, compara as pessoas que vivem nesse mundo dos sentidos com as sombras das coisas reais. Nós seriamos apenas sombras ou cópias das coisas perfeitas! Sendo este mundo apenas sombra, qualquer tentativa de representá-lo, seria uma cópia e não a imagem exata.

O neopentecostalismo é uma cópia, ou uma tentativa de se copiar o verdadeiro pentecostalismo, usando de subterfúgios similares criam cópias, cópias estas imperfeitas, curas que analgésico resolveriam, imitações de glossolalia, cometendo verdadeiras heresias, verdadeiros teatro cheia de representações, imitação de Templos bíblicos, imitações dos objetos sagrados do tabernáculo, cantores se tornam levitas, pastores se tornam sacerdotes veterotestamentário, simulações de mover espiritual, pregadores se tornam profetas  da antiga aliança, pregadores pentecostais modernos possuem uma oratória rebuscada e sabem, de fato, mexer com as massas, contudo continuam sendo apenas réplicas, cópias imperfeitas do pentecostalismo bíblico. púlpito se torna altar, pentecostes moderno possui muita carne e pouco Espírito, muita fumaça e pouco fogo.

Verdadeiros manipuladores do ‘Fogo Estranho’, em recente declaração Dr. George O. Wood, pastor-presidente da convenção das Assembleias de Deus dos EUA, admitiu que existe “fogo estranho” entre os pentecostais. O incensário devia ser aceso, usando-se para isso brasas tiradas do próprio altar do sacrifício. Nadabe e Abiú (Lv. 10) acenderam seus incensários com fogo que eles mesmos produziram, e foram mortos.

E é isto que temos vistos em muito movimento pentecostal, manipulação do fogo divino, apresentando fogo estranho, e isto mata.

6) Nova Indulgências: O neopentecostalismo tem se tornado um ambiente mercadológico, vendas de objetos miraculosos, criando neles um simbolismo religioso sagrado, repleto de magia, capaz de reproduzir ações que o fiel necessita, em que seus esforços seriam incapaz de modificar, necessitando assim de ajuda e auxílio, por isto recorrem a símbolos que possam trazer fé, conforto, socorro sobrenatural.

O neopentecostalismo com isto se sustenta nesta composição inconsciente social do símbolo religioso, herdado de um catolicismo que também foi construindo seus símbolos repletos de magia, um sincretismo que através do tempo foi transformando o cristianismo uma religião de objetos sagrados, similar ao paganismo que expurgava de seu território, mas não conseguiu impedir sua influência na liturgia através do tempo.

A Reforma veio justamente condenar e denunciar estes exageros dentro do cristianismo, abolindo certos ritos, símbolos que criavam venerações, ofuscando a adoração ao verdadeiro Deus. O neopentecostalismo vem ressuscitando tais práticas, normatizando no protestantismo objetos, supostamente sagrados, e após serem orados, ou ungidos, tornam-se poderosos, eficazes de atenderem as necessidades dos fieis, ou dos emergentes famigerados do sistema, prometendo cura, prosperidade, exorcismo, e todo tipo de atendimento a necessidade daquele que o busca.

Sociologicamente a força do símbolo reside exatamente na possibilidade de que, por meio dele, sejam possíveis a comunicação intersubjetiva e o entendimento comum em torno do fato social. O poder simbólico costura o tecido social, conferindo significado à realidade em construção, Karen Armstrong explica que “o termo grego symballein significa ‘colocar junto’: dois objetos até então distintos se tornem inseparáveis. Quando contempla um objeto mundano a pessoa está, portanto, na presença de sua contrapartida celeste. Esse senso de participação no divino é essencial para a visão mítica do mundo: o objeto de um mito é tornar as pessoas mais conscientes da dimensão espiritual que os rodeia e faz parte natural da vida”. A linguagem simbólica – e não se trata de uma novidade – opera por analogias e por metáforas.

Com isto cria um aprisionamento psicológico, em que o fiel vai depositando no objeto sagrado sua confiança, e outro surge a atender nova demanda do fiel, aproveitando à situação crítica social, econômica e familiar, uma dependência necessária, a solução de suas preocupações e anseios, por isto se torna dependentes do sistema, o mesmo pode-se encontrar nas promoções dos supermercados, que prende o consumidor com uma promoção relâmpago, de tempo em tempo, impedindo deste de sair do ambiente, pois pode surgir uma promoção exatamente daquilo que precisa no consumo diário.

Desta forma o símbolo ganha forma mercadológica, desenvolvendo uma dependência do fiel psicologicamente desta denominação, que a todo o momento nasce uma campanha a atender suas necessidades. O subjetivismo simbólico construído desempenha seu papel manipulador, e opressor, no fiel, não ingênuo, mas que se vende voluntariamente, pois este pode dar a ele o que precisa, e necessita. Pois vê na religião a única capaz de reproduzir estas verdades, por que procurar uma escola, ou uma faculdade, entendendo que estas negam toda realidade sobrenatural no mundo em sua volta?

Assim a religião ganha força, e o neopentecostalismo, se torna o recurso ímpar desta sociedade carente, aflita, e desiludida com a realidade do mundo em sua volta. Pois o catolicismo, como também o espiritismo, perdem para estes promotores, pois a Reforma protestante desbancou a igreja católica, e o da religião de origem africana foi envergonhada em seus cultos e ritos exorcistas. Além de que o padre e quase inacessível, enquanto o pastor está disponível, tangível e acessível.

 

CAPÍTULO TERCEIRO PÓS-DENOMINACIONALISMO OU TRANS-DENOMINACIONALISMO: (A FRAGMENTAÇÃO DO CRISTIANISMO).

Antigamente perguntava-se ‘Qual é a sua denominação?’, com a resposta desta pergunta já se tinha ideia do credo da pessoa, sua forma litúrgica, etc. Atualmente pergunta-se ‘Que igreja você congrega?’ As fragmentações eclesiásticas tem remoldado o comportamento dos cristãos atualmente, não há mais interesse, ou tem descoberto que para uma igreja ser dada como séria não precisa de uma filiação denominacional.

Vários fatores vêm ajudando esta transformações, o mundo pós-moderno tem trazido inúmeras modificações na sociedade, e estas transformações tem atingido as grandes instituições, que tornam-se centros de lutas de poder, exibição da vaidade humana e pessoal, as grandes denominações desviaram seu foco de atuação, se perderam dentro de si mesmas, com planos e estratégias de manipulação e perpetuação do poder.

Com isto tem se desgastado, são muitas das vezes obsoletas, coorporativas, ineficientes, engessadas, desatualizadas, tirando o interesse cada vez maior de pertencer a algumas delas, demoram a se mobilizar, rígidas culturalmente, sem nenhuma preocupação de construir sobre o novo que surge, debate pouquíssimo as novas tendências, seja moral ou teológica e até cultural. Com isto tem surgido uma enorme fuga denominacional.

Mas há ainda outro fator que vem causando o enfraquecimento denominacional, vejamos.

1) O surgimento da Internet e da publicação eletrônica, que  criou um "espírito empreendedor" em algumas igrejas quando se  trata de produzir recursos o potencial, cristãos corroendo do apoio ou o uso de editoras denominacionais.

2) Uma mudança de um foco em investimentos de missões globais de longo prazo para  projetos de missão de curto prazo, muitas vezes iniciados no nível da igreja local.

3) O crescente uso de nomes de igrejas genéricas que deixam de lado a  afiliação denominacional.

4) Crescimento explosivo de grupos para-igreja, que estão atraindo tempo, energia e recursos longe das  igrejas locais . Muitos desses grupos são grandes em adoração e serviço, mas têm opiniões teológicas ou doutrinárias mínimas para que possam atrair uma grande variedade de denominações. Com isto desenvolvem pouco desgastes no debate teológico, preferindo o sermão de auto-ajuda.

5) Seminários em fluxo. Conflitos confessionais resultaram em  inúmeras escolas de "pequenos nichos". Muitos seminários estão  avaliando seriamente seus currículos e métodos de treinamento necessários para  o século XXI.

6) Tribos teológicas em grandes denominações, que preferem muitas das vezes outro sistema doutrinário, que a sua denominação possui, ou defende, por isto podemos encontrar pastores da assembleia defendendo calvinismo, presbiterianos pentecostais, batistas que a aspersão também é válido, a assim vai as coisas.

7) Enfraquece muito a disciplina da igreja. Disciplina é uma das "marcas tradicionais da igreja verdadeira" que eu vou discutir mais tarde capítulo. Uma igreja sem disciplina é uma igreja sem meios de manter um testemunho do evangelho unido. A Escritura requer disciplina, que inclui ensino, exortando, repreendendo, mas que, em casos extremos, pode levar à excomunhão (Mt. 18: 15-20; 1 Coríntios 5; 2 Tessalonicenses 3: 6-15; 2 Tim. 4: 1-5). No primeiro século, quando alguém foi disciplinado pela igreja (concedendo o esgotamento de todos possíveis apelos) que a disciplina foi respeitada por todos os crentes. Hoje, isso não é mais o caso. Infelizmente, na maioria de nossas igrejas de hoje não existe uma disciplina formal em absoluto. Mas mesmo aquelas igrejas que buscam implementar a disciplina bíblica são frequentemente frustrado pelo denominacionalismo, mais ainda agora no caminho individualista que estamos trilhando.

8) A não necessidade da fidelidade da presença nos cultos, nas contribuições, nos eventos da igreja, pois cada um faz, vai onde achar melhor.

 

CAPÍTULO QUATRO A IGREJA ORGÂNICA E OS DESIGREJADOS.

"Liturgias, antigas ou modernas, escritas ou não, são uma ferramenta humana para manter as engrenagens religiosas rodando, reproduzindo o costumeiro, ao invés de exercitar a fé na presença imediata e operação do Espírito.” Arthur Willis

O que é uma Igreja Orgânica? É um subproduto da igreja emergente. Segundo seus seguidores é a igreja voltando ao que era antes de Constantino transformar o cristianismo em uma religião oficial do império Romano. O termo “Igreja Orgânica” foi criado por T. Austin Sparks e é usado como sinônimo para “igreja nas casas”, “igreja simples” ou “igreja nos lares”. Igreja Orgânica é um movimento que traz no seu bojo vários grupos, como: Igreja Orgânica, Caminho da Graça, Igreja no Lar, Igreja em Casa.   

Muitos crentes em todo o mundo abandonam a forma de Igreja, conhecida como institucional ou cristandade e vão em busca de experiências nos movimentos religiosos chamados Igreja Orgânica, Igreja em Casa.

Estes movimentos têm surgido devido ao fato da Igreja institucional ter abandonado o Evangelho da cruz e se acomodado ao “modus vivendus” da sociedade, têm caído na armadilha da ganância, da ânsia por mega-crescimento e exaltação humana. Este declínio da Igreja produz uma frustração àqueles que estão cansados de culto-show, do mercantilismo religioso, dos chamados apóstolos iluminados sedentos de poder, terminam abandonando suas igrejas e ficam em suas casas ou tentam sobreviver em uma igreja doméstica.

Este movimento não é novo na fé, e nem mesmo é um fenômeno exclusivo do cristianismo, todas as religiões que ganham contorno institucional, começa a observar o surgimento de grupos contrário a esta condição. No judaísmo no tempo de Jesus havia um grupo sectário, e contrário ao sistema religioso desta época, os essênios, mesmo que as Escrituras não os mencione, ele eram bem ativos, e muitos identificam João Batista com pertencendo aos essênios, tese que não concordamos. O próprio Senhor Jesus por muitos teólogos, foi também descrito como sendo da seita dos essênios.

Quando a igreja se tornou estatal no século IV começou um movimento contrário a esta união estado e igreja, fugindo para lugares ermos distantes, fundam os monastérios. As primeiras sociedades cristãs de vida segregada surgiram no Egito, por volta do século IV. Mas foi na Capadócia, reino que ficava junto à Armênia e à Frígida, na Ásia Menor, que pela primeira vez, a vida religiosa dos monges dos mosteiros, foi regulamentada pelo bispo local, depois canonizado com o nome de São Basílio.[18]

A palavra mosteiro ou monastério vem do grego μοναστήριον "monasterion", da raiz "monos" = sozinho (originalmente todos os monges cristãos foram eremitas), e o sufixo "-terion"  lugar para fazer algo.[19]

Um dos primeiros movimentos da igreja em casa ocorreu nas ilhas britânicas do século XIX, um grupo de cristãos insatisfeitos com o estado da igreja protestante que consideravam formal e sem vigor espiritual, começou a ler as Escrituras Sagradas e celebrar a Ceia do Senhor sem a presença de um ministro ordenado. Tais manifestações foram espontâneas e descentralizadas, mas, sem dúvida, o grupo praticante dessa forma livre e desengajada de igreja que ficou mais conhecido na Inglaterra e, posteriormente, em toda Europa, tornando-se proeminente, foi o de Plymouth. Seus participantes ficaram conhecidos como os Irmãos de Plymouth, que mais tarde receberam a alcunha de darbistas, por causa de um dos seus membros que se tornou um grande defensor das ideias do movimento, chamado John Nelson Darby (1800-1882). Advogado e teólogo anglicano, John Nelson Darby uniu-se aos Irmãos em 1821, ao decepcionar-se com a degradação espiritual da igreja inglesa.[20] Dono de uma mente brilhante, Darby pregava fluentemente em alemão, francês e, claro, inglês, idiomas em que traduziu o Novo Testamento. Publicou mais de 50 livros e, em 1848, se tornou a mais importante voz do movimento dos Irmãos de Plymouth.[21]

Os darbistas acreditavam que a igreja nunca conseguiu se livrar totalmente das tradições humanas que surgiram no seio da mesma após a morte dos apóstolos e no início da Patrística. Essas tradições atravessaram os séculos com os escolásticos, os reformadores, e mesmo entre os puritanos estiveram presentes. Destarte, propuseram uma eclesiologia que asseveravam estar mais condizente com o Novo Testamento do que os modelos de igrejas cristãs vigorantes e conhecidas na Inglaterra até então.

O darbismo insistia no fim do clericalismo e da institucionalização da igreja, o que considerava graves distorções e desvios dos ensinos do Senhor Jesus Cristo e dos apóstolos. Entendiam que a igreja é tão somente composta por aqueles que foram alcançados com a graça de Deus e inseridos em uma grande assembleia de remidos, e que as tentativas de oferecer a essa experiência real, mas invisível, qualquer forma concreta de organização eclesiástica (as denominações) não passavam de invenções humanas.

Recentemente um dos grandes críticos da instituição da igreja foi Dietrich Bonhoeffer que se opôs radicalmente, iniciando uma jornada de contestação, resistência e militância contra o Nacional Socialismo de Hitler junto à Igreja Confessante. Para sua decepção o luteranismo se filiou ao movimento de Hitler, deixando uma sequela na sua fé, vendo o envolvimento da igreja ao estado começou suas críticas, e proclamando uma “organização social de fiéis individuais”[22].

Para Bonhoeffer a comunhão cristã como comunhão por meio e em Jesus Cristo, o que significa a necessidade, pela pessoa cristã, do outro por amor a Cristo; de Cristo, como mediação para se chegar ao outro; e a união com Cristo e com o outro desde a eternidade. “Temos uns aos outros apenas através de Cristo, mas através de Cristo nós de fato temos uns aos outros para toda a eternidade”[23]. Com isto não preciso da igreja para nos achegarmos, em Cristo é o suficiente para ser igreja. Daí o slogan ‘só Cristo’.

No contexto moderno os grandes promotores deste comportamento são George Barna e Frank Viola.  Frank Viola e Barna em seu polêmico livro, Cristianismo Pagão[24], já pode ser considerado como uma bíblia dos desigrejados, pois na obra, Viola questiona uma série de práticas que, segundo ele, pouco ou nada tem haver com o cristianismo legítimo.

Para Frank Viola e Barna o problema estava com os teólogos da Igreja de origem gentílica, marcados profundamente pelo helenismo que caracterizou o mundo nos tempos de Cristo. Eles são os responsáveis pela absorção por parte da igreja dos conteúdos do paganismo do mundo gentílico. Este é o argumento de Viola.

1 – Os teólogos gentílicos que tanto mal fizeram a Igreja de Cristo (de acordo com os autoes), são os mesmos que no de 392 d.C, na cidade de Cartago (Atual Tunísia, Norte da África), declararam a oficialização do Cânon das Escrituras do Novo Testamento. Seria, então, o Cânon do Novo Testamento um produto da mente de pagãos helênicos?

2- Os Concílios (Nicéia, Constantinopla, Éfeso e Calcedônia), onde as principais formulações teológicas do cristianismo foram compreendidas e explicadas, também são estranhamente omitidas na no livro de Viola.

Frank Viola e Barna também, no capítulo em que se dedica a questão dos templos (assunto excitante para os desigrejados), não leva em conta que a não utilização de templos no século I não ocorre em função de uma perspectiva teológica, mas sim de um horizonte histórico, pois o cristianismo, desde muito cedo fora perseguido, onde os cristãos tinham as suas casas invadidas e eram presos (At 8.3). Ora, se as reuniões domésticas eram alvos de ataques, imagine, então, se templos fossem construídos? Se a casa não era respeitada, como construir templos? E estamos falando de uma perseguição religiosa empreendida pelos líderes judaicos! Imagine a perseguição promovida pelo Império Romano nos tempos de Nero, Domiciano, Décio e outros? Quando a perseguição termina, as condições ideais para reuniões públicas com horário e local marcados surgem.

Os templos são circunstanciais para o cristianismo, mas para Frank Viola é uma fonte mais que segura de contaminação espiritual. Patético e ridículo, pois paredes e bancos não exercem tal poder e influencia sobre ninguém. Nem para o bem e nem para o mal.

Tando Barna e Frank Viola idolatram a igreja do Novo Testamento e ignora que as cartas paulinas foram escritas para resolver os problemas das mesmas. Paulo combate todas as formas de carnalidade da Igreja de Corinto; heresia na igreja de Colossos; legalismos na Galácia; agitação e oportunismo em Tessalônica; divisão e heresia em Éfeso. Ou seja, as igrejas caseiras do Novo Testamento, incipientes e pequenas, eram comunidades complicadas e que exigiram de Paulo atenção e admoestação. A própria Igreja Primitiva tinha problemas e tensões entre seus frequentadores e também entre os seus próprios líderes como deixam claro as passagens bíblicas de At 5 e 6 e 15.36-40 e Gl 2. 11-14, respectivamente. E as Igrejas citadas em Ap 2.1-32, não ficam de fora das crises.

No período apostólico o desligamento da comunidade era algo fatal para a vida dos cristãos daquela época, podemos observar em ICo5, com a condenação do pecado praticado, e vale fortalecer que foi um pecado sério, um rapaz deitou co aa mulher do pai, foi por Paulo excluído, com dois propósitos primeiro demonstrar a sociedade de corinto que a igreja não toleraria tal prática, segundo força no autor do pecado um arrependimento e um desejo de retornar ao seio e convívio da igreja, pois entendia que era uma condição cristã a membresia com a comunidade.

Um segundo ponto que não é positivo, se encontra em III Jo, em que um pastor, denominado Diótrefes, ameaçava sua congregação de exclusão se soubesse que acolheram o apóstolo João, esta ameaça deixa clara que a igreja do N.T. entendia que deveria haver uma comunhão entre os cristãos naquela época.

CAUSAS:

O sociólogo e filósofo Giddens (2005) também contribui afirmando que novos movimentos religiosos seguem no cristianismo, como os milenaristas, fundamentalistas e o uso de igrejas eletrônicas. Além disso, aponta que esses novos movimentos são comuns dentro da classe média e agem principalmente de três modos: a negar o mundo, a afirmar o mundo ou a se acomodar ao mundo. Aqui, colocando “mundo” como sinônimo de sociedade. Neste caso os desigrejados seriam um movimento que afirmam e se acomodam com o mundo.

Outro fator que Zygmunt Bauman explica, “as estruturas estão se decompondo em face dos Tempos Líquidos”[25] , pois a pós-modernidade que questiona e relativiza afirmações e conteúdos antes considerados absolutos e inegociáveis, gerando, assim, desencaixe em todas as esferas da sociedade, atingindo todas as expressões institucionais: partidos políticos, sistemas de governo, utopias, convenções familiares, casamento, religião, igrejas etc.

Uma outra observação vem de Ricardo Bitun. Pastor da Igreja Manaim e doutor em sociologia, ele usa um termo para designar esse tipo de religioso: é o mochileiro da fé. “Percebemos pelas nossas pesquisas que muitas igrejas possuem um corpo de fiéis flutuantes. Eles estão sempre de passagem; são errantes, andam de um lugar para outro em busca das melhores opções”, explica. Essa multiplicação das ofertas religiosas teria provocado um esvaziamento do senso de pertencimento, com a formação de laços cada vez mais temporários e frágeis – ao contrário do que normalmente ocorria até um passado recente, quando era comum que as famílias permanecessem ligadas a uma instituição religiosa por gerações.

Bomilcar porém, trata-se principalmente de pessoas que estão nesse movimento por modismo, descompromisso, passivos quanto a espiritualidade, cheias de reclames amarguradas e ingênuas, cristãos usuários, até mesmo hipócritas quanto ao termo cristão.[26]

Idauro Campo descreve que estes desigrejados são em sua maioria, 62% são egressos de denominações neopentecostais, cuja ênfase é a teologia da prosperidade; 29% dizem que não pretendem manter vínculo com outra igreja novamente; 5,6 anos é o tempo médio de conversão dos desigrejados.[27]

Romeiro, que é docente de pós-graduação no Programa de Ciências da Religião da Universidade Mackenzie e pastor da Igreja Cristã da Trindade, em São Paulo, observa que essas igrejas não apresentam projetos de longo prazo. “Não se trata da morte, não se fala em escatologia; o negócio é aqui e agora, é o imediatismo”.  Segundo o estudioso, a membresia dessas comunidades é, em grande parte, formada por gente desesperada, que busca ajuda rápida para situações urgentes – uma doença, o desemprego, o filho drogado. “O problema é que essa busca gera uma multidão de desiludidos, pessoas que fizeram o sacrifício proposto pela igreja mas viram que nada do prometido lhes aconteceu.”

Augusto Nicodemos Lopes se manifesta com as seguintes afirmações

Eu concordo com vários dos pontos defendidos pelos desigrejados. Infelizmente, eles estão certos quanto ao fato de que muitos evangélicos confundem a igreja organizada com a igreja de Cristo e têm lutado com unhas e dentes para defender sua denominação e sua igreja, mesmo quando estas não representam genuinamente os valores da Igreja de Cristo. Concordo também que a igreja de Cristo não precisa de templos construídos e nem de todo o aparato necessário para sua manutenção. Ela, na verdade, subsistiu de forma vigorosa nos quatro primeiros séculos se reunindo em casas, cavernas, vales, campos, e até cemitérios. Os templos cristãos só foram erigidos após a oficialização do Cristianismo por Constantino, no séc. IV.

Os desigrejados estão certos ao criticar os sistemas de defesa criados para perpetuar as estruturas e a hierarquia das igrejas organizadas, esquecendo-se das pessoas e dando prioridade à organização. Concordo com eles que não podemos identificar a igreja com cultos organizados, programações sem fim durante a semana, cargos e funções como superintendente de Escola Dominical, organizações internas como uniões de moços, adolescentes, senhoras e homens, e métodos como células, encontros de casais e de jovens, e por ai vai. E também estou de acordo com a constatação de que a igreja institucional tem cometido muitos erros no decorrer de sua longa história.

Dito isto, pergunto se ainda assim está correto abandonarmos a igreja institucional e seguirmos um cristianismo em vôo solo. Pergunto ainda se os desigrejados não estão jogando fora o bebê junto com a água suja da banheira. Ao final, parece que a revolta deles não é somente contra a institucionalização da igreja, mas contra qualquer coisa que imponha limites ou restrições à sua maneira de pensar e de agir. Fico com a impressão que eles querem se livrar da igreja para poderem ser cristãos do jeito que entendem, acreditarem no que quiserem – sendo livres pensadores sem conclusões ou convicções definidas – fazerem o que quiserem, para poderem experimentar de tudo na vida sem receio de penalizações e correções. Esse tipo de atitude anti-instituição, antidisciplina, anti-regras, anti-autoridade, antilimites de todo tipo se encaixa perfeitamente na mentalidade secular e revolucionária de nosso tempo, que entra nas igrejas travestida de cristianismo.[28]

O tripé crítico dos desigrejados seria Templo, pastor, e dízimo.

A religião evangélica passa por uma mudança estrutural e complexa, com difícil capacidade de ser capturada e compreendida. Durante esse processo, cabe aos pesquisadores se aproximar, estarem atentos aos seus discursos sobre ser cristão vindo do grupo e produzir novos conhecimentos a contribuir na pesquisa a partir disso. No caso dos cristãos sem igreja, trata-se de um grupo marginalizado dentro do meio evangélico e que, por sua vez, em muito também não tenta se aproximar destes. Assim, seus discursos são ainda muitos isolados dentro da amplitude dessa religião.

Concomitantemente, habitamos em uma sociedade contemporânea também complexa, que precisa ser intensamente estudada dentro dos estudos de religião. As ambiguidades da comunidade e da identidade, numa religião que está desvinculada de seu papel social, formam uma rede densa de significações. Alguns desses sentidos produzidos parecem opostos, mas são compostos, o que faz a nossa sociedade parecer paradoxal. O que é livre ao mesmo tempo reprime, o espontâneo segue um padrão. Da mesma forma os novos movimentos religiosos e os cristãos sem igreja.

Por vezes, na igreja sobram olhos para ver as brechas, e falta disposição para tapar uma só delas.[29]

PROGNÓSTICOS ECLESIÁSTICOS

1) Mudança da cartografia eclesiástica: No início do cristianismo o centro de formação cristã estava na antiga Ásia, que é a atual Turquia, podemos comprovar pelas epístolas enviadas ás igrejas nas Escrituras, e a relação das igrejas no livro de Apocalípse.

Posteriormente a igreja passou a ter dois policentros antagônicos, ocidental sediado em Roma e o oriental sediado em Constantinopla, mantiveram uma rivalidade de controle da instituição, e também nos debates teológicos, principalmente na concepção da trindade. Neste período a igreja vai se instalando e se fortalecendo na Europa.

Com a queda de Constantinopla a igreja dominou fortemente a Europa, sua expansão e domínio se estendiam em todas as comarcas e povoados deste continente.

Com a descoberta das Américas a igreja vai paulatinamente de transferindo a este novo continente, principalmente das discursões teológicas que estava acontecendo concomitantemente, a Reforma não foi uma afirmação anti-cristã, mas antes uma busca do cristianismo bíblico. Já nos séculos XVII, XVIII e XIX, a igreja dividia sua extensão tanto na América de igual forma com a Europa, após as guerras do século XX, o cristianismo perde força na Europa, e se sustenta nas Américas, sendo que agora divide suas expressões no Catolicismo e nas Reformadas.

Atualmente devido a unificação do conhecimento uniformizados elas cátedras, inicialmente na Europa, a América vai aderindo o comportamento europeu, e o cristianismo se enfraquecendo também. Neste caso vai surgindo novos centros da cristandade, que é reconhecido este fenômeno na África e na atual Ásia. Com afirma Gonazales “No entanto, a proporção de cristãos no Atlântico Norte continua diminuindo, enquanto nos países tradicionalmente mais pobres há uma verdadeira explosão no crescimento do cristianismo”[30].

A razão deste declínio se dá no cristianismo no Atlântico Norte, as igrejas não podem dar por certo que terão o apoio da sociedade em geral. O apoio oficial do Estado foi perdido há muito tempo. Este, certamente, foi o caso nos Estados Unidos. Agora, também nos Estados Unidos, começa-se a perder o apoio da sociedade em geral. Os valores da sociedade e especialmente seus meios de comunicação em massa são muito diferentes dos valores cristãos.

2) Mudanças da matriz reguladora (Alcorão): A grande ameaça ao cristianismo ocidental além das transformações tecnológicas que modificam o comportamento humano, e com isto se transfere na composição religiosa da sociedade, outro fator que vem de encontro ao cristianismo é o crescimento do islamismo, que se transforma na nova opção da sociedade, pois vê no cristianismo uma decepção, e desgastada, pois esta não mais se importa com as grandes questões sociais, e sua crescente queda ética, e de valores, deixando assim na sociedade uma certa desconfiança de seus propósitos, e seus alvos, a igreja se envolvendo com escândalos, equívocos políticos, e percebem que nada é feito para modificar, e com isto surgem os que se decepciona com a fé, e procuram uma alternativa que faça suas exigências se valerem.

O grande problema é o desconhecimento das nações islâmicas que a maioria delas não são democrática, e um governo laico, além de suprimir valores, como a da mulher, também a liberdade de escolha e opção religiosa, leis ampla, e outras coisas. Deixam-se enveredar por um caminho difícil de retornar, sem antes deixar rastros de violência.

Entendendo a necessidade de se buscar uma alternativa religiosa, sem o cristianismo, no início doas anos 70, os Beatles tentaram popularizar o hinduísmo, com suas músicas, seus misticismo, a yoga, os gurus, e outros componentes, com isto veio o Budismo, mas todos não alcançaram êxito. Tiveram uma matriz defensora no ocidente em Schopenhauer, tentando dar compreensões filosóficas a partir das ideias hindus, o hinduísmo não alcançou voos mais altos, antes paulatinamente vai sendo abandonado.

Possivelmente por possuir traços religiosos tão próximos como o cristianismo medieval, completamente contrário ao secularismo moderno que surge na sociedade ocidental, o hinduísmo não progrediu. Enquanto o islã se desenvolve e cresce no ocidente devido a imigrações, e os refugiados, que vai transformando, não aderindo, mas sendo aceito, conversor, catalisador do ocidental, criando admirador, construindo no ocidental o entendimento da corrupção, da destruição, que a atual fórmula produz, aproveitando o enfraquecimento do cristianismo neste ocidente, para se estabelecer.

3) O Caminho de Deus: Houve períodos que  igreja se encontrava perseguida, relativizada, ameaçada e sempre houve superação da mesma, quando o império romano tentou pela espada destruí-la, ela crescia e se mantia viva, e ativa, até que houve a suspensão definitiva a sua perseguição, é claro que a igreja em parte foi corrompida pelo poder. Depois foi com a invasão moura, que trouxeram os textos aristotélico, que ameaçou o sistema teológico cristão da época, veio o escolasticismo e  conseguiu desenvolver uma teologia aristotélica, é claro que seu contra ponto foi uma teologia altamente lógica.

Logo após veio a Reforma, que resgatou suas principais doutrinas, principalmente as de cunho soteriológico, trazendo a restauração até os dias atuais da doutrinas bíblicas. Depois no século XVIII surge, embebidos pelo iluminismo a teologia liberal, que negava profundamente as Escrituras, Deus trouxe diversos despertamentos dentre estes o pentecostalismo, e sustentou a igreja neste sombrio momento.

Diante do quadro acima apresentado, acreditamos que Deus tem ainda uma condição poderosa que há de trazer a igreja superação a todos estas situações, mas é claro que defendemos princípios infalíveis.

ORAÇÃO, DEPENDÊNCIA INCONDICIONAL AO ESPÍRITO SANTO, E PREGAÇÃO DA SÃ DOUTRINA DEBAIXO DA UNÇÃO DIVINA.                    

PROPOSTAS PARA REVITALIZAR A NOSSA IGREJA:

Ensinamento apostólico: Esta primeira característica é surpreendente e não muitas congregações a teriam em conta hoje. A igreja viva é uma igreja que está aprendendo, uma comunidade que estuda. A primeira coisa que Lucas disse sobre esta igreja renovada pelo Espírito é que ela perseverava na doutrina dos apóstolos: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos” (Atos 2:42). Tinham fome da verdade e queriam sentar-se aos pés dos apóstolos e absorver seus ensinamentos.

A plenitude do Espírito Santo é incompatível com o anti-intelectualismo. O Espírito de Deus é Espírito de verdade. Esse foi um dos títulos que Jesus mesmo o deu ao Espírito. Se quisermos estar cheios do Espírito, sua verdade será importante para nós. Aqueles crentes primitivos não pensaram que bastava para eles a presença do Espírito Santo em seu interior para conhecer a verdade. Não deram por certo que, por haver recebido a plenitude do Espírito Santo, este era o mestre que precisavam, e que poderiam prescindir dos mestres humanos. Não foi assim na igreja primitiva. Os novos crentes sabiam que Jesus havia nomeado aos apóstolos para que fossem mestres da igreja, e procuravam aprender todo o possível e perseveravam na sua doutrina.

Como se aplica isto à igreja de hoje? O que significa para nós perseverar na doutrina dos apóstolos, ser fiel em conservar seus ensinamentos? Entendemos que já não há apóstolos na igreja. Pode haver ministérios apostólicos, como os que realizam missões, os plantadores de igreja, os líderes. Estas pessoas exercem ministério apostólico mas não podemos os chamar apóstolos. Ninguém na igreja atual tem uma autoridade comparada a de Paulo, Pedro ou qualquer dos apóstolos de Jesus Cristo. Eles tinham uma autoridade única para ensinar em nome de Jesus e ninguém tem essa autoridade hoje. Então, se não há apóstolos na igreja contemporânea, como nós podemos nos submeter aos ensinamentos dos apóstolos? Seus ensinamentos chegaram até nós pela Bíblia. O Novo Testamento é precisamente isso: os ensinamentos dos apóstolos. Esta é a única classe de sucessão apostólica em que cremos, a continuidade da doutrina apostólica por meio do Novo Testamento. Uma igreja cheia do Espírito é uma igreja bíblica, uma igreja neotestamentária, uma igreja apostólica. Nela se ensina as Escrituras.

Comunhão e ajuda mútua

A segunda marca de uma igreja viva que descobrimos na leitura de Atos é o amor e o cuidado mútuo entre os crentes. Se a primeira marca é o estudo, a segunda é a comunhão. A palavra comunhão que utilizam algumas versões é a tradução de koinonía. Este termo descreve aquilo que temos em comum, o que compartilhamos como crentes em Cristo. Isto se refere a duas verdades complementares.

Em primeiro lugar, compartilhamos a graça de Deus. O apóstolo João começa sua primeira carta com estas palavras: “Nossa comunhão é com o Pai e com o Filho, Jesus Cristo...” Paulo fala da comunhão que temos com o Espírito Santo. A comunhão autêntica é uma comunidade trinitária. Nós os crentes participamos em comum no Pai, no Filho e no Espírito Santo.

Há um segundo aspecto da koinonía. Também temos em comum o que damos, este é o aspecto que Lucas dá ênfase. Em suas cartas, Paulo usa esta mesma palavra, koinonía, para referir-se a uma oferta que estavam dando as igrejas. O adjetivo koinónico significa “generoso”, Lucas descreve a generosidade dos cristãos primitivos: “E todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo em comum. E vendiam suas propriedades e bens, e repartiam com todos, segundo cada um havia de mister.” (Atos 2:44-45).

Adoração prazerosa e reverencia

Os primeiros cristãos não eram só fieis em conservar os ensinamentos dos apóstolos na comunhão uns com os outros. Também se reuniam uns com os outros. Também se reuniam e participavam juntos “no partir do pão, e nas orações” (Atos 2:42). “E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração” (Atos 2:46)

O partir o pão se refere, sem dúvida, a Ceia do Senhor. Provavelmente, além dos símbolos do corpo e do sangue de Cristo na igreja primitiva havia também uma ceia compartilhada, um ágape. As orações que se mencionam aqui não são as orações privadas mas sim as reuniões de oração. Existem dois aspectos da vida de adoração da igreja primitiva que são desejáveis em uma igreja renovada. Aqueles cristãos mostravam equilíbrio nos dois sentidos. Por um lado a adoração era formal e informal.

Evangelização contínua

“E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar”. (Atos 2:47)

O ensinamento, o testemunho diário dos membros da igreja e sua vida de amor aos demais, são os meios que Deus usa para fazer chegar Sua mensagem ao mundo. Porém quem salva e incorpora novos membros a Sua igreja é Jesus Cristo.

Vivemos em uma época que confia muito no ativismo e na tecnologia. Sem dúvida, há de se fazer uso de toda tecnologia que o Senhor tem nos dado. Porém temos que humilharmos diante de Deus e reconhecer que somente Cristo pode abrir os olhos dos cegos, destapar os ouvidos dos surdos e dar vida às almas mortas. A igreja hoje necessita ser mais humilde.

Um segundo ponto sobre a evangelização é que Jesus fazia duas coisas, e estas devem sempre estar juntas. Acrescentava cada dia à igreja os que iam ser salvos, quer dizer, não os acrescentava sem serem salvos nem os salvava sem os acrescentar a igreja. Salvação e pertencer à igreja são dois atos que vão juntos.

Uma pregação alicerçada nas Escrituras:

1Co 2:4 A minha palavra, e a minha pregação, não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder.

Atualmente temos observado que muitas pregações estão repletas de histórias, cheias de emocionalismo, nossos pregadores tem apostado mais na emoção, do que nas forte e poderosa atuação do Espírito Santo nos momentos de nossas prédicas.

Pregação vem com conhecimento bíblico e promovido pelo poder do Espírito Santo.

Uma teologia bíblica:

Quando falamos em uma teologia bíblica ela carrega um pressuposto de que a Bíblia é a Palavra de Deus, sua inerrância, e sua suficiência para desenvolver qualquer posições para a igreja.



[1] GONZALEZ, Justo L. Uma História do Pensamento Cristão. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2004.

[2] OLSON, Roger Histórias das controvérsias na teologia cristã.:

[3] OLSON, Roger. História da Teologia Cristã. São Paulo: Vida, 2001.

[4] OLSON, Roger Histórias das controvérsias na teologia cristã.:

[5] OLSON, Roger Histórias das controvérsias na teologia cristã.:

[6] OLSON, Roger Histórias das controvérsias na teologia cristã.:

[7] OLSON, Roger. História da Teologia Cristã. São Paulo: Vida, 2001.

[8] OLSON, Roger. História da Teologia Cristã. São Paulo: Vida, 2001.

[9] OLSON, Roger Histórias das controvérsias na teologia cristã.:

[10] A maior divergência entre os reformadores foi sobre a Ceis do Senhor.

[11] Mark Driscoll, um pastor de alto nível inicialmente associado ao movimento, distanciou-se da igreja emergente (e mais tarde tornou-se um crítico vocal dele), e os críticos começaram a abordar suas próprias preocupações sobre a manutenção de uma discussão tão aberta sobre teologia.

[12] Ayres, Jonas. A igreja no horizonte pós-moderno.

[13] LOPES, Augusto Nicodemos. O Que estão fazendo com a Igreja: A ascensão e queda do movimento evangélico brasileiro. São Paulo, ed. Mundo Cristão, 2008.

[14] FRESTON, Paul. Breve história do pentecostalismo brasileiro. Em: ANTONIAZZI, Albertol. Nem anjos nem demônios: interpretações sociológicas do pentecostalismo. 2ª ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994,

[15] Neuza  é Fundadora e presidente do Ministério Ágape Reconciliação e foi  "consagrada" ao denominado ministério apostólico em Agosto de 2002. Ela possui o bacharelado em Teologia (Faculdade Metodista Livre),  é também  formada em Pedagogia pela USP e doutora em Missiologia pelo Seminário Teológico Fuller e desde 1988 vem atuando na área de Libertação, Cura Interior e Batalha Espiritual. Postado por Renato Vargens. http://renatovargens.blogspot.com.br/2011/01/as-novas-heresias-de-neusa-itioka.html

[16] GONÇALVES, José. Rastro de Fogo, CPAD, Rio de Janeiro, 2012.

[17] Idem.

[18] https://www.significados.com.br/mosteiro/

[19] https://pt.wikipedia.org/wiki/Mosteiro

[20] PFANDL, Gerhard. Rapto Secreto: As surpreendentes origens da visão teológica dispensacionalista. Disponível em: http://www.monergismo.com.br/

[21] Clérigos da Igreja Anglicana que, insatisfeitos com a reforma da igreja inglesa, que julgavam por demais filocatólica, romperam com a mesma em busca de uma igreja mais “pura”. Nesse núcleo de clérigos encontram-se as raízes de importantes grupos cristãos protestantes como os congregacionais, batistas e presbiterianos.

[22] DUMAS, André; BOSC, Jean; e CARREZ, Maurice. Novas Fronteiras da Teologia. São Paulo: Duas Cidades, 1969. Em; Gerson Lourenço Pereira. O Metodismo na Cidade do Rio de Janeiro. Uma abordagem teológico-pastoral a partir do pensamento eclesiológico de Dietrich Bonhoeffer. Dissertação de Mestrado, PUCRJ.

[23]Dietrich Bonhoeffer.  Vida em Comunhão. São Leopoldo: Sinodal, 2003.

[25] BAUMAN, Zygmunt. Tempos Líquidos. Rio de Janeiro: Zahar, 2007.

[26] BOMILCAR, Nelson. Os sem-igreja: Buscando caminhos de esperança na experiência comunitária. São Paulo: Mundo Cristão, 2012.

[27] CAMPOS, Idauro. Desigrejados: teoria, história e contradições do niilismo eclesiástico. BVBOOK 2017.

[28] http://tempora-mores.blogspot.com.br/2010/04/os-desigrejados.html

[29] AZEVEDO, Israel Belo de. Gente Cansada de Igreja, United Press.

[30] GONZALEZ Justo L.. Mapas para a história futura da igreja, Tradução: Mônica Guimarães de Mesquita e Erika Batista de Souza. Revisão: Jessé Fogaça, CAPAS, 2006.


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